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domingo, 5 de outubro de 2014

Santo Tomás, o Concílio Vaticano II e o Islã.

Mais uma cabeça inocente tombou no solo arenoso de algum ponto do mundo,  num deserto sabe-se lá de onde, entre a Síria e o Iraque. O algoz, mais uma vez – como ocorre desde o século VII – é um Islâmico. Como não poderia deixar de ser, nossa Presidente bateu seu ponto como dirigente deste gigantesco Anão Diplomático e proferiu suas contumazes asneiras na Assembléia geral da ONU e disse que o Brasil está sendo assolado por uma onda de “Islamofobia”.  Como se os errados fossemos nós, cidadãos pacíficos – não pacifistas – que ficamos aterrorizados com as cenas brutais dessa horda de demônios cuja diversão predileta é separar cabeças de corpos utilizando facas de cozinha, cortando-as como fossem pedaços de carne para churrasco. A presidente não conhece limites para o ridículo, tampouco para suas notórias afinidades com o que há de mais execrável no mundo. (Gostaria muitíssimo de proferir aqueles palavrões cabeludos, com os quais deleita-se o querido e  eruditíssimo professor Olavo de Carvalho, o qual sou muito grato, pois parecem-me libertadores. Mas por enquanto limito-me a não reconhecer esta mulher abjeta e enlameada de outra forma que não como inspirada pelo Demônio)

Agora estou certo de que o meio pelo qual Satanás move-se pelo mundo, são duas grandes e robustas pernas, onde numa está tatuado o nome do Comunismo, e noutra, o nome do Islã.

Feitos os desabafos iniciais, gostaria de partilhar algo; ainda sobre o Islã.

Estou lendo o belíssimo trabalho sobre o Concílio Vaticano II, da lavra do renomadíssimo professor Roberto de Mattei. Ora, a cada página lida, meu queixo despenca mais alguns centímetros, ao constatar com fartas referências bibliográficas as falcatruas da ala modernista da Igreja para destruir por completo as bases doutrinais desta.
O empreendimento de tão portentosa leitura, aguçou-me a ler novamente alguns documentos do Concílio, para constatar alguns fatos, e eis que num dado momento, passo meus olhos sobre a “Declaração Nostrae Aetate, sobre a relação da Igreja com as religiões não Cristãs”. Neste documento, que assim como a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, é eivado de um otimismo não condizente com a Tradicional Doutrina Católica, há um parágrafo que versa sobre o Islã. Diz a declaração:

 A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.
E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.” ¹ Anotou aí?

Em contrapartida, num outro documento, no decreto sobre a formação Sacerdotal, o Decreto Optatam Totius, expressam-se nestes termos os Padres conciliares sobre a formação em teologia dos aspirantes ao sacerdócio:

Exponha-se aos alunos o contributo dos Padres da Igreja oriental e ocidental para a Interpretação e transmissão fiel de cada uma das verdades da Revelação, bem como a história posterior do Dogma tendo em conta a sua relação com a história geral da Igreja. Depois, para aclarar, quanto for possível, os mistérios da salvação de forma perfeita, aprendam a penetra-los mais profundamente pela especulação, tendo por guia Santo Tomás, e a ver o nexo existente entre eles.” ²

Ou seja, claramente o Concílio confirma Santo Tomás de Aquino como depurador da Teologia católica, e orienta que o Aquinate seja tido por guia seguro no estudo da teologia. Até aí não temos novidades, pois isto a Igreja sempre o fez, salvos alguns momentos na história onde o estudo de Santo Tomás foi freado, tendo sido reavivado pelo Papa Leão XIII, através da sua magistral Encíclica Aeterni Patris.

Pois bem. Seguirei à risca a orientação do Concílio, e com isto, ficará patente que neste ponto, o Concílio se contradiz. Diz-nos o Concílio que Santo Tomás de Aquino deve servir-nos de guia no estudo da teologia, mas por outro lado, defende uma posição com relação ao Islã, que colide frontalmente com os ensinamentos de Santo Tomás de Aquino sobre a doutrina de Maomé.

