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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A educação grega e nós



  

A educação na Grécia antiga, cujo sucesso inegável é amplamente comprovado pela criatividade em todos os campos do saber e da arte, voltava-se, acima de tudo, à preparação dos jovens para os altos postos da vida pública: a política, a magistratura e a educação mesma. Se não é, portanto, uma fórmula que se possa copiar na instrução das massas em geral, e se nos dias de hoje seria utópico tentar imitá-la até mesmo para a formação da classe dominante, dos políticos, dirigentes de empresas, comandantes militares, bispos e cardeais, ela continua, no entanto, um modelo excelente para a educação da elite intelectual.

Não pretendo que seja possível ou mesmo desejável montar uma escola, muito menos um sistema nacional de educação, segundo o formato grego. Não é nesse sentido que uso a palavra “modelo”. Uso-a para designar apenas uma unidade de comparação e de medida que possa servir para a orientação pessoal, seja de alguns educadores, seja de pais de família interessados em homeschooling, seja de estudantes devotados a educar-se ou reeducar-se a si mesmos. Alguns dos meus alunos já têm clara consciência disso e vêm tirando proveito do exemplo grego, tanto para si mesmos quanto para seus filhos e, quando são professores, para seus alunos (v., por exemplo, 
http://radiovox.org/2013/10/24/carlos-nadalim-encontrando-alegria/).

Atendida essa limitação, a primeira coisa que deve nos chamar a atenção é a prioridade absoluta que, na educação infantil, se dava ao treinamento literário e artístico. Após a instrução moral básica dada pela educação doméstica, praticamente só o que se ensinava às crianças, tão logo elas estivessem alfabetizadas, era ler e decorar as obras dos grandes poetas, participar de encenações teatrais, cantar, dançar e fazer ginástica. Isso era tudo. O resto cada um aprendia por si ou com professores particulares.

Eis como Platão descreve esse processo:
“Quando os alunos aprendem a ler e começam a compreender o que está escrito, tal como faziam antes com os sons, dão-lhes a ler em seus banquinhos as obras de bons poetas [épicos], que eles são obrigados a decorar; obras cheias de preceitos morais, com muitas narrativas de louvor e glória dos homens ilustres do passado, para que o menino venha a imitá-los por emulação e se esforce por parecer-se com eles... Depois de haverem aprendido a tocar cítara, fazem-nos estudar as criações de outros grandes poetas, os líricos, a que dão acompanhamento de lira, trabalhando, desse modo, para que a alma dos meninos se aproprie dos ritmos e da harmonia, a fim de que fiquem mais brandos e, porque mais ritmados e harmônicos, se tornem igualmente aptos tanto para a palavra quanto para a ação. Pois, em todo o seu decurso, a vida do homem necessita de cadência e harmonia. Em seguida, os pais entregam-nos ao professor de ginástica, para que fiquem com o corpo em melhores condições de servir ao espírito virtuoso, sem virem a ser forçados, por fraqueza de constituição, a revelar covardia, tanto na guerra quanto em situações semelhantes.”
(Protágoras, 325 d7 ss. Tradução de Carlos Alberto Nunes ligeiramente modificada.)
Em seu livro densamente documentado, Arts Libéraux et Philosophie dans la Pensée Antique (Paris, Vrin, 2005), a erudita germano-francesa Ilsetraut Hadot acrescenta: “Os jovens de famílias prósperas recebiam também, desta vez gratuitamente, uma educação complementar tomando parte num côro trágico ou lírico, por ocasião das festas cultuais locais. Essas demonstrações eram, com freqüência, primeiras representações de uma peça de teatro ou de uma poesia lírica de autor contemporâneo; eram portanto a ocasião, para os jovens, de ser colocados em contato com todas as novas criações literárias do seu tempo e de aprendê-las de cor. Esta espécie de educação era tão importante, que Platão, nas Leis (II, 654 a-b), se vê levado a identificar o homem culto (pepaidymênos) com aquele que participou de um côro com freqüência suficiente (ikanos kekoreykôta) e, ao contrário, o homem sem cultura com aquele que jamais fez parte de um côro (akôreytos).”

Não há exagero em dizer que os jovens gregos, muito antes de entrar na vida pública, já tinham uma cultura literária superior à da média dos nossos atuais professores de Letras.

A preparação para a cidadania só começava depois de encerrada a etapa da educação escolar:

“Quando saem da escola, a cidade, por sua vez, os obriga a aprender leis e a tomá-las como paradigma de conduta, para que não se deixem levar pela fantasia e praticar alguma malfeitoria.”

