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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ratzinger ainda é Papa: o alcance da renúncia de Bento XVI

(Texto publicado no jornal italiano Corriere della Sera em 28/05/2014.)

Por Vittorio Messori

“Caríssimos irmãos, convoquei-vos hoje para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro,…”



Totalmente imprevistas, proferidas em latim, em voz baixa, aquelas palavras foram como que uma chicotada que em poucos minutos giraram o mundo. E até mesmo em países de maioria não-católica e até não-cristã, mas capazes de compreender a novidade histórica do acontecimento. Não podemos nos esquecer que — para ficar só com as palavras recentes do protestante Obama, do ortodoxo Putin, do anglicano Cameron — o Romano Pontífice hoje seria a mais alta autoridade moral do planeta.

Perplexidade. Ainda hoje há quem celebre e há quem lamente a decisão de Bento XVI. Ambos parecem desconhecer o real significado do seu gesto. Na foto, papa Bento XVI torna pública sua decisão.
Voltando àquele 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, quem conhece o mundo católico sabe que ainda estamos perplexos e debatendo, muito duramente. Parece haver dois lados: de um lado, o grupo dos guardiões da tradição, para os quais a “renúncia” (não demissão, uma vez que o papa não teria a quem apresentá-la aqui na terra), embora esteja prevista no Código de Direito Canônico, constituiria uma espécie de deserção, quase como se Bento XVI considerasse o seu ofício como o de um presidente de multinacional ou de um Estado, para quem seria natural aposentar-se com o avanço da idade, em prol da eficiência. A mesma eficiência rejeitada, no entanto, por João Paulo II, que escolheu uma longa agonia pública. Do outro lado, o grupo dos que se alegraram: a renúncia seria o fim da sacralidade do pontífice, a aura mística em torno de sua pessoa e, portanto, o ajuste do bispo de Roma ao padrão comum de todos os bispos, requerido por Paulo VI: renunciar ao governo de uma diocese e a atribuições oficiais na Cúria Romana quando alcançasse 75 anos.
Contudo, restavam ainda questões que pareciam não ter resposta adequada: por que não optar por ser chamado de “bispo emérito de Roma”, como sugerido pela revista Civiltà Cattolica, mas de “papa emérito”? Em que pese ter retirado a capa e o annulus piscatorius (anel do pescador) de seu dedo, um sinal da autoridade do governo, por que não renunciar ao hábito branco? Por que não se aposentar no silêncio da clausura de um mosteiro, ao invés de se confinar dentro dos limites da Cidade do Vaticano, ao lado de São Pedro, cruzando muitas vezes — embora em privado — com o sucessor, recebendo convidados e participando de cerimônias, como a recente canonização de Roncalli e Wojtyla? Confesso que me fazia perguntas semelhantes e ficava perplexo.
Respostas a essas perguntas vêm agora de um estudo realizado por Stefano Violi, professor de Direito Canônico nas Faculdades de Teologia de Bolonha e Lugano. Vale a pena examinar essas páginas densas, porque com a decisão de Bento XVI abriram-se para a Igreja inéditos cenários, um tanto desconcertantes. É provável que as conclusões do professor suscitem debates entre os colegas, pois o canonista Violi teoriza que o ato de Ratzinger inova profundamente e que os papas viventes agora são realmente dois, mesmo que um deles, voluntariamente, “pela metade”, para dizê-lo de um modo simplista, mas correto. Para entender seu ponto de vista, precisamos, antes de mais nada, apagar todos os delírios de conspiração e complô, levando a sério o que Bento XVI falou sobre o peso crescente da velhice como a razão primeira e única da sua decisão: “Nos últimos meses, eu senti que as minhas forças tinham diminuído… Os meus recursos, físicos e intelectuais, pela idade avançada, já não são adequados para exercer adequadamente o ministério …”
Mas, estudando em profundidade o latim muito preciso com o qual Joseph Ratzinger acompanhou sua decisão, o olho do canonista descobriu que ela vai muito além dos poucos antecedentes históricos e além das exigências estabelecidas para a “renúncia” do Código atual da Igreja. Se descobre, isso sim, que Bento XVI não tinha a intenção de renunciar ao munus petrinus, nem ao cargo, nem ao seu ofício, isto é, ao que o próprio Cristo atribuiu ao chefe dos Apóstolos e tem sido transmitido aos seus sucessores. O papa renunciou apenas ao ministerium, ou seja, ao exercício da administração prática desse ofício. Na fórmula utilizada por Bento, antes de tudo se distingue o munus — o ofício papal, da executio — que é o próprio exercício do cargo. Mas a executio é dupla: há o aspecto de governo que se exerce agendo et loquendo, trabalhando e ensinando. E há também o aspecto espiritual, não menos importante, que é exercido orando et patiendo, rezando e sofrendo. É o que estaria por trás das palavras de Bento XVI: “Não retorno à vida privada… Eu não tenho mais o poder de liderança na Igreja, mas para o bem desta mesma Igreja e no serviço da oração, continuo no recinto de São Pedro.” Onde “recinto” não deve ser entendido apenas no sentido de um lugar geográfico para viver, mas também um “lugar” teológico.

Uma Igreja, dois papas. Papa Francisco visita Bento XVI.
Eis, então, o porquê da escolha, inesperada e inédita, de se fazer chamar “papa emérito”. Um bispo continua bispo quando a idade ou a doença lhe impõe deixar o governo de sua diocese, e ele se retira para orar por ela. Tanto mais o bispo de Roma, para o qual o munus, o cargo, o ofício de Pedro, foi-lhe conferido de uma vez por todas, para toda a eternidade, por meio do Espírito Santo, servindo-se dos cardeais no conclave só como instrumentos. Aqui também o porquê da decisão de não abandonar o hábito branco, mesmo ficando privado dos sinais particulares do governo ativo. E por isso a vontade de estar ao lado das relíquias do chefe dos apóstolos, venerado na grande basílica. Nas palavras do professor Violi: “Bento XVI foi despojado de todo o poder de governo e comando inerente a seu cargo, sem contudo abandonar o serviço à Igreja: este continua, por meio do exercício na dimensão espiritual do ‘munus’ pontifício que lhe foi confiado. Com isso, ele não tinha a intenção de renunciar. Ele não renunciou ao ofício, que não é revogável, mas à sua execução.”
Será que é por isso que Francisco parece não gostar de se definir como “papa”, consciente de que deve compartilhar o munus pontifício, pelo menos na dimensão espiritual, com Bento? Ele que, no entanto, herdou plenamente de Bento XVI o cargo de bispo de Roma. Será que é por isso que esta é para ele, como se sabe, sua auto-definição preferida, desde as primeiras palavras de saudação ao povo depois da eleição? Tanto é assim que muitos, surpresos, se perguntaram por que ele não usou a palavra “papa” ou “pontífice” em uma ocasião tão solene, diante das TVs do mundo inteiro, mas apenas falou sobre seu papel como o sucessor do episcopado romano.
Pela primeira vez, então, a Igreja de fato tem dois papas, um reinando e outro emérito? Parece que esta era a vontade do próprio Joseph Ratzinger com a renúncia somente do serviço ativo, que se mostrou “um ato solene de seu Magistério”, nas palavras do canonista. Se de fato é assim, tanto melhor para a Igreja: é um dom que haja, lado a lado, também fisicamente, quem dirija e ensine, e quem reze e sofra… por todos, mas acima de tudo para apoiar o irmão no ofício pontifício quotidiano.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

OPÚSCULO SOBRE O MODO DE APRENDER E DE MEDITAR, Hugo de S. Vitor


Hugo de S. Vitor

OPÚSCULO SOBRE O MODO DE
APRENDER E DE MEDITAR


A humildade é necessária ao que deseja aprender.

A humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita coisa tendo sido escrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante.

A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura.

A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém.

A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze aos demais.

