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sábado, 18 de julho de 2015

O deliqüente espancado, a capa ideológica e a Prudência.


A prudência é a virtude mais necessária à vida humana, pois viver bem consiste em agir bem. Ora, para agir bem é preciso não só fazer alguma coisa, mas fazê-lo também do modo certo, ou seja, por uma escolha correta e não por impulso ou paixão. Como a escolha visa aos meios para se conseguir um fim, para ser correta exigem-se duas coisas: o fim devido (debitum finem) e os meios adequados a esse fim … Quanto aos meios adequados a esse fim, importa que o homem esteja diretamente disposto pelo habitus da razão, porque aconselhar e escolher, que são ações relacionadas com os meios, são atos da razão. É necessário, pois, haver na razão alguma virtude intelectual que a aperfeiçoe, para que proceda com acerto em relação aos meios. Essa virtude é a prudência, virtude portanto necessária para bem viver." Suma Teológica P I-II,q.57

Santo Tomás de Aquino expõe-nos os princípios metafísicos da Prudência, uma das nobilíssimas virtudes cardeais, como sendo princípios necessários para bem escolhermos os meios adequados para obtermos êxito em determinado fim. 

Até que ponto, nossas escolhas estão ou não eivadas das mais inflamadas paixões? Nossas capacidades de retamente julgar nas ocasiões que nos exigem uma ação mais concreta e enfática podem estar obnubiladas pelas paixões?

Sim, pode. Aristóteles, na sua "Ética a Nicômaco",  ao falar da Temperança, fala da subordinação que as faculdades Racionais devem exercer sobre as faculdades irascíveis.

Notadamente, há na humanidade um desequilíbrio nestas duas faculdades, que quando em harmonia, nos auxiliam no "escolher retamente" os meios para melhor realizarmos as mais simples operações cotidianas.

O cristianismo tem uma reposta para este desequilíbrio entre razão e ira: o Pecado Original. Antes da queda de Adão e Eva por instigação da serpente maldita, o Homem (ha - Adam), era dotado de dons magníficos, dons preternaturais, e dentre estes, estava o reinado do dom da Integridade, dom este que lhes conferia absoluta harmonia entre a razão e os apetites sensitivos. (Gen 3,15)

Caídos nossos primeiros pais, a humanidade não mais conteve o mais breve e discreto vento de ira sobra a sua alma, e arderam-se de ódio uns contra os outros, e isto é absolutamente constatável pelo primeiro Fratricídio da História: O assassinato de Abel, pelas mãos de Caim. 

Podemos também agir com prudência, quando ao olharmos os fatos do passado, os pomos em paralelo com os acontecimentos hodiernos, para daí auferirmos algo, mesmo que breve, do futuro. Não se trata absolutamente de adivinhação ou vidência sensacionalista, mas previsões baseadas em evidências postas em acareação. 

Pois bem. Há alguns dias, fui surpreendido, ainda pela manhã, com a audaciosa e desonesta capa do jornal EXTRA, onde era noticiada a delapidação de um delinqüente que ao ser abordado assaltando um estabelecimento comercial, foi espancado até a morte, por uma população enfurecida. 

Por ser considerado "de direita", algumas pessoas julgam-me coadunante com aquela barbárie, o que de fato não o sou. Antes de ser de "direita" ou "conservador" - como o queiram -ou cristão! 

Sinceramente, assusta-me a possibilidade de que diante da mais ínfima acusação de ter incorrido nos crimes comuns da delinqüência, mesmo que na realidade não tenha cometido crime algum, um cidadão, um indigente ou mesmo um delinquente ipso facto, seja espancado até a morte!

Quero deixar claro que não sou adepto do protecionismo atávico com o qual a Esquerda presenteia a bandidagem, tampouco debulho-me em lágrimas quando algum traficante, utilizando a linguagem jurídico-penal, sofre "auto de resistência", mas creio que pela lógica, dois erros não constituem um acerto. Assassinar temerariamente e justiçamento com as próprias mãos são crimes. Obviamente, isto ,exclui a violência em legítima defesa, o que deve dar-se proporcionalmente ao ataque sofrido.