Isso já era assim desde antes do advento dos sofistas, professores ambulantes que iam de cidade em cidade ensinando a arte da oratória e dos debates públicos. Os sofistas introduziram essas matérias na educação de alunos que já vinham não só com uma boa base literária e artística, mas com algum conhecimento das leis e princípios que regiam a vida social, conhecimento do qual a sofística era apenas um complemento técnico mais avançado. Prossigo esta explicação e tiro algumas conclusões dela no próximo artigo.

Professor Olavo de Carvalho - Filósofo, Jornalista e ensaísta

Publicado no Diário do Comércio.

PLC 122: o projeto de destruição da família.





O Projeto de Lei da Câmara n. 122/2006, conhecido nos meios cristãos como lei da "mordaça gay"01 e originariamente apresentado pela deputada Iara Bernardi (PT-SP) modificando várias normas do Direito brasileiro e criminalizando a chamada "homofobia", recebeu um substitutivo, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) – que seria submetido à votação no dia 20 de novembro, mas, graças às ligações e mensagens do povo brasileiro aos seus parlamentares, teve sua apreciação adiada02.
O relatório do parlamentar petista pretende colocar panos quentes em toda a discussão gerada pelo projeto original. "Ouvimos todos e não entramos na polêmica da homofobia. Essa foi a primeira mudança para elaboração desse relatório"03, diz o texto do novo projeto. No entanto, mesmo sem entrar "na polêmica da homofobia", o novo PLC 122 traz uma arma perigosa e ainda mais letal: a ideologia de gênero. O instrumento para ludibriar a população continua sendo a manipulação da linguagem, pelo qual é inoculado em termos aparentemente inofensivos um conteúdo ideológico e revolucionário. Assim, se o antigo texto disfarçava sob a expressão "homofobia" qualquer discordância da agenda homossexual, o novo texto esconde a ideia de que as pessoas não apenas recebem sua sexualidade como um dado biológico, mas são responsáveis por construir sua "identidade de gênero" – o termo aparece 5 vezes no substitutivo do senador Paulo Paim. Ou seja, embora a ênfase tenha mudado, a perversão continua.
As modificações introduzidas no texto do projeto de lei integram um script pré-concebido para desestabilizar totalmente a família tradicional. Ao contrário do que os meios de comunicação mostram, este processo de subversão não é algo "automático", como se o reconhecimento de "novas configurações" de família fosse uma expressão do zeitgeist ("espírito dos tempos") ou do "progresso" da civilização. Trata-se de um programa de ação sistemática idealizado justamente para destruir a família, já que esta, da forma como é concebida pela moral judaico-cristã, é um empecilho para que aconteça a revolução comunista tanto querida por Karl Marx. Para identificar isto, basta que se leia o famoso "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", iniciado por Marx, mas concluído por Engels; basta que se procurem as obras dos ideólogos de gênero, para descobrir quais são seus verdadeiros intentos.
Já que a família tradicional não está tragicamente fadada a desaparecer, a menos que os seus defensores fiquem de braços cruzados, é importante que os cristãos e conservadores deste país se juntem neste esforço político comum: combater a implantação da agenda de gênero na sociedade brasileira.
Católicos, protestantes, judeus, espíritas ou quaisquer homens de boa vontade são chamados a fazer uma coalizão a fim de defender o patrimônio moral que moldou o Ocidente, independentemente das diferenças que existam entre si, por maiores que sejam. O adversário – a esquerda – sabe perfeitamente qual o esquema para vencer: colocar os conservadores – especialmente os cristãos – uns contra os outros.
Ora, é evidente que os católicos, acatando as posições morais e doutrinárias da Igreja Católica, continuarão tentando converter os protestantes – e vice-versa. No entanto, é preciso que todos aqueles que creem em Cristo tomem consciência do perigo maior que ronda a sociedade neste momento. Não se pode brigar por causa de um "arroz queimado" na cozinha quando a casa inteira está sendo incendiada. É preciso, antes, apagar o fogo da casa, para, depois, discutir o arroz. Da mesma forma, ao invés de lançar brigas no seio do movimento conservador, é necessário que os cristãos se unam contra o inimigo comum; se não, ambos serão destruídos.
O que os socialistas realmente querem é a destruição da moral judaico-cristã, e não o reconhecimento de supostos "direitos homossexuais". Os marxistas estão a utilizar os homossexuais como "ponta de lança", pois é sabido que, nos regimes comunistas de Stálin, Mao e Fidel Castro, foram justamente os homossexuais os primeiros a morrer, ora fuzilados em "paredões", ora oprimidos em campos de concentrações. Isto explica por que, diante de padres e pastores tentando ser fiéis à sua religião, o movimento gayzista faz um alarde, mas, diante dos crimes perpetrados pelas ditaduras socialistas contra os homossexuais, eles se calam: o movimento LGBT é amplamente subvencionado pelo marxismo cultural.
A votação do PL 122 na Comissão de Direitos Humanos não foi cancelada, mas apenas adiada. Por isso, é importante que a população brasileira continue enviando e-mails e telefonando ao Senado Federal, para mostrar que não quer a agenda de gênero implantada em nosso país. Os telefones e e-mails dos senadores da referida Comissão estão disponíveis no site do articulista Julio Severo04.