Muitos se enganaram por quererem parecer sábios antes do tempo, pois com isto envergonharam-se de aprender dos demais o que ignoravam. Tu, porém meu filho, aprende de todos de boa vontade aquilo que desconheces. Serás mais sábio do que todos, se quiseres aprender de todos. Nenhuma ciência, portanto, tenhas como vil, porque toda ciência é boa. Nenhuma Escritura, ou pelo menos, nenhuma Lei desprezes, se estiver à disposição. Se nada lucrares, também nada terás perdido. Diz, de fato, o Apóstolo: "Omnia legentes, quae bona sunt tenentes" (I Tess 5, 21).

O bom estudante deve ser humilde e manso, inteiramente alheio aos cuidados do mundo e às tentações dos prazeres, e solícito em aprender de boa vontade de todos. Nunca presuma de sua ciência;  não queira parecer douto, mas sê-lo; busque os ditos dos sábios, e procure ardentemente ter sempre os seus vultos diante dos olhos da mente, como um espelho.



Três coisas necessárias ao estudante.

Três coisas são necessárias ao estudante: a natureza, o exercício e a disciplina.

Na natureza, que facilmente perceba o que foi ouvido e firmemente retenha o percebido.

No exercício, que cultive o senso natural pelo trabalho e diligência.

Na disciplina, que vivendo louvavelmente, componha os costumes com a ciência.



Prime pelo engenho e pela memória.

Os que se dedicam ao estudo devem primar simultâneamente pelo engenho e pela memória, ambos os quais em todo estudo estão de tal modo unidos entre si que, faltando um, o outro não poderá conduzir ninguém à perfeição, assim como de nada aproveitam os lucros onde faltam os vigilantes, e em vão se fortificam os tesouros quando não se tem o que neles guardar.

O engenho é um certo vigor naturalmente existente na alma, importante em si mesmo.

A memória é a firmíssima percepção das coisas, das palavras, das sentenças e dos significados por parte da alma ou da mente.

O que o engenho encontra, a memória custodia.

O engenho provém da natureza, é auxiliado pelo uso, é embotado pelo trabalho imoderado e aguçado pelo exercício moderado.

A memória é principalmente ajudada e fortificada pelo exercício de reter e de meditar assiduamente.



A leitura e a meditação.

Duas coisas há que exercitam o engenho: a leitura e a meditação.

Na leitura, mediante regras e preceitos, somos instruídos pelas coisas que estão escritas. A leitura é também uma investigação do sentido por uma alma disciplinada.

Há três gêneros de leitura: a do docente, a do discípulo e a do que examina por si mesmo. Dizemos, de fato: "Leio o livro para o discípulo", "leio o livro pelo mestre", ou simplesmente "leio o livro".



A meditação.

A meditação é uma cogitação frequente com conselho, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa.

A meditação toma o seu princípio da leitura, todavia não se realiza por nenhuma das regras ou dos preceitos da leitura. Na meditação, de fato, nos deleitamos discorrendo como que por um espaço aberto, no qual dirigimos a vista para a verdade a ser contemplada, admirando ora esta, ora aquelas causas das coisas, ora também penetrando no que nelas há de profundo, nada deixando de duvidoso ou de obscuro.

O princípio da doutrina, portanto, está na leitura;  a sua consumação, na meditação.

Quem aprender a amá-la com familiaridade e a ela se dedicar frequentemente tornará a vida imensamente agradável e terá na tribulação a maior das consolações.  A meditação é o que mais do que todas as coisas segrega a alma do estrépito dos atos terrenos; pela doçura de sua tranquilidade já nesta vida nos oferece de algum modo um gosto antecipado da eterna; fazendo-nos buscar e inteligir, pelas coisas que foram feitas, àquele que as fez, ensina a alma pela ciência e a aprofunda na alegria, fazendo com que nela encontre o maior dos deleites.



Três gêneros de meditação.

Três são os gêneros de meditação. O primeiro consiste no exame dos costumes, o segundo na indagação dos mandamentos, o terceiro na investigação das obras divinas.

Nos costumes a meditação examina os vícios e as virtudes. Nos mandamentos divinos, os que preceituam, os que prometem, os que ameaçam.

Nas obras de Deus, as em que Ele cria pela potência, as em que modera pela sabedoria, as em que coopera pela graça, as quais todas tanto mais alguém conhecerá o quanto sejam dignas de admiração quanto mais atentamente tiver se habituado em meditar as maravilhas de Deus.



Do confiar à memória aquilo que aprendemos.

A memória custodia, recolhendo-as, as coisas que o engenho investiga e encontra.

Importa que as coisas que dividimos ao aprender as recolhamos confiando-as à memória: recolher é reduzir a uma certa breve e suscinta suma as coisas das quais mais extensamente se escreveu ou se disputou, o que foi chamado pelos antigos de epílogo, isto é, uma breve recapitulação do que foi dito.

A memória do homem se regozija na brevidade, e se se divide em muitas coisas, torna-se menor em cada uma delas.

Devemos, portanto, em todo estudo ou doutrina recolher algo certo e breve, que guardemos na arca da memória, de onde posteriormente, sendo necessário, as possamos retirar. Será também necessário revolvê-las frequentemente chamando-as, para que não envelheçam pela longa interrupção, do ventre da memória ao paladar.



As três visões da alma racional. Diferença entre
  meditação e contemplação.

Três são as visões da alma racional: o pensamento, a meditação e a contemplação.

O pensamento ocorre quando a mente é tocada transitoriamente pela noção das coisas, quando a própria coisa se apresenta subitamente à alma pela sua imagem, seja entrando pelo sentido, seja surgindo da memória.

A meditação é um assíduo e sagaz reconduzir do pensamento em que nos esforçamos por explicar algo obscuro ou procuramos penetrar no que é oculto.

A contemplação é uma visão livre e perspicaz da alma de coisas amplamente esparsas.

Entre a meditação e a contemplação o que parece ser relevante é que a meditação é sempre das coisas ocultas à nossa inteligência; a contemplação, porém é de coisas que segundo a sua natureza ou segundo a nossa capacidade são manifestas;  e que a meditação sempre se ocupa em buscar alguma coisa única, enquanto que a contemplação se estende à compreensão de muitas ou também de todas as coisas.

A meditação é, portanto, um certo vagar curioso da mente, um investigar sagaz do obscuro, um desatar do que é intrincado. A contemplação é aquela vivacidade da inteligência que, possuindo todas as coisas, as abarca em uma visão plenamente manifesta, e isto de tal maneira que aquilo que a meditação busca, a contemplação possui.



Dois gêneros de contemplação.

Há, porém, dois gêneros de contemplação. Um deles, que é o primeiro e que pertence aos principiantes, consiste na consideração das criaturas.  O outro, que é o último e que pertence aos perfeitos, consiste na contemplação do Criador.

No livro dos Provérbios, Salomão principiou como que meditando; no Eclesiastes elevou-se ao primeiro grau da contemplação; finalmente, no Cântico dos Cânticos transportou-se ao supremo.

Para que, portanto, possamos distinguir estas três coisas pelos seus próprios nomes, diremos que a primeira é meditação; a segunda, especulação; a terceira, contemplação.

Na meditação a perturbação das paixões carnais, surgindo importunamente, obscurece a mente inflamada por uma piedosa devoção; na especulação a novidade da insólita visão a levanta à admiração; na contemplação o gosto de uma extraordinária doçura a transforma toda em alegria e contentamento.

Portanto, na meditação temos solicitude; na especulação, admiração; na contemplação, doçura.



Três partes da exposição.

A exposição contém três partes: a letra, o sentido e a sentença. A letra é a correta ordenação das palavras, a qual também chamamos de construção. O sentido é um delineamento simples e adequado que a letra tem diante de si como um primeiro semblante. A sentença é uma mais profunda inteligência, a qual não pode ser encontrada senão pela exposição ou interpretação. Para que uma exposição se torne perfeita requerem-se, nesta ordem, primeiro a letra, depois o sentido e posteriormente a sentença.



Os três gêneros de vaidades.