São Raimundo de Peñaforte, confrade de santo Tomás na Ordem Dominicana, trabalhava na conversão dos muçulmanos e solicitou a Santo Tomás, que à época lecionava em Paris, para que compusesse uma obra apologética que auxiliasse seus eruditíssimos frades na tarefa de transmitir a Fé aos muçulmanos. Santo Tomás compôs a magnífica “Suma Contra os Gentios”, obra onde o Santo expõe sua doutrina Filosófica e Teológica, não no mesmo estilo de disputatio da Suma teológica, mas numa forma mais expositiva. Em determinado momento da Suma Contra os Gentios, Santo Tomás emite aquilo que é a opinião da Igreja acerca de Maomé e de sua seita. Ei-la:

No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.
 Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

 Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

 Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram. Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.  

(Nota do autor : por esta afirmação de Santo Tomás de Aquino podemos auferir, aliado à incontáveis relatos históricos, a certeza de que a violência faz parte da essência do Islã!)

 Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Antigo e do Novo Testamento. Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura. Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra crêem levianamente.” ³

Donde se constata, que utilizando a autoridade do Concílio, o mesmo está errado sobre como vê o Islã. Sem mais.


Referências:

  1.        Concílio Vaticano II, Declaração Noastra Aetate, n. 3
  2.      Concílio Vaticano II, Decreto Optatam Totius, n. 16
  3.        Santo Tomás de Aquino. Suma Contra os Gentios. Livro I, Cap. VI,3

domingo, 28 de setembro de 2014

A profecia de Joseph Ratzinger


A renúncia do Papa Bento XVI suscitou na mídia e em boa parte dos fiéis, especulações acerca de profecias apocalípticas sobre o futuro da Igreja. Dentre elas, a que mais chamou a atenção foi a famosa "Profecia de São Malaquias" que, segundo a lenda, anunciava o fim da Igreja e do mundo ainda neste século. Apesar dessas previsões catastróficas alimentarem a imaginação de inúmeras pessoas, a verdade é que elas carecem de fundamento e lógica, como já demonstraram vários teólogos, inclusive o estimado monge beneditino, Dom Estevão Bettencourt, na sua revista "Pergunte e Responderemos".

Mas não é sobre a profecia de São Malaquias que queremos falar aqui. Nossa atenção, devido às circunstâncias, volta-se para as palavras do jovem teólogo da Baviera, Padre Joseph Ratzinger, proferidas há pouco mais de 40 anos, logo após o término do Concílio Vaticano II. Em um contexto de crise de fé e revolução cultural, o então professor de teologia da Universidade de Tübingen via-se cada vez mais sozinho diante da postura marcadamente liberal de seus colegas teólogos, como por exemplo, Küng, Schillebeeckx e Rahner. Olhando também para os outros setores da Igreja, Padre Ratzinger via nos "sinais dos tempos" um presságio do processo de simplificação que o catolicismo teria de enfrentar nos anos seguintes.

Uma Igreja pequena, forçada a abandonar importantes lugares de culto e com menos influência na política. Esse era o perfil que a Igreja Católica viria a ter nos próximos anos, segundo Ratzinger. O futuro papa estava convencido de que a fé católica iria passar por um período similar ao do Iluminismo e da Revolução Francesa, época marcada por constantes martírios de cristãos e perseguições a padres e bispos que culminaram na prisão de Pio VI e sua morte no cárcere em 1799. A Igreja estava lutando contra uma força, cujo principal objetivo era aniquilá-la definitivamente, confiscando suas propriedades e dissolvendo ordens religiosas.

Apesar da aparente visão pessimista, o jovem Joseph Ratzinger também apresentava um balanço positivo da crise. O teólogo alemão afirmava que desse período resultaria uma Igreja mais simples e mais espiritual, na qual as pessoas poderiam encontrar respostas em meio ao caos de uma humanidade corrompida e sem Deus. Esses apontamentos feitos por Ratzinger faziam parte de uma série de cinco homilias radiofônicas, proferidas em 1969. Essas mensagens foram publicadas em livro sob o título de "Fé e Futuro".