Material de Estudo

Referências
1.     Ao final de 2011, o padre Paulo gravou uma aula sobre os perigos deste projeto. Cf. Aula Ao Vivo n. 9: PL 122, a lei da mordaça gay.
2.     "A pressão sobre o PLC 122 foi tão grande que o senador Paulo Paim, autor de uma mudança no PLC 122 que supostamente deixava o projeto "inócuo," teve de retirá-lo da pauta da votação, que seria hoje", segundo o blog do Julio Severo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A família no centro da política




Na Câmara dos Deputados, em Brasília, diante de uma plateia atenta, Padre Paulo Ricardo falou sobre o mais perverso ataque contra a família já desferido: a ideologia de gênero. Saiba como ela pode finalmente abrir a porta para a implantação da revolução tão sonhada pelos marxistas, assistindo ao vídeo.

Ano da Fé, católicos e protestantismo....



O Ano da Fé está chegando ao seu término. Cabe-nos fazer um balanço e um exame de consciência sobre o que ficou do Annus Fidei, e o prognóstico não é bom, embora hajam almas eivadas de terno otimismo que digam com plácidas palavras: "Sim, nós melhoramos, afinal de contas, não está tão ruim assim, não é mesmo?" Pois bem, digo enfaticamente: Não melhorou! Isto ficou patente em entrevistas que jovens durante a JMJ concederam às redes de televisão seculares sobre temas complexos relacionados à Fé Católica, onde imperaram respostas repletas de relativismo e ignorância total da Fé que professam. E vemos isso no dia a dia das paróquias: católicos que ainda continuam fazendo das Missas verdadeiros Shows protestantes; católicos que crêem poderem ser católicos sem aceitarem as verdades fundamentais da Fé católica; Católicos que acreditam poderem ser católicos sem aderir às propostas do Sagrado Magistério; Católicos que sequer sabem o que é o Magistério; Católicos que preferem ler, ouvir e ver protestantes do que ouvir o ensinamento dos Padres e Ler a vida dos Santos, estes sim, verdadeiros arautos da Fé!

Vemos Católicos que desprezam o Sangue dos Mártires aderindo, mesmo que como um flerte, à doutrinas e seitas Pagãs, acreditando em todo tipo de erro reprovado pelo Magistério e pela Sagra Tradição: horóscopo, reencarnação, simpatias e afins... Sem falar no Câncer chamado Teologia da Libertação que se espalha na Igreja e corrompe e vilipendia tudo que nós temos por Sagrado! E o pior, a Igreja do Brasil não move uma palha para conter nada disso! Diante do pedido que soa quase como uma súplica do Papa Bento XVI para que se estude o Catecismo da Igreja e os Documentos do Concílio Vaticano II, Católicos preferem ler os Livros de auto-ajuda do Padre Fábio de Melo, Augusto Cury e Silas Malafaia, tomando-os como vozes magisteriais, livres de todo erro e impelidos de grande infalibilidade. Exortar à leitura não adianta, pois são dotados de atávica preguiça intelectual; exortar para que vejam palestras de Padres fiéis à Igreja também não adianta, pois preferem os vídeos do Silas Malafaia e do RR Soares. Há até Católicos que afirmam que fora da Igreja há salvação, negando a máxima da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério: "Extra ecclesia nula salus!"

Creio que a Teologia da Libertação é um Câncer, porém  o Protestantismo e o pentecostalismo dentro da Igreja também o são. Por que acham que não vemos mais homilias, que versem sobre as almas do Purgatório, sobre os Santos, sobre indulgências, sobre a Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima? Por que nossas paróquias estão repletas de protestantismo! Vejam, nada falo contra os Protestantes em si, desde que estejam fora da Igreja Católica. Se quiserem ser católicos, pois bem, serão muito bem vindos; senão, que fiquem em suas comunidades eclesiais e sejam felizes!

Se os Pedidos do Santo Padre para o Ano da Fé tivessem sido atendidos, muito deste discurso teria sido diferente.

Conclusão: O Ano da Fé termina, virão as festas de seu encerramento, como se tudo estivesse lindo, perfeito e como se todos tivessem acolhido o Catecismo com carinho e o tivessem estudado em oração. E nada será dito contra isso, fazendo com que todos pensem que pode ser católico do jeito que lhe convier!

Enfim, perdoem-me aquelas almas sensíveis ao extremo, porém, como dizia o Papa Bento XVI, não há caridade sem amor, tampouco amor sem verdade. 

Viva Cristo Rei!