Três são os gêneros de vaidades. O primeiro é a vaidade da mutabilidade, que está em todas as coisas caducas por sua condição. O segundo é a vaidade da curiosidade ou da cobiça, que está na mente dos homens pelo amor desordenado das coisas transitórias e vãs. O terceiro é a vaidade da mortalidade, que está nos corpos humanos pela penalidade.



As obrigações da eloquência.

Disse Agostinho, famoso por sua eloqüência, e o disse com verdade, que o homem eloqüente deve aprender a falar de tal modo que ensine, que deleite e que submeta. A isto acrescentou que o ensinar pertence à necessidade, o deleitar à suavidade e o submeter à vitória.

Destas três coisas, a que foi colocada em primeiro lugar, isto é, a necessidade de ensinar, é constituída pelas coisas que dizemos, as outras duas pelo modo como as dizemos.

Quem, portanto, se esforça no falar em persuadir o que é bom, não despreze nenhuma destas coisas: ensine, deleite e submeta, orando e agindo para que seja ouvido inteligentemente, de boa vontade e obedientemente. Se assim o fizer, ainda que o assentimento do ouvinte não o siga, se o fizer apropriada e convenientemente, não sem mérito poderá ser dito eloqüente.

O mesmo Agostinho parece ter querido que ao ensino, ao deleite e à submissão também pertençam outras três coisas, ao dizer, de modo semelhante:

"Será eloqüente aquele que puder dizer
 o pequeno com humildade,
 o moderado com moderação,
o grande com elevação".

Quem deseja conhecer e ensinar aprenda, portanto, quanto há para se ensinar e adquira a faculdade de dizê-las como convém a um homem de Igreja. Quem, na verdade, querendo ensinar, às vezes não é entendido, não julgue ainda ter dito o que deseja àquele a quem quer ensinar, porque, mesmo que tenha dito o que ele próprio entendeu, ainda não foi considerado como tendo-o dito àquele por quem não foi entendido. Se, porém, foi entendido, de qualquer modo que o tenha dito, o disse.

Deve, portanto, o doutor das divinas Escrituras ser defensor da reta fé, debelador do erro, e ensinar o bem; e neste trabalho de pregação conciliar os adversos, levantar os indolentes, declarar aos ignorantes o que devem agir e o que devem esperar. Onde tiver encontrado, ou ele próprio os tiver feito, homens benévolos, atentos e dóceis, há de completar o restante conforme a causa o exija. Se os que ouvem devem ser ensinados, seja-o feito por meio de narração; se, todavia, necessitar que aquilo de que trata seja claramente conhecido, para que as coisas que são duvidosas se tornem certas, raciocine através dos documentos utilizados.



                        Hugo de São Vitor

                                               (1096-1141)

   


Texto disponível para Download no site de
Introdução ao Cristianismo segundo a obra de
 Santo Tomás de Aquino e Hugo de S. Vitor



sábado, 9 de janeiro de 2016

A Benção da cerveja

 

Sinceramente, não gosto de cerveja. Prefiro um bom vinho à cerveja. Porém, gosto menos ainda do puritanismo pérfido, fruto de infiltração protestante, que só faz deturpar aquilo que é realmente a mensagem da Igreja: a salvação das almas. E as almas não se perdem por beberem cerveja, pois beber cerveja, ou qualquer outro tipo de bebida a base de álcool, não é pecado. O Pecado está em fazer o mau uso da bebida, assim como o pecado não está em comer, mas fazer mal uso da comida. 

Para seu governo, sr. puritano, pasme, os monges são pioneiros na fabricação de cervejas, vinhos e whisky. 

Prova de que a Igreja nada tem contra a ingestão moderada e racional de bebidas a base de alcool, é que há uma fórmula específica, autorizada pelo Sagrado Magistério, para abençoar cervejas.

Se beber bebida alcoólica fosse pecado, Nosso Senhor não teria transformado água em vinho, mas em Ki-suco.


Ei-la, reze-a antes de beber e seja moderado. 


V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit caelum et terram.

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Oremus.

Bene+dic, Domine, creaturam istam cerevisae, quam ex adipe frumenti producere dignatus es: ut sit remedium salutare humano generi: et praesta per invocationem nominis tui sancti, ut, quicumque ex ea biberint, sanitatem corporis, et animae tutelam percipiant. Per Christum Dominum nostrum. Amen.


Na tradução do latim:

V. Nosso socorro está no nome do Senhor.
R. Quem fez o céu ea terra.

V. Deus te abençoe.
R. E também com você.

Oremos.

Abençoa, + ó Senhor, esta criatura cerveja, que Tu se dignou a produzir a partir da gordura do grão: a de que ele pode ser um remédio salutar para a raça humana, e concede através da invocação do Teu santo nome, para que, quem beber de que pode obter a saúde do corpo e da proteção da alma. Através de Cristo, nosso Senhor. Amém.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Um Jardim que vai contra a maré: o documentário sobre Olavo de Carvalho




O polêmico Olavo de Carvalho – por suas obras e opiniões em redes sociais – será o personagem de um documentário lançado pelo cineasta Josias Teófilo. De acordo com a produção do filme, a obra cinematográfica “se propõe como um estudo poético sobre o personagem cada vez mais conhecido e estudado no Brasil, porém sempre à distância, através dos seus escritos ou pela internet, já que ele mora atualmente nos Estados Unidos. Dirigido por Josias Teófilo, jornalista e cineasta recifense radicado em Brasília, o filme terá entrevistas de Wagner Carelli, também jornalista e criador das revistas Bravo! e República. Além disso, o filme contará com a produção de Ana Garcia, e assistência de direção e produção de Matheus Bazzo”.

Olavo de Carvalho é intelectual brasileiro que possui milhares de admiradores e alunos, mas também é alvo de inúmeros críticos e detratores, geralmente ligados ao campo do pensamento ideológico de esquerda. O Jardim das Aflições – que leva o nome de uma das principais obras de Carvalho – “retratará o cotidiano do filósofo na sua casa em Colonial Heights, estado da Virgínia (EUA), onde reside atualmente, captando a atmosfera de trabalho intelectual, convívio familiar e, principalmente, o seu pensamento filosófico no que concerne à autonomia da consciência individual em oposição à tirania da coletividade”.

O CadaMinuto PRess conversou com Josias Teófilo sobre o filme que “se diferencia da maior parte da produção cinematográfica brasileira pela forma com que será viabilizado: sem um centavo de dinheiro público (o que seria incompatível com o pensamento de Olavo de Carvalho, que fez todos os seus livros e cursos de forma independente do estado), financiado através de uma rede de colaboradores, que serão também difusores do projeto. No site (ojardimdasaflicoes.com.br), os interessados podem cadastrar o seu email e colaborar financeiramente com o projeto”. Confira.

Como surgiu a ideia de um documentário sobre Olavo de Carvalho?

Surgiu de uma necessidade que eu sentia de ver documentários voltados para questões internas ou até mesmo espirituais, e não só para questões sociais ou de identidade cultural ou sexual, que são os temas predominantes do cinema documentário brasileiro. Nesse sentido, vi o pensamento de Olavo de Carvalho como um ótimo tema para um filme, que mostrasse ao mesmo tempo o cotidiano e o seu trabalho filosófico.

 Como o senhor definiria o pensamento de Olavo de Carvalho?

Taí uma tarefa difícil: definir o pensamento de Olavo. Mas eu vou tentar: em um dos cursos não-publicados de Olavo de Carvalho fala da pretenção de juntar jornalismo e metafísica. É algo absolutamente inusitado, mas ele de fato consegue isso. Quando eu fazia meu mestrado em Filosofia, expliquei para um amiga que não conseguia deixar a vida acadêmica porque gostava dos estudos aprofundados, e ao mesmo tempo não conseguia deixar o jornalismo porque gostava de tratar da atualidade. Olavo não faz essa divisão, ele estuda a realidade como um todo.