"A Igreja diminuirá de tamanho. Mas dessa provação sairá uma Igreja que terá extraído uma grande força do processo de simplificação que atravessou, da capacidade renovada de olhar para dentro de si. Porque os habitantes de um mundo rigorosamente planificado se sentirão indizivelmente sós. E descobrirão, então, a pequena comunidade de fiéis como algo completamente novo. Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente"

Depois de 40 anos desses pronunciamentos, o já então papa Bento XVI não mudou de opinião. É o que pode-se concluir lendo um de seus discursos feitos para os trabalhadores católicos em Freiburg, durante viagem apostólica a Alemanha, em 2011. Citando Madre Teresa de Calcutá, o Santo Padre constatava uma considerável "diminuição da prática religiosa" e "afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja" nas últimas décadas. O Santo Padre se pergunta: "Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?"

O Papa alemão respondia que sim, a Igreja deveria mudar, mas essa mudança deveria partir do próprio eu. "Uma vez alguém instou a beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua reposta foi: tu e eu!", ensinou. Bento XVI pedia no discurso uma reforma da Igreja que se baseasse na sua "desmundanização", corroborando o que explicou em outra ocasião a um jornalista, durante viagem ao Reino Unido, sobre como a Igreja deveria fazer para agradar o homem moderno.

"Diria que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade".


Esses textos ajudam-nos a entender os recentes fatos e interpretar os pedidos de reforma da Igreja pedidos por Bento XVI nos seus discursos pós-renúncia. De maneira alguma esses pedidos fazem referência a uma abertura da Igreja para exigências ideológicas do mundo moderno, como quiseram sugerir alguns jornalistas. Muito pelo contrário, o Papa fala de uma purificação da ação pastoral da Igreja diante do homem moderno, de forma que ela se livre dos ranços apregoados pelo modernismo. Trata-se de conservar a fiel doutrina de Cristo e apresentá-la de modo transparente e sem descontos. A Igreja enquanto tal é santa, imaculada. Mas seus membros carecem de uma constante conversão e é neste sentido que a reforma deve seguir. A Igreja precisa estar segura de sua própria identidade que está inserida na sua longa tradição de dois mil anos, caso contrário, toda reforma não passará de uma reforma inútil.

Fonte: https://padrepauloricardo.org

domingo, 21 de setembro de 2014

Coisas que só acontecem na Igreja: Milagre de São Januário.


Neste [último] dia 19 de setembro ocorreu um dos eventos mais interessantes da Igreja. Não é um milagre como outros que conhecemos, mas um que acontece 3 vezes por ano.

Quando São Januário foi decapitado em 305, recolheram seu sangue em 2 ampolas, que foram encerradas numa teca de prata. O sangue passa a maior parte do tempo coagulado, algo natural. Contudo, no primeiro sábado de maio, no dia 19 de setembro e durante uma semana em dezembro, o seu sangue se liquefaz (foto) tal como estivesse dentro de uma pessoa viva. O milagre atrai muitas pessoas.

Na foto, o Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo de Nápoles, mostra as ampolas com o sangue líquido novamente.

Fonte: Direto da Sacristia


1964: Marco Antônio Villa



sábado, 28 de junho de 2014

88 - Sou católico e estou na universidade! E agora?


