Translate

Mostrando postagens com marcador Liturgia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liturgia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de março de 2017

“Deus é silêncio. O demônio é barulho”

7 DE OUTUBRO DE 2016  - “Corremos o risco de reduzir o sagrado mistério a bons sentimentos”, alertou o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Em entrevista ao jornal francês “La Nef”, por ocasião da publicação do seu livro “A força do silêncio: contra a ditadura do barulho”, ele destacou que “o silêncio não é uma ideia; é o caminho que permite aos seres humanos chegarem a Deus. O silêncio sagrado é uma lei fundamental em toda a celebração litúrgica. O Concílio Vaticano II enfatiza que o silêncio é um meio privilegiado para se promover a participação do povo de Deus na liturgia”.

No entanto, ele também observou que, “a pretexto de facilitar o acesso a Deus, alguns gostariam que tudo na liturgia fosse imediatamente inteligível, racional, horizontal e humano. Mas, desse modo, corremos o risco de reduzir o mistério sagrado a bons sentimentos”.

E faz um questionamento pungente: “Com o pretexto da pedagogia, alguns sacerdotes permitem inúmeros comentários que são insípidos e mundanos. Esses pastores temem que o silêncio em presença do Altíssimo desconcerte os fiéis? Acreditam que o Espírito Santo é incapaz de abrir os corações aos divinos mistérios, derramando sobre eles a luz da graça espiritual?”.

Deus é silêncio e o demônio é barulho. Desde o princípio, Satanás procurou esconder as suas mentiras sob uma agitação falaciosa, ressonante”, afirmou o cardeal africano, prosseguindo: “O barulho se tornou como uma droga da qual os nossos contemporâneos são dependentes. Com sua festiva aparência, o barulho é um redemoinho que impede cada pessoa de encarar a si mesma e enfrentar o vazio interior. É uma mentira diabólica”.

Recuperar o sentido do silêncio, para o cardeal Robert Sarah, é uma “necessidade urgente. A verdadeira revolução vem do silêncio. Ela nos dirige a Deus e aos outros e, com ela, podemos colocar-nos humildemente a seu serviço (…) O silêncio é o pano com que as nossas liturgias devem ser tecidas. Nada nelas deveria interromper a atmosfera silenciosa, que é o seu clima natural”.

O silêncio “expõe o problema da essência da liturgia. Quando nos aproximamos da liturgia com o coração ruidoso, ela tem aparência humana, superficial. O silêncio litúrgico é uma disposição radical e essencial; é uma conversão do coração (…) Como podemos entrar nesta disposição interior a não ser dirigindo o nosso olhar, todos juntos, sacerdote e fiéis, para o Senhor que vem, para o oriente simbolizado pela abside, onde o trono é a Cruz? (…) Se não for fisicamente possível celebrar ad orientem, é absolutamente necessário pôr uma cruz no altar à plena vista, como um ponto de referência para todos. Cristo na cruz é o oriente cristão”.

Falando da sua recente afirmação sobre a “reforma da reforma”, o cardeal Sarah explicou que “a liturgia sempre deve ser reformada a fim de ser mais fiel à sua essência mística. O que é chamado de ‘reforma da reforma’, e que nós talvez devamos chamar de ‘mútuo enriquecimento dos ritos’, para adotar uma expressão do magistério de Bento XVI, é uma necessidade espiritual”.

O cardeal também lançou um apelo a não “desperdiçarmos o tempo contrastando uma liturgia com a outra, o rito de São Pio V com o do beato Paulo VI”, porque isso “é prejudicar a nossa relação com Deus e a expressão da nossa fé cristã. O diabo quer que estejamos uns contra os outros. É tempo de acabar com esta desconfiança, desprezo e suspeita. É tempo de redescobrir um coração católico. É tempo de redescobrir juntos a beleza da liturgia”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oração e Liturgia