 Alguns admiradores da obra de Olavo de Carvalho costumam colocar – ao menos já li alguns artigos neste sentido – que é preciso separar o Olavo de Carvalho que fala de política e mais especificamente do Partido dos Trabalhadores, em vídeos e redes sociais, daquele que tem uma obra muito mais densa e rica. O senhor concorda que é preciso fazer separações para entender o pensamento de Olavo de Carvalho?

Eu gostaria de pensar sobre outro ponto de vista: Olavo é um dos poucos pensadores que eu conheço que consegue pegar um fato atual, inclusive um fato político, e dali extrair uma discussão filosófica elevadíssima. É isso que ele faz no livro O Jardim das Aflições, e é isso que pretendemos que ele faça no filme homônimo. No livro ele pega um palestra de José Américo Mota Pessanha, e a partir desse elemento extrai toda uma lição sobre a história do ocidente, a partir da tentativa de restauração do Império Romano. É uma construção intelectual admirável. Se algum dia Francisco Razzo fizerem algo parecido, eu faço um filme sobre ele também.

 Poucos escritores, no Brasil, são tão odiados, pela patrulha, quanto o professor Olavo de Carvalho. Todavia, é um pensador quem sido sucesso no mercado editorial. De certa forma, o trabalho que você desenvolve visa apresentar ideias de Carvalho que vão para além do campo político. Como o senhor enxerga a importância deste trabalho que se propôs a realizar?

A importância está em revelar Olavo de Carvalho numa obra que capte a unidade do seu pensamento, mesmo que seja de forma introdutória, e a realidade em que ele vive – tão desconhecida do público brasileiro, até mesmo dos seus admiradores. O filme pode também popularizar o seu trabalho para um público mais amplo, que não o conhecia ou que tinha inúmeros preconceitos criados nas redes sociais em torno do seu nome.

Olavo de Carvalho possui uma obra vasta com estudo que envolve vários nomes da filosofia, como Aristóteles, Maquiavel e até – mais recentemente Descartes. Por que a escolha do documentário se deu em torno de O Jardim das Aflições? É a maior obra de Olavo de Carvalho em sua visão?

É sim a maior obra dele em nossa visão, e na visão dele também. O nome veio de um paralelo estrutural entre o livro e o filme, e esse paralelo está naquilo que Bruno Tolentino notou no livro: ele se parece com uma sinfonia de Sibelius, com temas que se repetem em forma de espiral. O filme se estrutura dessa forma, mimetizando o livro. Mas o filme não tratará exclusivamente dos temas incluídos no livro, mas de muitos outros.

 Como o senhor avalia o êxito de O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota no mercado editorial brasileiro?

O livro é o resultado de um bom trabalho editorial, um nome bem pensado para causar impacto, e mostra o quanto o público brasileiro é ávido de uma obra que o ajude a entender o Brasil atual. Eu acho que Olavo de Carvalho é o grande pensador para entender o Brasil atual, assim como Gilberto Freyre foi o grande pensador para entender o Brasil do passado.

 Muitos creditam a Olavo de Carvalho o “agrupamento” de uma “nova direita” no país. O senhor também enxerga assim?

 Não digo o agrupamento, mas ele trouxe uma série de autores que oxigenaram o pensamento brasileiro, e um dos resultados disso é o surgimento de uma "nova direita", que na verdade nem reconhece, em parte, o trabalho que ele fez, o que é lamentável. Mas não há a menor dúvida que Olavo é qualitativamente a pessoa mais influente do pensamento de oposição no Brasil – e é lido por muita gente que nem admite lê-lo ou o cita publicamente.

Um ponto interessante da obra de Olavo de Carvalho é o quanto ele remete a fontes primárias do que analisa e nos apresenta (ou em alguns casos resgata) outros pensadores como Eric Voegelin, Victor Frankl, dentre outros. Por qual razão estas obras ainda não fazem parte dos cursos de filosofia do país?

Porque o estudo universitário no Brasil foi instrumentalizado pela esquerda marxista, a tal ponto que a maioria dos professores e alunos nem conhecerem esses autores. Ele próprio disse ontem – eu estou aqui na Virgínia filmando o documentário sobre Olavo – que os autores que leu a partir dos 30 anos de idade não são conhecidos por ninguém no Brasil. Seria preciso ler durante 20 anos uma bibliografia para estudar seriamente o pensamento de Olavo.

 O senhor já vem sofrendo algum tipo de patrulha em função do documentário?

Sim, já pediram boicote às pessoas que trabalham no meu filme, outros disseram que meu filme "não deveria existir", outros deixaram de falar comigo ou me excluíram do Facebook. Mas isso tudo é bobagem,

 Falamos muito sobre o documentário, que é o eixo central da entrevista, mas permita-me fazer uma pergunta em relação ao mercado editorial. Como o senhor está vendo estas recentes publicações – como no caso da Record, por exemplo, que está traduzindo obras de Roger Scruton – que começam a acordar para o pensamento que existe fora da esquerda?

Vejo com muito entusiasmo, porque fica claro que existe um imenso público para essas obras. As pessoas querem oxigenar-se com conhecimento autêntico, fora da jaula que nos colocaram nas universidades. Não é porque pouco se fala no meio acadêmico e na mídia de Roger Scrutor, Eric Voegelin, Louis Lavelle, que não exista interesse autêntico por eles. E o interesse foi criado a partir do meio cultural inteiramente novo criado por Olavo de Carvalho. É esse público também que vai mais avidamente ver o meu filme e está pagando por ele através do crowdfunding que nos trouxe à Virgínia com uma equipe excepcional.

Estou no twitter: @lulavilar

sábado, 19 de dezembro de 2015

A Síndrome de Al Capone



Olavo de Cravalho - Jamais esqueci a cena do filme “O Massacre de Chicago” (St. Valentine’s Day Massacre, 1967) em que Al Capone, representado por Jason Robards, esmigalha com um taco de beisebol a cabeça de um companheiro traidor.

Robards, ator impecável, transmite com precisão a ambigüidade do ódio vingativo que se adorna de uma encenação histérica de indignação moral ao ponto de confundir-se com ela.

É um quadro bem conhecido, banal até, nos anais da psicanálise e da psiquiatria forense: a consciência moral do assassino, sufocada e manietada no fundo do inconsciente, vem à tona em forma invertida e se transmuta em inculpação exagerada e teatral dos seus desafetos.

Quanto mais crimes hediondos o sujeito carrega no seu currículo de horrores, mais eloquente e persuasiva a sua afetação de dignidade ofendida.

Mil vezes descrito nos tratados médicos, o fenômeno, no entanto, continua desconhecido da maior parte dos analistas políticos, que não o enxergam nem mesmo quando ele fornece a explicação cabal e óbvia da conduta de certos grupos, facções e partidos.

O critério para reconhecê-lo é simples e infalível: quando o discurso de inculpação moral hiperbólica provém de alguém que cometeu crimes piores do que aqueles que aparentemente o indignam, você está diante do episódio de St. Valentine’s Day Massacre reencenado.

E aí duas séries de fatos paralelos, ambas abundantemente comprovadas, não têm como deixar de por à mostra a conexão íntima que as liga no fundo mais tenebroso da consciência histérica:

(1) Quem são os campeões absolutos na produção de discursos de indignação moral no mundo? Os comunistas.

(2) Quem são os campeões absolutos na prática do genocídio, da tortura, das prisões em massa, do assassinato de inimigos políticos, da escravização de populações inteiras? Também os comunistas.

Há nisso, é claro, um elemento de premeditação manipulatória: “Xingue-s do que você é, acuse-os do que você faz.” Mas isso é só na cabeça dos mandantes supremos, dos engenheiros sociais pavlovianos, dos próceres da KGB, da Stasi ou da DGI.

Nas almas dos militantes,  o que veio de cima como truque publicitário se converte em reação emocional espontânea, num modo de ser e de sentir habitual e automático, sem premeditação alguma: cada um deles sente que esmigalhar as cabeças dos adversários é uma obrigação moral sublime, uma graça santificante.

Se o adversário vê nisso algum mal, é a prova definitiva de que ele é um fascista sanguinário e, portanto, mais um motivo justo para lhe esmigalhar a cabeça.