As universidades foram fundadas na Idade Média, pela Igreja Católica, a fim de ensinar as pessoas. Mas, entrando de abismo em abismo, parece que elas estão enlouquecidas. O que está acontecendo?
Antes de qualquer coisa, é importante dizer que as escolas foram concebidas pelo Cristianismo para que as pessoas conhecessem, contemplassem e servissem a Verdade. O projeto cristão para a educação não era apenas que as pessoas aprendessem as coisas, mas que verdadeiramente se santificassem.
Infelizmente, com a fundação da universidade – que quase sempre é reputada como um grande mérito da Igreja –, começou a buscar-se não mais a verdade, mas um diploma. Então, com a substituição gradativa do conhecimento pela autopromoção, experimentou-se uma terrível derrocada no nível dos estudos.
Grandes mudanças no seio da sociedade também estimularam a decadência do ambiente universitário. Com o processo acelerado de industrialização, surgiu a necessidade de mão-de-obra para as fábricas. Como consequência, aquilo que era uma formação intelectual tornou-se um conhecimento eminentemente prático, para formar trabalhadores. Após a Segunda Guerra Mundial, a situação mudou totalmente de figura: a faculdade serviria não mais para buscar a verdade – como idealizava a Igreja –, nem para formar bons cidadãos – como queriam os renascentistas –, nem sequer para forjar mão-de-obra, mas tão somente para ensinar “atitudes sociais” aceitáveis para um projeto de “engenharia” da sociedade. O nome desse projeto é marxismo.
O marxismo é um movimento que tem em vista desmontar a sociedade tal como a conhecemos. A princípio, a ideia era fazer isso por meio de revoluções. Depois, um grupo de pensadores – que integrou a conhecida Escola de Frankfurt – viu que isso era impossível, pois o chamado “proletariado” estava alienado por uma cultura, que precisaria ser destruída primeiro.
Na Alemanha, os filósofos Karl Korsch e Georg Lukács fundaram, com a ajuda do empresário Felix Weil, o Instituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung). Juntamente com vários pensadores, eles criaram a “teoria crítica”, que tinha como finalidade investigar toda a cultura ocidental e destruí-la. Korsch pegou emprestadas do pensamento de Karl Marx as noções de infraestrutura e superestrutura. Aquela seria as relações econômicas; esta, as instituições geradas por elas, tais como o direito, a família, a universidade, a escola etc. A superestrutura serviria tão somente para alienar as pessoas, submetendo-as aos interesses da classe dominante. A solução, então, seria utilizar a filosofia – considerada pelos marxistas como “instituição burguesa” – para destruir a própria filosofia ocidental. O trabalho da Escola de Frankfurt era este: destruir e criticar, até não restar pedra sobre pedra. Não sem razão Max Horkheimer, um dos diretores do Instituto, só contratava professores que tivessem, em suas palavras, “aquele ódio por tudo o que está de pé”.
A maioria dos professores das universidades, conscientemente ou não, são adeptos desse pensamento marxista e revolucionário. Ao invés de estar em sala de aula para ensinar os alunos, eles usam a sua profissão para escandalizar os estudantes e desorientá-los. O que deveria ser um caminho para encontrar-se com a Verdade torna-se, antes, um “descaminho”, justamente a fim de acabar com a ideia de que as verdades existem.
Aparentemente, as universidades não têm nada que ver com o “sexo livre”. No entanto, são o ambiente propício para estimular esse comportamento e ridicularizar quem, de alguma forma, destoe dele. Herbert Marcuse, um dos autores da Escola de Frankfurt, idealizava, por exemplo, a “perversão polimorfa”, pela qual todas as pessoas usariam o sexo indiscriminadamente, tratando-o de forma “não generativa” – ou seja, dissociando-o a abertura à vida para usá-lo tão somente como gratificação.
Theodor Adorno, por sua vez, ao formular o conceito de “personalidade autoritária”, criou a “Escala F”, de “fascismo”, que associava as ideias conservadoras das pessoas a supostas “tendências autoritárias” que elas tinham. Como solução para esse “problema”, seria necessário dessensibilizar os indivíduos, a fim de transformar o seu modo de pensar. Ora, não é exatamente este o projeto que é seguido à risca nas universidades? Tratar como “doente” e “fascista” o pensamento alheio, só por ser contrário à ideologia marxista?
Como reagir diante desse verdadeiro bombardeiro à fé e às convicções morais que moldaram o Ocidente?
Antes de qualquer coisa, é preciso “preparar o terreno”, por assim dizer. Quando um professor ataca a Igreja em sala de aula, provocando os alunos que porventura sejam católicos, o que ele quer é justamente o conflito, não a busca da verdade – na qual ele sequer acredita. Por isso, nessa situação, ao invés de discutir com o professor, é importante estudar: não como quem está atrás de um diploma, mas como alguém sedento pela Verdade. Além disso, é preciso identificar pessoas de boa vontade ao redor e, de alguma forma, ensiná-las. Combater sozinho contra um professor mal-intencionado é muitas vezes contraproducente. Com um grupo de pessoas preparadas para desmascarar o ideólogo, é muito mais fácil agir.
Ao fim, o que se propõe é um trabalho genuíno de evangelização que leve as pessoas, pouco a pouco, ao encontro com a Verdade. Não se trata do caminho para a mudança da universidade como um todo, mas já é um caminho para a mudança da própria mentalidade.
Livros recomendados

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Hospital do Vaticano faz descoberta pioneira com células-tronco.