Ao tratar o tema da oração, nestes últimos meses, procuramos aprender a rezar de modo cada vez mais autêntico, fixando o olhar em algumas grandes figuras, especialmente no exemplo de Jesus, cientes de que somente Ele é capaz de nos unir a Deus com a profundidade e intimidade de filhos que Lhe podem chamar: Abba, Pai. Pois bem! Um âmbito privilegiado, onde Deus fala a cada um de nós e espera a nossa resposta é a liturgia. Nesta, o povo fiel toma parte na obra de Deus, isto é nas ações por Ele realizadas na história humana que nos trazem a salvação e que culminam na Morte e Ressurreição de Jesus. A liturgia é o «espaço» onde o Mistério da Morte e Ressurreição se torna atual, se faz presente no meu hoje, através da ação de Cristo na Igreja. Por isso, cada celebração litúrgica, especialmente a Eucaristia, é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, por Cristo e no Espírito Santo.

Papa Bento XVI - Audiência Geral - Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O crucifixo no centro do altar



O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica no nº 218, faz a seguinte pergunta: "O que é a liturgia?" E responde:

A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do Mistério pascal. Nela, através do exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo, com sinais se manifesta e se realiza a santificação do homem e é exercido pelo Corpo Místico de Cristo, que a cabeça e os membros, o culto público devido a Deus.
A partir desta definição, entendemos que o centro da ação litúrgica da Igreja é Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e seu mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição. A celebração litúrgica deve ser a transparência dessa verdade teológica. Por muitos séculos, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e do corpo durante a liturgia é uma representação de Jesus crucificado.


A centralidade do crucifixo na celebração do culto divino é mais proeminente no passado, quando existia a tradição de que o padre e os fiéis durante a celebração eucarística estavam voltados para o crucifixo no centro, acima do altar, que era geralmente contra a parede. Para o costume de celebrar o atual "versus populum", muitas vezes, a cruz está localizada ao lado do altar, perdendo a sua localização central.


O então teólogo e cardeal Joseph Ratzinger, tinha reiterado que, mesmo durante a celebração "versus populum", o crucifixo devia se mantido na sua posição central, mas é impossível pensar que a imagem do Senhor crucificado - que exprime o seu sacrifício e então o significado mais importante da Eucaristia - pudessem ser de alguma maneira perturbadora. Depois de se tornar Papa, Bento XVI, em seu prefácio ao primeiro volume de sua "Gesammelte Schriften", disse que estava feliz pelo fato que se estava fazendo sempre mais vezes a sua proposta em seu famoso ensaio "Introdução ao Espírito da Liturgia". Esta proposta foi a sugestão de "não avançar com novas transformações, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para que esta possa assistir ao mesmo tempo sacerdote e fiéis, para serem orientados, assim, para o Senhor, a Quem nós oramos juntos."

O crucifixo no centro do altar nos mostra o esplendor do significado da sagrada liturgica, que podem ser resumidas no nº 618 do Catecismo da Igreja Católica, uma parte que termina com uma citação agradável de Santa Rosa de Lima:
A cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens" (1Tm 2,5). Mas, pelo fato de que, na sua Pessoa Divina encarnada, "de certo modo uniu a si mesmo todo homem" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 22), "oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Ministério Pascal. (ibid.). Chama a seus discípulos a "tomar a cruz e a segui-lo" (Mt 16, 24), pois "sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos" (1Pd 2, 21). Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. (cf. Mc 10,39 João 21,18-19; Col 1:24). Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério do seu sofrimento redentor. (cf. Lc 2,35).

"Fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao céu". (Santa Rosa de Lima, cf. P. Hansen, Vita mirabilis, Louvain 1668).




Fonte: Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/details/ns_lit_doc_20091117_crocifisso_it.html

Extraído de http://www.salvemaliturgia.com

Pax Christi

Diogo Pitta

terça-feira, 3 de abril de 2012

A identidade da Liturgia na Era dos Mártires


    O período que chamamos de Era apostólica foi um dos principais momentos da Igreja, sobretudo pela incessante busca pela unidade, tratava-se portanto, de um novo tempo, onde não estavam mais presentes aqui, algum daqueles que poderiam dizer “Eu vi o Mestre”.