A naturalidade quase ingênua com que essa gente se sente ofendidíssima com meras opiniões e reage mediante apelos ao assassinato político seria inexplicável sem a “síndrome de Al Capone”. A desproporção entre estímulo e resposta revela que, além do estímulo aparente, está em jogo uma motivação suplementar oculta.

Essa motivação é um mecanismo circular: Nada sufoca mais eficazmente o clamor da consciência moral do que sua imitação histérica invertida --alimentada, por sua vez, pelo próprio clamor sufocado que lateja no fundo do inconsciente.

Toda semana aparecem novos exemplos. Desta vez foi a chuva de ameaças de morte a Donald Trump porque quer vetar a entrada de muçulmanos no país até que sejam investigados e liberados.

A proposta do candidato tem ampla base constitucional reforçada por vasta jurisprudência da Suprema Côrte, mas a massa esquerdista indignada não aceita sequer discuti-la: quer suprimi-la matando o seu autor.

A “sindrome de Al Capone” deitou raízes tão fundas nas almas dos militantes esquerdistas, que até aqueles que jamais cometeram crime algum estão sempre em guarda contra a mera possibilidade de tomar consciência dos horrores praticados por seus correligionários, defendendo-se dessa perspectiva temível mediante o mesmo reflexo de inculpação projetiva hiperbólica.

Mesmo o mais inocente e bocó dentre os idiotas úteis do petismo ferve de indignação cívica contra o deputado Eduardo Cunha, como se os delitos menores e não provados que a este se atribuem fossem a causa da desgraça nacional, muito acima do Petrolão, do Mensalão e do rombo das contas públicas.

Sentindo-se acusado por tabela, arma-se de um taco de beisebol verbal e sonha em rachar cabeças como se fosse uma miniatura de Al Capone.


Publicado no Diário do Comércio.

"Gays de direita"? Sim! Gays de direita!

"Não queremos destruir uma sociedade da qual fazemos parte."

Ao contrário do que maquinam e dissipam as mentes doentias dos intelectuais orgânicos, e a histérica militância da esquerda brasileira, nós, cidadãos de orientação política dita "de direita", não queremos a dizimação ou a criminalização de homossexuais. Nós, conservadores, orientamo-nos por valores que consideramos os mais acertados para a manutenção da saúde deste gigantesco paciente em estado Crítico chamado "Civilização Ocidental".

Acusam-nos, e isto injustamente,de homofóbicos, racistas, nazistas, intolerantes, dentre outras alcunhas semelhantes, pelo simples fato de lutarmos contra a ideologização do nosso pensamento e contra a doutrinação marxista em todos os meios de disseminação de cultura, bem como seus frutos diretos e indiretos. 

Dentre estes frutos diretos, está a utilização dos homossexuais - assim como fazem com os negros, índios e pobres - como o "novo proletariado"; aquele que deve travar uma "luta de classes" cujo intuito é derrubar a ordem constituinte da sociedade, para destes escombros, fazer emergir uma "nova ordem". O mais triste, é que a grande maioria dos homossexuais deixam-se usar por esta raça de facínoras, sem que se dêem conta que servem apenas como instrumento descartável para um projeto de poder. Descartáveis, pois em outros países, onde o comunismo foi implantado, como Cuba, homossexuais foram mortos à granel, en el paredón!

Mas com a graça de Deus, há alguns com os olhos abertos, e conscientes desta estratégia. São os "Gays de direita". Um grupo de homossexuais, que têm a  consciência de que podem ser muito mais do que agentes de destruição dos pilares da civilização ocidental, como o querem os ideólogos de esquerda. Sim, pode-se ser conservador e homossexual! Eles sabem que a sua condição sexual, não interfere, nem os desabona, para lutarem para  a manutenção das bases que sustentam nossa civilização. Nossa luta, enquanto conservadores, é contra a ditadura da IDEOLOGIA gay, o material que estimula a homossexualização das crianças de ensino primário nas escolas, mais conhecido como "Kit Gay", e a utilização dos homossexuais, cidadãos como quaiquer outros, como o "novo proletariado". Apenas isso. 

Eis o blog deste grupo http://gaysdedireita.blogspot.com.br/, e abaixo, a primeira mensagem do grupo, em 2009, que bem serve como apresentação do mesmo.

"Nossa primeira mensagem!

Este é um grupo de gays conservadores que acreditam poder oferecer ao mundo algo muito melhor que a simples baderna sexual.

Em função da influência da esquerda que domina os debates homossexuais, o mundo ainda não deixou de ver o gay como algo bizarro e muito perigoso. Isso porque a militância gay, em geral, está focada em projetos para beneficio da esquerda, e não dos gays. Ao nos utilizar como ferramenta de combate à moralidade, afirmam erroneamente que combater a homofobia é o mesmo que combater o capitalismo. Colocam-se na vanguarda da luta pela liberdade e democracia, discursando falsamente pela tolerância, para concluir o seu projeto de dominar a esfera política. Ao tentar desmoralizar a sociedade, confundem-na com uma série de leis inúteis e contraditórias, além de projetos sociais sem resultados positivos e gastos públicos desnecessários, ou quando muito, apenas nutrem uma extensa rede corrupta de apoiadores desses partidos. Nesse contexto há de se entender porque muitas pessoas se sentem inclinadas a não respeitar homossexuais.

Governos de esquerda que existiram pelo mundo mataram centenas de homossexuais ao longo de sua história, numa forma tão sem precedentes, que seria inviável fazer uma comparação com qualquer outra coisa. Como quadrilhas criminosas, se apoderaram da gestão pública, para juntar grandes somas de dinheiro e um estilo de vida cheio de conforto.

As estatísticas ridículas de morte de gays no Brasil, comparada à de países onde a discriminação é muito mais cruel, comprovam em absoluto que não existe perseguição sexual no Brasil. Abusos existem, claro, como em toda sociedade, mas isso não desqualifica o Brasil como um dos países mais liberais do mundo.

Assim, pretendemos oferecer ao homossexual uma visão diferente para seu papel na sociedade. É sempre difícil as pessoas entenderem porque queremos nos aproximar da família, visto que o histórico do preconceito de muitos homossexuais começa dentro de casa. Mas também existe muita ansiedade desnecessária na adolescência do gay, pois a maioria dos pais acaba aceitando-os. A verdade é que com um pouco de compreensão e tempo, muitas famílias acabam aceitando os filhos têm.

Porém, lamentavelmente, esses esquerdistas utilizam essa ansiedade para arregimentar membros sob a falsa necessidade de termos que “confrontar” a sociedade, mas não temos. Não temos que dar as costas a Deus e ignorar nossas religiões e mudar quem somos. Não temos que obedecer a essas pessoas! Podemos impedir que a homossexualidade seja utilizada como ferramenta desumana, insuportável e odiosa. Não queremos destruir uma sociedade da qual fazemos parte."

Para não perder o costume... Bolsonaro Presidente!





Íntegra da palestra “Princesa Isabel: exemplo excelso de amor ao Brasil, na dimensão fé e política”

O Blog Monarquia Já disponibiliza exclusivamente, na íntegra, a palestra proferida pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida, no III Simpósio Conservador de Belo Horizonte (MG), em 7 de agosto de 2015.



Caríssimos amigos,

Professor Hermes Nery |  Com alegria, retorno a Belo Horizonte, ao qual agradeço pelo convite em participar deste III Simpósio Conservador, ao que parabenizo mais uma vez pela iniciativa, tendo em vista a importância de momentos como este, de aprofundamento, de intercâmbio de ideias e experiências, no sentido de nos ajudar a encontrar melhores meio de atuação, num contexto político atual, de deterioração moral em todos campos, em que as instituições estão capituladas, urge portanto retomar o sentido do civismo em nosso País, capaz de fazer revigorar nossas bases morais. Só assim conseguiremos superar a crise da representatividade e da legitimidade, para um governo sadio. Daí também a crise de liderança, da confiança em quem exerce funções diretivas, especialmente na gestão pública.