O “Bambino Gesù” descobre técnica de manipulação que permite o transplante de medula para crianças com leucemia sem necessidade de doador compatível.

A descoberta científica do hospital do Vaticano promete salvar a vida de milhões de crianças no mundo inteiro. A notícia foi divulgada pelo hospital pediátrico da Santa Sé, “Bambino Gesù” (“Menino Jesus”), com sede em Roma. Segundo a direção do hospital, os resultados foram apresentados à revista científica internacional “Blood”, e poderiam ser “um marco na cura de muitas doenças no sangue”.

O hospital anunciou, em uma coletiva de imprensa, que a manipulação decélulas-tronco, em ausência de um doador compatível, permite otransplante de um pai ou mãe ao seu filho. A descoberta é importante para curar crianças com problemas  de imunodeficiência, doenças genéticas, leucemia e tumores no sangue.

“Estamos orgulhosos de apresentar este sucesso dos pesquisadores do Hospital ‘Bambino Gesù’, conscientes de que o protocolo dos nossos laboratórios é um marco na terapia de muitas doenças no sangue”, confirmou o professor Bruno Dallapiccola, diretor científico do hospital da Santa Sé.
Para a aplicação no campo da leucemia, a técnica aplicada pela equipe do professor Franco Locatelli, responsável pela Onco-hematologia e Medicina Transfusional do hospital, foi apresentada no último mês de dezembro em New Orleans, durante o congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH).

O transplante de células-tronco adultas é uma cura que salva a vida de milhões de crianças que sofrem tumores do sangue, bem como de crianças que nascem sem as adequadas defesas do sistema imunológico. Por muitos anos, o único doador que se podia ter era um irmão ou irmã do paciente. O problema é que dois irmãos são idênticos somente em 25% dos casos.
Diante da impossibilidade de ter doadores na família, existem bancos de dados  internacionais com 20 milhões de doadores voluntários de medula óssea. Mesmo assim os  bancos de sangue para estes casos dão disponibilidade de apenas 600 mil unidades no mundo.
O problema se agrava quando 30 ou 40% dos pacientes não encontram um doador compatível, além do mais, considerando o tempo de seleção de um doador e a conclusão de todos os exames para identificar outro doador fora da família.
A técnica do hospital da Santa Sé foi aplicada em 23 pequenos pacientes. Os resultados, segundo afirmou a instituição, demonstram que a probabilidade de cura definitiva para estas crianças doentes é de 90%, ou seja, igual à técnica que emprega a medula de um irmão do paciente completamente compatível geneticamente.

A descoberta da manipulação das células-tronco é uma esperança para milhões de crianças que podem ser salvas com um transplante de medula. É possível salvar crianças na Ásia, África ou América do Sul, que não têm “representantes” nos registros de doadores de medula óssea e que, por meio desta técnica, poderão finalmente ter acesso a um transplante de maneira rápida e “virtualmente aplicável a todos os casos”

domingo, 16 de março de 2014

G. K. Chesterton: Porquê me converti ao catolicismo



Embora eu seja católico há apenas alguns anos, sei que o problema "por quê sou católico" é muito diferente do problema "por quê me converti ao catolicismo". Tantas coisas motivaram minha conversão e tantas outras continuam surgindo depois... Todas elas se colocam em evidência apenas quando a primeira nos dá o empurrão que conduz à conversão mesma.

Todas são também tão numerosas e tão diferentes umas das outras, que, no final das contas, o motivo originário e primordial pode chegar a parecer quase insignificante e secundário. A "confirmação" da fé, vale dizer, seu fortalecimento e afirmação, pode vir, tanto no sentido real como no sentido ritual, depois da conversão. O convertido não costuma recordar mais tarde de que modo aquelas razões se sucediam umas após as outras. Pois breve, muito breve, este sem número de motivos chega a se fundir em uma só e única razão.

Existe entre os homens uma curiosa espécie de agnósticos, ávidos esquadrinhadores da arte, que averiguam com sumo cuidado tudo o que em uma catedral é antigo e tudo o que nela é novo. Os católicos, ao contrário, outorgam mais importância ao fato de se a catedral foi construída para voltar a servir como o que é, quer dizer, como catedral.