   Trata-se de um 2º período da vida litúrgica da Igreja Católica, um momento em que a Igreja primitiva na medida em que se espalha pelo mundo para Anunciar a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo vai se penetrando progressivamente no mundo greco-latino. As comunidades cristãs se afirmam em sua originalidade, já não se preocupam mais em ir a sinagogas não apenas pela perseguição, mas principalmente pela sua própria originalidade. Vale lembrar também que pouco antes deste período, entre os anos 70 e 140 d.C, houve uma grande multiplicação de seitas gnósticas e, por consequência, o surgimento do sincretismo religioso.

    O cristianismo nascente encontrou no gnosticismo um perigoso inimigo que, no interior de suas próprias comunidades, ameaçava e muito a verdadeira identidade cristã.     
        
    Contudo, no decorrer das primeiras décadas deste período, a Igreja não aparece como uma realidade sociológica capaz de levantar certo tipo de problema e preocupação por parte do Império Romano. No entanto, muito cedo, o modo de vida das primeiras comunidades cristãs começam a atrair a atenção dos movimentos pagãos, causando uma repulsa por parte desses movimentos e das pessoas que assim viviam. A causa dessa reação hostil é, sem dúvida, o enfrentamento aberto com a religião dominante, a romana. Além disso, esse ambiente de hostilidade é alimentado pelo judaísmo da diáspora, que não pode perdoar aos judeus-cristãos sua apostasia da antiga fé.

    Já nos séculos II e III a Igreja nascente passa a estruturar-se interna e externamente, e é neste sentido, que surgem os primeiros textos que sugerem orientações litúrgicas, sobretudo na administração dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia.

    No entanto, é a partir do século III que temos talvez a maior e melhor fonte deste tempo a respeito de conhecimento litúrgico com Santo Hipólito de Roma. Foi através dele e de sua defesa da fé católica transmitida pelos apóstolos no seu mais famoso escrito, conhecido como “Tradição Apostólica”, texto este que possibilita perceber a conservação da liturgia da época apostólica.

   Hipólito desenvolve seu texto apoiado na instituição catecumenal para que pudesse haver uma importante ação evangelizadora e principalmente para acolher os novos convertidos e as novas comunidades cristãs de uma melhor maneira. Percebe-se, portanto, uma preocupação que já vinha presente no Novo Testamento. Na entrada no catecumenato, por exemplo, é feito um exame de admissão e triagem dos candidatos, que devem ter um “fiador” (padrinho) cristão reconhecido e este padrinho deve, portanto, ter responsabilidades diante de Deus e da Igreja por este recém convertido, cabendo a ele (o padrinho ) “dar testemunho deles, informando se estão preparados para ouvir a Palavra”.

   Após esta iniciação, segundo Hipólito relata, o catecúmeno deveria começar seu período propriamente catequético, onde  “os catecúmenos devem escutar a Palavra por três anos” . Este período poderia ser encurtado caso algum destes catecúmenos fosse considerado dedicado e atencioso. Concluída esta fase, o catecúmeno estaria pronto para ser batizado, onde mais uma vez o padrinho se apresenta e procura-se saber da vida este catecúmeno e de suas ações no catecumenato, visto que durante este tempo o catecúmeno obteve uma conduta configurada a sua conversão a Cristo, logo ele receberá do Bispo o batismo.

           Os escritos de Hipólito são de grande base para estudarmos a vida litúrgica nos tempos dos mártires. Ele desdobra-se sobretudo na liturgia Eucarística da Igreja primitiva, onde se percebe claramente o zelo e o amor da Igreja primitiva pela Santa Eucaristia. Vale lembrar ainda que o próprio santo Hipólito foi martirizado em Roma  pelo imperador Maximino supostamente junto com o Papa Fabiano, o que demonstra também a sua reconciliação com a Igreja depois de um período de divergências.

          A liturgia no tempo dos mártires é prova viva da fidelidade e da unidade da Igreja Católica nos tempos de perseguição, onde esta se manteve una e fiel alicerçada pelos Santos Sacramentos.


Pax Christi

Diogo Pitta