O problema todo que está na raiz desta debacle moral, e as suas terríveis consequências de desarranjo e instabilidade generalizada, é justamente porque “já não há um ambiente geral cristão”1, e sabemos que o cristianismo é, em todos os períodos da História, a força propulsora dos princípios e valores morais que dão solidez aos empreendimentos efetivamente comprometidos com o bem comum e a dignidade da pessoa humana. O fato é que “nos primeiros séculos de nossa era, o mundo não era cristão, chegou a sê-lo; hoje não o é. A diferença é que antes ainda não o era e hoje já não o é, e esta diferença é muito importante”2, por isso o agravamento em nível global da corrosão política, por faltar justamente aquilo que só o cristianismo pode oferecer. E para que possamos saber o que fazer em meio a crise em que vivemos, também no campo político, é preciso voltar a compreender o que é ser cristão, “para que o que é cristão possa voltar a ser compreendido”3.

A distinção entre César e Cristo, foi dada claramente pelo próprio Cristo, e mesmo a Igreja não tendo modelos políticos a propor, traz em sua doutrina moral e social, diretrizes imprescindíveis que inspiraram grandes lideranças (como Santa Joana d’Arc) e fizeram inclusive governantes santos, a exemplo de São Luís e São Thomas More, referências até hoje, no cristianismo, da verdadeira dimensão fé e política.

Foi justamente esta dimensão que contribuiu para o esplendor civilizacional, com a “conexão desta vida com a outra”4, dimensão sempre pontifícia [da ponte com a realidade sobrenatural, que é a origem e a destinação final de todos], pois o próprio Jesus disse a Pilatos: “O meu reino não ´deste mundo”5, mas começa aqui, na provisoriedade, o que será vivido plenamente na vida eterna. Imbuído dessa convicção, os governantes santos foram capazes de vigências morais a dar sentido [direção] à vida humana, para o essencial, e também porque não agiram com a tentação de “transformar em pão as pedras do deserto”6, deixando “Deus de lado”7, [é a tentação de hoje com a ideologização da fé], mas sabendo do maná do Senhor, e de Suas Leis, para que a política esteja também purificada de tais tentações, e as decisões dos governantes estejam mais em consonância com a verdade e o bem. Como destaca Bento XVI, “ordenar, construir o mundo de um modo autônomo, sem Deus”8 é o grande equívoco a tirar da política a sua base moral, vulnerabilizando com isso, pessoas e sociedades à ilusões, violências e infelicidades incontáveis.  “Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil”9. É o que estamos vendo hoje, inclusive em nosso País, e em toda a América Latina, quando grupos de poder, inteiramente amorais e imorais, aparelharam as instituições (e inclusive setores da Igreja) e tomam decisões, agindo com volúpia e abusos de poder, buscando impor uma ideologia irrealista que favoreça apenas tais grupos de poder e não a sociedade em geral. “Há uma ideologia que, no fundo, reduz tudo o que existe a um comportamento de poder. E essa ideologia destrói a humanidade e também e a Igreja10”. E a ideologização da fé traz também essa corrosão, e setores da Igreja instrumentalizados por tais grupos de poder acabam sendo coniventes com isso, alguns conscientes outros inconscientemente, mas quando se duvida da verdade sobre o primado de Deus na História, da Sua soberania, então tal ideologia subverte os valores e compromete a verdadeira dimensão fé e política. Por causa disso, hoje, a fé cristã “está ameaçada em toda a parte”11, fé e política ameaçadas por tais ideologias e estruturas do mal. Isso porque, aqueles que deveriam mais zelar pela causa de Deus, ao aderir a tais tentações, com pactos faustianos, intensificam assim as forças adversas ao cristianismo, forças do mal, pois “o mal tem poder através da liberdade do homem e cria então as suas estruturas. Porque existem, manifestamente, estruturas do mal”12. Daí a verdadeira dimensão fé e política estar sempre situada no contexto de um combate entre a cultura da vida e a cultura da morte. E os governantes santos, luminares da história, decidiram não fraquejar neste combate, e a exemplo de São Miguel Arcanjo, o primeiro combatente pela causa de Deus, souberam sofrer as dores inevitáveis para fazer valer os princípios e valores cristãos, também no campo político, para espelhar a bondade, a magnanimidade e a misericórdia de Deus, e mostrar ao mundo que somente Cristo é o Senhor e Salvador, somente com Ele é possível vencer o mal, somente Ele abrirá as portas do Céu.

Os governantes santos buscaram evitar portanto que a política fosse usada para a prática da iniquidade.  Assim agiu José do Egito, e tantos ao longo da História.

No Brasil, tivemos a Princesa Isabel, uma governante cristã e santa, que amou o País, talvez mais do que qualquer outra liderança política em nossa História, e sofreu por isso o mais longo exílio impingido a uma autoridade pública, e morreu sem poder ter voltado ao Brasil que tanto amou. Um exemplo de vida na dimensão fé e política, que teve claramente a visão do Brasil real em consonância com a sua profunda identidade católica, o Brasil que todos os que aqui vieram desde a chegada de Pedro Álvarez Cabral, e escreveram sobre o que viram [e também das mazelas que viram por aqui], mas atestaram, com vivo entusiasmo, a promissão deste País continental, “um país plural na raiz de seu ser histórico”13, nascido Terra de Santa Cruz, para dar ao mundo a contribuição civilizacional, na convergência de todas as culturas, inspirada no catolicismo “cimento da unidade nacional”14, que a Princesa Isabel, desde a infância, assumiu com ardor, a propulsionar a vocação e a missão do Brasil (que foi também a sua vocação e missão), como um país generoso, cujo “poderoso caldeamento”15, ainda hoje é esperança ao mundo, mas que somente com a seiva cristã vivificada será capaz de alcançar seu excelso destino promissor.

Como destaquei na primeira parte de um breve retrato biográfico da Princesa Isabel:

“…a orientação segura para o melhor desenvolvimento de sua personalidade, direcionando-a para a melhor realização como pessoa, foi sem dúvida, a influência cristã, cuja doutrina católica ela assimilou tão bem, e a viveu de um modo tão intenso e coerente, em todas as fases de sua vida… Isso porque sabemos que “‘o pensamento e a vida são inseparáveis’, do contrário não se é ‘possível compreender o que significa ‘católico’. Com esta convicção, a princesa Isabel buscou sempre afirmar a coerência de vida.”16

E ainda naquele breve retrato, ressaltei que a Princesa Isabel

“…demonstrou nos três períodos em que assumiu a Regência do País, o quanto amou o Brasil e direcionou sua ação em decisões que expressaram a sua convicção firmíssima na fé católica. E esta fé a preparou e a orientou para assumir a coerência de vida, em fidelidade à fé que a sustentou, e por causa disso perdeu o trono, vivendo a dor do mais longo exílio impingido a uma autoridade política brasileira. Até mesmo no infortúnio do ostracismo, distante da terra natal, ficou evidente “a devoção da princesa pelo Brasil e seu desejo de fazer o bem”. Seus inimigos e detratores, especialmente os republicanos de inspiração positivista e anticlerical, foram implacáveis em lançar sombras sobre a sua vida, patrulhando-a ideologicamente, silenciando sobre suas reconhecidas virtudes pessoais e cívicas, pois temiam o seu reinado por justamente ela ter comprovado ser uma governante cristã. Temiam mais ainda o seu retorno, porque ela tinha a afeição do povo, que a chamou em vida de “A Redentora”. Quando lhe propuseram recorrer às armas para retornar ao Brasil, ela recusou, pois “considerava o uso da força incompatível com o cristianismo”, do mesmo modo como agiu em relação ao movimento abolicionista, evitando a via da violência, para obter a libertação dos escravos. “Quando a política deixará de empregar meios que diminuem a grandeza moral dos povos e das pessoas? – Escreveu do exílio a João Alfredo Correia de Oliveira – É assim que tudo se perde e que nós nos perdemos. O senhor, porém, conhece meus sentimentos de católica e brasileira”. Lembrando D. Pedro II, que falecera num hotel em Paris, em 1891, destacou: “Meu Pai, com seu prestígio, teria provavelmente recusado a guerra civil como meio de tornar a voltar à pátria… lamento tudo quanto possa armar irmãos contra irmãos…”, pois ela “antes de tudo pensava nos mutilados, nas viúvas e nos órfãos”. Podemos dizer da menina carioca, nascida no Paço de São Cristovão, que um dia ascenderia ao trono brasileiro para reger com um coração cristão, o mesmo que Antonio Vieira expressara de Santa Isabel de Portugal, a quem o nome da nossa princesa faz evocação: “Isabel não só foi filha de rei (…) mas que filha! que mulher! que mãe!”17