Uma catedral! A ela se parece todo o edifício de minha fé; desta minha fé que é grande demais para uma descrição detalhada; e da que, com grande esforço, posso determinar as idades de suas diversas pedras.Apesar de tudo, estou seguro de que a primeira coisa que me atraiu ao catolicismo, era algo que, no fundo, deveria ter me afastado dele. Estou convencido de que vários católicos devem seus primeiros passos à Roma à amabilidade do defunto senhor Kensit.

O senhor Kensit, um pequeno livreiro da City, conhecido como protestante fanático, organizou em 1898 um bando que, sistematicamente, assaltava as igrejas ritualistas e perturbava seriamente os ofícios. O senhor Kensit morreu em 1902 por causa das feridas recebidas em um desses assaltos. Logo a opinião pública se voltou contra ele, classificando como "Kensitite Press" os piores panfletos anti-religiosos publicados na Inglaterra contra Roma, panfletos carentes de todo são juízo e de toda boa vontade.

Lembro especialmente agora estes dois casos: alguns autores sérios lançavam graves acusações contra o catolicismo, e, curiosamente, o que eles condenavam me pareceu algo precioso e desejável.

No primeiro caso —acredito que se tratava de Horton e Hocking— mencionavam com estremecido pavor, uma terrível blasfêmia sobre a Santíssima Virgem de um místico católico que escrevia: "Todas as criaturas devem tudo a Deus; ma a Ela, até mesmo Deus deve algum agradecimento". Isto me sobressaltou como um som de trombeta e me disse quase em voz alta: "Que maravilhosamente dito!" Parecia com se o inimaginável fato da Encarnação pudesse com dificuldade encontrar expressão melhor e mais clara que a sugerida por aquele místico, sempre que soubesse entendê-la.

No segundo caso, alguém do jornal "Daily News" (então eu mesmo ainda era alguém do "Daily News"), como exemplo típico do "formulismo morto" dos ofícios católicos, citou o seguinte: um bispo francês havia se dirigido a alguns soldados e operários cujo cansaço físico lhes tornava dura assistência na Missa, dizendo-lhes que Deus se contentaria apenas com sua presença, e que lhes perdoaria sem dúvida seu cansaço e sua distração. Então eu disse outra vez a mim mesmo: "Que sensata é essa gente! Se alguém corresse dez léguas por mim, eu estaria muito agradecido, também, que dormisse em seguida em minha presença".

Junto com estes dos exemplos, poderia citar ainda muitos outros procedentes daquela primeira época em que os incertos indícios de minha fé católica se nutriram quase com exclusividade publicações anti-católicas.

Tenho uma clara lembrança do que veio em seguida a estes indícios. É algo do qual me dou tanto mais conta quanto mais desejaria que não tivesse ocorrido. Comecei a marchar para o catolicismo muito antes de conhecer àquelas duas pessoas excelentíssimas a quem, a este respeito, devo e agradeço tanto: ao reverendo Padre John O'Connor de Bradford e ao senhor Hilaire Belloc; mas o fiz sob a influência de meu acostumado liberalismo político; o fiz até na toca do "Daily News".

Este primeiro empurrão, depois de dever-se a Deus, deve-se à história e à atitude do povo irlandês, apesar de que não haja em mim uma só gota de sangue irlandês.

Estive apenas duas vezes na Irlanda e não tenho nem interesses ali nem sei grande coisa do país. Mas isso não me impediu de reconhecer que a união existente entre os diferentes partidos da Irlanda deve-se no fundo a uma realidade religiosa, e que é por esta realidade que todo meu interesse se concentrava nesse aspecto da política liberal.

Fui descobrindo cada vez com maior nitidez, conhecendo pela história e por minhas próprias experiências, como, durante longo tempo se perseguiu por motivos inexplicáveis a um povo cristão, e continua odiando-lhe. Reconheci então que não podia ser de outra maneira, porque esses cristãos eram profundos e incômodos como aqueles que Nero jogou aos leões.

Creio que estas minhas revelações pessoais evidenciam com claridade a razão de meu catolicismo, razão que logo foi se fortificando. Poderia acrescentar agora como continuei reconhecendo depois, que a todos os grandes impérios, uma vez que se afastavam de Roma, passava-lhes exatamente o mesmo que a todos aqueles seres que desprezavam as leis ou a natureza: tinham um leve êxito momentâneo, mas logo experimentavam a sensação de estar enlaçados por um nó, em uma situação da qual eles mesmos não podiam se libertar. Na Prússia há tão pouca perspectiva para o prussianismo, como em Manchester para o individualismo manchesteriano.

Todo mundo sabe que a um velho povoado agrário, arraigado na fé e nas tradições de seus antepassados, espera-lhe um futuro maior ou pelo menos mais simples e mais direto ou pelo menos mais simples e mais direto que aos povos que não têm por base a tradição e a fé. Se este conceito se aplicasse a uma autobiografia, seria muito mais fácil escrevê-la do que se fosse esquadrinhar suas diversas evoluções, mas o sistema seria egoísta. Eu prefiro escolher outro método para explicar breve, mas completamente o conteúdo essencial de minha convicção: não é por falta de material que atuo assim, mas pela dificuldade e escolher o mais apropriado entre todo esse material numeroso. Entretanto tratarei de insinuar um ou dois pontos que me causaram uma especial impressão.

Há no mundo milhares de modos de misticismo capazes de enlouquecer o homem. Mas há uma só maneira entre todas de colocar o homem em um estado normal. É certo que a humanidade jamais pôde viver um longo tempo sem misticismo. Até os primeiros sons agudos da voz gelada de Voltaire encontraram eco em Cagliostro.

Agora a superstição e a credulidade voltaram a expandir-se com tanta vertiginosa rapidez, que dentro de pouco o católico e o agnóstico se encontrarão lado a lado. Os católicos serão os únicos que, com razão, poderão chamar-se racionalistas. O próprio culto idolátrico pelo mistério começou com a decadência da Roma pagã apesar dos "intermezzos" de um Lucrécio ou de um Lucano.

Não é natural ser materialista e tampouco sê-lo dá uma impressão de naturalidade. Tampouco é natural contentar-se unicamente com a natureza. O homem, pelo contrário, é místico. Nascido como místico, morre também como místico, principalmente se em vida foi um agnóstico. Enquanto que todas as sociedades humanas consideram a inclinação ao misticismo como algo extraordinário, tenho eu que objetar, entretanto, que uma só sociedade entre elas, o catolicismo, leva em conta as coisas cotidianas. Todas as outras as deixam de lado e as menosprezam.

Um célebre autor publicou mais uma vez uma novela sobre a contraposição que existe entre o convento e a família (The Cloister and the hearth). Naquele tempo, há 50 anos, era realmente possível na Inglaterra imaginar uma contradição entre essas duas coisas. Hoje em dia, a assim chamada contradição, chega a ser quase um estreito parentesco. Aqueles que em outro tempo exigiam a gritos a anulação dos conventos, destroem hoje sem dissimulação a família. Este é um dos tantos fatos que testemunham a seguinte verdade: que na religião católica, os votos e as profissões mais altas e "menos razoáveis" —por assim dizer— são, entretanto, os que protegem as melhores coisas da vida diária.

Muitos sinais místicos sacudiram o mundo. Mas uma só revolução mística o conservou: o santo está ao lado do superior, é o melhor amigo do bom. Toda outra aparente revelação se desvia por fim a uma ou outra filosofia indigna da humanidade; a simplificações destrutoras; ao pessimismo, ao otimismo, ao fatalismo, à nada e outra vez ao nada; ao "nonsense", à insensatez.

É certo que todas as religiões contêm algo bom. Mas o bom, a quinta essência do bom, a humildade, o amor e o fervoroso agradecimento "realmente existente" para com Deus, não se encontram entre elas. Por mais que as penetremos, por mais respeito que lhes demonstremos, com maior claridade ainda reconhecemos também isto: nos mais profundo delas há algo diferente do puramente bom; há às vezes dúvidas metafísicas sobre a matéria, às vezes havia nelas a voz forte da natureza; outras, e isto no melhor dos casos, existe um medo da Lei e do Senhor.

Se exageramos tudo isto, nasce nas religiões uma deformação que chega até o diabolismo. Só podem ser suportadas enquanto se mantiver razoáveis e medidas.