E ainda naquele breve retrato biográfico, prossegui:

“No ditado em português, do caderno da Princesa D. Isabel, nº 12, ela exorta como os homens devem estampar a sua vida na história: como “uma alma pura, patriota e caridosa”, e exclama: “Como é belo passar-se à posteridade com a reputação de São Luiz, de Felipe Camarão!” Vidas exemplares marcadas por “pureza, patriotismo e caridade”. Tais valores não foram mencionados como um exercício meramente retórico, mas almejados por sua vida inteira, mesmo depois de ter perdido o trono, por justamente ser fiel a tais valores. Destaca também sua admiração por Henrique Dias “um dos grandes heróis do Brasil. Era preto e sua valentia não era menor do que a dos primeiros generais do seu tempo. Achou-se muitas vezes com Felipe Camarão e defendeu o Brasil contra a invasão holandesa. Assistiu à segunda batalha dos Guararapes, ficando ferido. El-rei de Portugal quis recompensá-lo e deu-lhe um hábito de Cristo”. De modo muito especial estava São Luís em suas devoções. Para ela, “Luís é um desses cristãos para quem a Paixão de Jesus é um acontecimento sempre contemporâneo e que deve fazer parte da ação no presente, e não somente no qual se busque um passado santo”. Vida de intensa espiritualidade, leigo cristão, pai de família, rei cruzado e legislador, eis um modelo que empolga a princesa Isabel, desde criança. “São Luís de França, o Rei Luís IX (1214-1270), participou de duas cruzadas ao Oriente, era responsável por inúmeras fundações religiosas, conventos e hospitais. Destacou-se por sua devoção cristã e práticas caridosas destinadas aos doentes, pobres, cegos e indigentes. Sua conduta, segundo relatos da época, era orientada por uma profunda admiração pela Igreja e por seus ministros. Apesar da distância cronológica que separa o rei medieval do índio setecentista (Felipe Camarão), ambos destacaram-se na luta contra os infiéis, favorecendo a expansão cristã católica, associados a um projeto político. Como almas puras, patriotas e caridosas, mereciam respeito e admiração da Princesa. D. Isabel parecia associar o patriotismo ao reconhecimento cristão”. Ainda no mesmo caderno de ditado em português, escreveu a Princesa: “A caridade é uma grande virtude. Deus nos diz no primeiro mandamento: ‘Amai a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti mesmo’. Quantos exemplos de caridade nos deu Jesus Cristo em sua vida. Deixai os meninos vir a mim, disse ele um dia quando os discípulos despediam umas crianças (…) como não considerar esta virtude uma das primeiras? Ela deve sobretudo existir nos soberanos para serem considerados como pais de seus súditos. São Luís, rei de França, Santa Isabel de Portugal e Santo Estevão da Hungria são excelentes exemplos desta virtude”.18

Lembrava ainda em meu breve retrato biográfico:

“Sob o pulso forte da Condessa de Barral, foi possível uma educação “para que a formação espiritual da princesa correspondesse às suas responsabilidades sociais”.67 E muito cedo despertou-lhe também o apreço pela poesia, de sã influência. Nas poucas horas de lazer, havia tempo para as meninas recitarem versos como estes, do Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral: “Poe na virtude Filha querida, De tua vida Todo o primor. Não dês á sorte, Que tanto ilude, Sem a virtude Algum valor”.19

E mais:

“A fé católica impregnou em sua alma jovem, com um tal enraizamento como a semente lançada em terreno muito receptivo. Os seus sentimentos, pensamentos e visão de mundo solidificaram-se de modo inteiramente cristão. “O incentivo vinha certamente da mãe”93, de fé madura, “marcado por uma tradição napolitana (…) de apoio irrestrito ao papa”.94 A princesa Isabel, assim como São Luís, sentiam-se membros “de um corpo, a Cristandade, que tinha duas cabeças, o Papa e o Imperador”.95 O poder espiritual dando diretriz ao poder temporal, sustentando-o com seus princípios e valores, tendo em vista “as riquezas de salvação”96, e não apenas prosperidade material, pois seus escritos de infância e adolescência, comprovam a sua convicção de que “a história não pode ser regulada longe de Deus por estruturas simplesmente materiais”97, pois “se o coração do homem não for bom, então nada pode tornar-se bom”.98 Com isso, teve “uma visão alegre da vida”99, da alegria que vinha do espírito das bemaventuranças, experimentando desde cedo, de modo privilegiado, o quanto foi querida e amada pelos pais. Viveu assim a expressão concreta de um Deus exigente, como fora com Abraão, Jacó e Moisés. Uma alegria sadia, purificadora e santificadora, manifestada de forma a encantar a tantos a sua volta, com quem irradia uma esperança de vida, mesmo em meio às dores e sombras inevitáveis. “Diante de uma sociedade cada vez mais secular, marcada por inúmeros problemas sociais e disputas político-partidárias, D. Isabel imaginava que uma sociedade melhor seria alcançada por meio da re-adoção de valores cristãos católicos”. Tais valores lhe deram segurança efetiva em meio à secularização crescente, com forças anticristãs que emergiam do Iluminismo e ganhavam força depois da Revolução Francesa. Tronos eram derrubados por esta força hostil à Igreja, principalmente na Europa, mas “as escolhas e apostas da Princesa”101 fizeram-na adotar uma “política do coração”, afirmada na convicção de que somente os valores cristãos lhe dariam “os suportes que julgava suficientemente estáveis”.20

Imbuída desses sentimentos e dessa convicção, é que ela assumiu, ainda jovem, o maior desafio enquanto governante do Brasil, nos três períodos de Regência, ao ter de encontrar uma resposta ao principal desafio política do seu tempo, o de promover a abolição dos escravos, sem derramamento de sangue, adotando assim a solução católica àquela grave questão.

Na primeira palestra que proferi, logo após sugerir ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, a abertura do processo de beatificação da Princesa, Isabel, assim expus:

“As decisões que a Princesa Isabel tomou como regente, tornaram evidente que reconheceu antes de mais nada, o primado de Deus. Em seu tempo, surgiram e se intensificaram forças ideológicas contrárias à doutrina social cristã (cabe lembrar que o Manifesto Comunista é de 1848). E que ela perdeu o trono justamente no enfrentamento destas forças espirituais (cujas tensões ficaram evidentes no próprio movimento abolicionista, e que tal movimento só foi bem sucedido porque teve na Princesa Isabel a firmeza de fazer valer a fé católica no processo. E por isso é que foi possível evitar derramamento de sangue, e conter os ímpetos dos que queriam que se repetisse no Brasil as violências ocorridas, por exemplo, no Haiti e nos Estados Unidos.  Foi o catolicismo defendido pela Princesa Isabel,  que permitiu o êxito do maior movimento social da história deste país, e com um resultado jubilante. Tudo isso porque prevaleceu no processo o primado de Deus, que ela tão bem expressou em suas ações decisivas. No exílio, ela pôde melhor compreender o alcance do significado do mistério da fé na história.”21

E expliquei naquela conferência:

“Há muito o que descobrir da relevante atuação da princesa Isabel no movimento abolicionista, muito mais do que apenas ter assinado as Leis do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). Não tivesse ela assumido a regência e dado o tom tanto na gestão quanto na metodologia de trabalho e o movimento teria tido um rumo mais drástico e explosivo. Foi o componente católico que ela imprimiu e que a voz vigorosa de Joaquim Nabuco expressou, entre outras, que ressoou e influiu significativamente, não somente entre os proprietários rurais resistentes à abolição, mas principalmente entre os negros devotos organizados nas irmandades religiosas, especialmente a de Nossa Senhora do Rosário. Os antropólogos ficam admirados de ver como as irmandades católicas, de origem dos tempos medievais e instituídas tanto em Portugal quanto na África foram um elo de ligação entre os negros que queriam a sua libertação, mas sem o apelo à violência. As irmandades católicas, portanto foram decisivas para que o movimento abolicionista fosse bem sucedido, pois teve à frente uma governante mulher e cristã, que tão bem entendeu a alma do povo brasileiro.    Conta Didier Lahon que “na viragem do séc. XV para o XVI, alguns escravos negros já eram membros da confraria do Rosário de Lisboa. Essa opção pela Virgem do Rosário advinha de que ‘ a devoção ao Rosário, e a confraria que lhe estava confiada, pregava assim, como ainda hoje, o mais amplo ecumenismo social e racial, tentando derrubar, no seio da comunidade espiritual dos irmãos, as barreiras que os separavam na vida cotidiana’.

Foi o papa Pio V quem instituiu em 1573 a festa de Nossa Senhora do Rosário da Vitória para celebrar o êxito dos cristãos na Batalha de Lepanto. Desde então a devoção do rosário cresceu até os dias de hoje exercendo uma força misteriosa nos destinos dos países cristãos, especialmente na luta contra as forças hostis à Cristandade. Ainda hoje para nós católicos, é significativa a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio, quase trinta anos antes, no mesmo dia, da aparição de Nossa Senhora de Fátima, oferecendo o rosário como arma contra os inimigos da Igreja.

‘Segundo o Papa Pio V a vitória teria se dado graças à interseção da Virgem, em resposta aos Rosários a ela oferecidos, e Gregório XIII, seu sucessor, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, reforçando o Rosário como arma da vitória’.

A devoção ao rosário – sempre extremamente popular – foi muito difundida e aceita pelos escravos no Brasil, e foi esta devoção que exerceu grande influência – através da atuação das irmandades católicas – no movimento abolicionista. Isso é o que estão descobrindo os antropólogos e acadêmicos da atualidade.

John Thorton chamou atenção no meio acadêmico da ‘importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII”21 e “o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.’ Marina de Mello e Souza, a partir de pistas indicadas por Thorton, afirma que ‘no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora.’

E também os estudiosos perceberam entre os escravos no Brasil, duas formas de expressão religiosa que estarão manifestas no modo como atuaram no movimento abolicionista. Esta distinção resultará em duas opções de resistência: a do negro revoltoso e fugido, aquilombado, que se insurge contra o sistema escravista, pela via da violência. A outra opção foi a assumida pelas irmandades católicas, que agregou também em quilombos muitos negros devotos do rosário: a do negro alforriado, organizado para prestar auxílio aos demais, sem violência, agindo pela via institucional. Estas duas distinções têm relação as duas formas de expressão religiosa existentes durante a escravidão: ‘No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais. No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista.’ Foi em meio a este contexto que se deu a mobilização popular pela abolição, cujo papel das irmandades religiosas católicas foi decisivo para que o processo culminasse com a Lei Áurea. A Princesa Isabel percebeu, desde o início, tais tensões, e juntamente com outras lideranças, atuou para que o gradualismo não se estendesse demais, para não acirrar os conflitos (tanto dos proprietários rurais quanto dos escravos aquilombados que fugiam e partiam para a resistência com violência).

No entrechoque das posições assumidas pelos grupos atuantes, prevaleceu a solução católica, não imposta pelo governo nem por eclesiásticos, mas aceita naturalmente (e aí a importância do dado antropológico) por aqueles que sofriam a tragédia da escravidão e queriam se libertar da opressão, para serem aceitos como pessoas e não mercadoria, e não serem discriminados socialmente. Esse aspecto foi fundamental para preservar até hoje em grande parcela da população negra do País, uma devoção especial à Princesa Isabel, uma veneração imbuída de um profundo sentimento de gratidão, e é desta parcela significativa que vieram os primeiros testemunhos de sua fama de santidade, ainda em vida.”23 

Meus amigos! Eu poderia me estender aqui elencando tantos fatos vividos que comprovam as excelsas virtudes daquela que governou santamente este País e cujo reinado foi abortado pelos republicanos, quando ela tinha apenas 43 anos, e com quase por fazer.

E mais:

“Poucos meses antes, tendo vivido a sua entrada radiante em Jerusalém, com o glorioso 13 de maio, sentiu no exílio, as dores do Getsemani, e a partir de então, se associou ainda mais aos sofrimentos de Jesus, rei dos reis, despojado de sua majestade, escarnecido e humilhado, até a morte de cruz. No exílio, foi entendendo mais intensamente, as consequências da adesão àquele que é o verdadeiro Mestre, pois ‘o seguimento é expressão de conversão permanente a Jesus Cristo’. E na medida em que os anos no exílio foram lhe mostrando que talvez nunca mais voltasse mesmo a  ver o Brasil, continuou perseverante e se dedicando muito aos brasileiros, pois na sua vivência católica, de amor sempre universal, deu o testemunho de que ‘seguir é viver, amar, crescer em fidelidade, comprometer-se na construção do reino e solidarizar-se na justiça e na amizade’.

A princesa Isabel, pela sua formação e determinação, pelas suas opções e decisões, pelo modo como suportou as perdas e dores e da maneira como afirmou a fé, teve o sentido de Deus, numa época em que já se sentia poderosas correntes culturais e políticas decretando a morte de Deus no mundo, ela viveu e fez o que fez movida pela direção de Deus, que ‘compreende e dinamiza a pessoa inteira com toda a sua força e sua relação essencial’, pois, a história mostra de modo claríssimo de que ‘quem possui o sentido de Deus possui ao mesmo tempo o sentido da vida e do ser humano. Assim unem-se em síntese a escuta e a prontidão para a resposta existencial’.

Como Samuel, a princesa Isabel ainda muito jovem já havia expressado em seu coração aquele feliz ‘Eis-me aqui Senhor!’”24

Que hoje nós possamos, com o seu exemplo santificador, reencontrar lideranças cristãs, entre nós, na dimensão fé e política, novamente com [esse testemunho de amor pelo Brasil, no momento difícil e desafiante em que vivemos agora. Que ela possa interceder por lideranças política santas, para que haja o governo sadio que tanto precisamos, para que assim o Brasil alcance seu destino promissor.

Que Nossa Senhora Aparecida, rogue por nós, pelo bem do Brasil!

Muito obrigado!

NOTAS:


  1. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 209, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  2. MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 55, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
  3. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 185, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  4. MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 37, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
  5. Jo 18, 36.
  6. RATZINGER/BENTOXVI, Jesus de Nazaré, V. 1, p. 43, Editora Planeta, São Paulo, 2007.
  7. Ib. p. 41
  8. Ibidem.
  9. RATZINGER, Joseph, citado em “Poder Global e Religião Universal”, de Mons. Juan Cláudio Sanahuja, p. 5, Editora Ecclesiae, 2012.
  10. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 133, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  11. verificar
  12. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 176, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  13. REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 60, Edições GRD, São Paulo, 2000.
  14. FREYRE, Gilberto, Casa Grande & Senzala, pp. 91-92, Global Editora, 49ª edição, São Paulo, 2004.
  15. REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 63, Edições GRD, São Paulo, 2000.
  16. http://pt.scribd.com/doc/112183606/Breve-Retrato-Biografico-da-Princasa-Isabel-por-Hermes-Rodrigues-Nery
  17. Ibidem.
  18. Ibidem.
  19. Ibidem.
  20. Ibidem.
  21. 21.http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2011/12/catolicidade-da-princesa-isabel.html
  22. Ibidem.
  23. Ibidem.