Enquanto estiverem tranqüilas, podem chegar a ser estimadas, como aconteceu com o protestantismo vitoriano. Pelo contrário, a mais alta exaltação pela Santíssima Virgem ou a mais estranha imitação de São Francisco de Assis, seguiriam sendo, em sua quinta-essência, uma coisa sadia e sólida. Ninguém negará por isso seu humanismo, nem desprezará a seu próximo. O que é bom, jamais poderá chegar a ser Bom DEMAIS. Esta é uma das características do catolicismo que me parece singular e ao mesmo tempo universal. Esta outra a segue:

Somente a Igreja Católica pode salvar o homem da destrutiva e humilhante escravidão de ser filho de seu tempo. Outro dia, Bernard Shaw expressou o nostálgico desejo de que todos os homens vivessem trezentos anos em civilizações mais felizes. Tal frase nos demonstra como os santarrões só desejavam —como eles mesmos dizem- reformas práticas e objetivas.

Agora bem: isto se diz com facilidade; mas estou absolutamente convencido do seguinte: se Bernard Shaw tivesse vivido durante os últimos trezentos anos, teria se convertido há muito tempo ao catolicismo. Teria compreendido que o mundo gira sempre com a mesma órbita e que pouco se pode confiar em seu assim chamado progresso. Teria visto também como a Igreja foi sacrificada por uma superstição bíblica, e a Bíblia por uma superstição darwinista. E um dos primeiros a combater estes feitos tivesse sido ele. Seja como for, Bernard Shaw desejava para cada um uma experiência de trezentos anos. E os católicos, muito ao contrário de todos os outros homens, têm uma experiência de dezenove séculos. Uma pessoa que se converte ao catolicismo, chega, pois, a ter de repente dois mil anos.

Isto significa, se o presenciamos ainda mais, que uma pessoa, ao se converter, cresce e se eleva ao pleno humanismo. Julga as coisas do modo como elas comovem a humanidade, e a todos os países e em todos os tempos; e não somente segundo as últimas notícias dos diários. Se um homem moderno diz que sua religião é o espiritualismo ou o socialismo, esse homem vive integramente no mundo mais moderno possível, quer dizer, no mundo dos partidos.

O socialismo é a reação contra o capitalismo, contra a insana acumulação de riquezas na própria nação. Sua política seria de todo diversa se fosse vivida em Esparta ou no Tibet. O espiritualismo não atrairia tampouco a atenção se não estivesse em contradição deslumbrante com o material estendido em todas as partes. Tampouco teria tanto poder se os valores sobrenaturais fossem mais reconhecidos. 

Jamais a superstição tem revolucionado tanto o mundo como agora. Só depois que toda uma geração declarou dogmaticamente e de uma vez por todas, a IMPOSSIBILIDADE de que haja espíritos, a mesma geração deixou-se assustar por um pobre, pequeno espírito. Estas superstições são invenções de seu tempo —poderia se dizer em sua desculpa—. Já faz muito, entretanto, que a Igreja Católica tenha aprovado não ser ela uma invenção de seu tempo: é a obra de seu Criador, e continua sendo capaz de viver o mesmo em sua velhice como em sua primeira juventude: e seus inimigos, no mais profundo de suas almas, perderam já a esperança de vê-la morrer algum dia.

G. K. Chesterton

sábado, 1 de março de 2014

Um alerta de Joaquim Barbosa...





Creio de fato que todos já tiveram a oportunidade de ler a fala do Presidente do STF, Ministro Joaquim Barbosa, a respeito da absolvição acintosa dos bandidos do Mensalão petista do crime de formação de quadrilha. Porém, nunca é demais lembrar de avisos e alertas que podem valer-nos a vida futuramente. Eis um aviso, direto, de alguém que até o momento tem sua moral ilibada. Com a palavra, Joaquim Barbosa:

Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012. Peço vênia à maioria que se formou e voto pela rejeição dos embargos infringentes.
Uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo o trabalho primoroso levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012. É a isso que nós acabamos de assistir. Inventou-se inicialmente um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular, de reduzir a nada um trabalho que fora feito. Sinto-me autorizado a alertar a nação de que este é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora.

Espero que estas palavras tenham ganhado eco em vossas mentes, agora e desde já, inebriadas com todos os prazeres que tem a vos oferecer a única manifestação na qual o Brasil é especialista: O carnaval!