Recordo-me de um ocorrido datado da Idade das Luzes, quando do medo que causava aos medievos a heresia Cátara. Os cátaros eram adeptos do Maniqueísmo, a existência de dois princípios opostos: o do Bem e o do Mal, onde a alma teria sido criada pelo princípio bom, e a matéria, pelo princípio mal. Portanto, tudo o que gerava a matéria também era mal. Tal era a sanha dos cátaros contra a matéria e tudo o que gerava a matéria, que começaram a linchar mulher grávidas, pelo simples fato de estarem gerando matéria em seus ventres. Não bastasse essa barbaridade, a simples suspeita de uma mulher estar grávida, ou a simples suspeita de ser alguém cátaro, mesmo que este não o fosse, resultava não raramente em linchamento até a morte. A ação destes facínoras só arrefeceu-se quando da instituição pela Igreja do tribunal do Santo Ofício. Isso mesmo, o Santo Ofício existia para proteger as pessoas, ao contrário do que afirmam os arautos do mais ferrenho iluminismo anticlericalista. 

A capa do referido jornal, porém, era desonesta e ideológica: punha um assaltante; um marginal, que embora não tenha tido direito à julgamento segundo os devidos trâmites legais, não deixava de ser um marginal. Pô-lo como vítima da violência urbana, quando ele mesmo a havia praticado primeiro àquela ocasião é intelectualmente desonesto. Pior ainda, foi pô-lo em analogia com os negros que sofreram sob o jugo da escravidão. São situações diferentes: estes, nada roubaram, mas tiveram suas liberdade roubadas; aquele, roubou, e teve sua vida ceifada.

O que exorto a quem me pergunta sobre o ocorrido é: É prudente olhar para trás nas esteiras do tempo e contemplar que outrora estas práticas não deram certo. É prudente, mesmo sob o arder da fúria, deter o criminoso, quando possível, dar-lhe voz de prisão, e entregá-lo às autoridades, sejam elas competentes ou incompetentes. se incompetentes, e consequentemente coadunantes com a injustiça, tenhamos em nossas alma a certeza de que é melhor sofrer injustiça do que praticá-la.

Precisamos urgentemente de equilíbrio.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

* Perdoem-me os erros de ortografia e concordância. Escrevo do celular, e quem tem dedos gigantescos entende o martírio que é digitar nestas benditas e minúsculas teclas... assim que puder, os corrijo.




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Da Venezuela à Indonésia, com Dilma Roussef

Dilma Roussef além de não saber direito o que fala, como já tivemos a oportunidade de constatar durante discursos nos quais parecia estar embriagada, como no discurso da Assembléia Geral da ONU, a presidente parece também não saber direito o que quer: Ora não quer arrochar a economia, como propugnado nos debates eleitorais de 2014, ora o quer, como o faz agora; ora não quer interferir em questões internas de outros países, ora quer.

A presidente reluta em intervir no assassinato da democracia cometido pelo bandido e ditador Nicolás Maduro, quando este deteve a murros e pontapés, sem acusações plausíveis ou sequer um mandato, o Prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, pelo simples fato de ser Ledezma um forte opositor do governo chavista, sob a alegação falsa e patife de que não é do feitio do Itamaraty intrometer-se em questões internas de outros países. Porém, não houve nem mesmo peso, nem mesma medida para as questões internas da Indonésia, que teve de aturar a adulação do governo brasileiro, com traficantes que faziam entrar naquele país quilos e mais quilos de cocaína, sabendo estes perfeitamente que neste país, a pena para quem é detido por tráfico de entorpecentes é a morte.  Ora, na minha opinião, Dilma teria que ter pedido, de joelhos, perdão ao presidente da Indonésia, pelo fato de um brasileiro ter causado tamanho transtorno, e ainda por cima, devia a presidente, ter se oferecido para custear a munição que executou os traficantes. Neste caso, Dilma não se furtou em interferir nas questões internas de um país, implorando inclusive a intercessão do Papa!


Mas suspeito o motivo pelo qual no caso da prisão violenta e arbitrária do opositor anti-chavista de Caracas Dilma calou-se de forma sepulcral, e por que em contrapartida, foi paladina incansável da liberdade e da vida, quando se tratava dos traficantes brasileiros condenados à pena de morte na Indonésia; por dois motivos: 1) Como sempre, a esquerda coaduna com o banditismo, com regimes ditatoriais e com narco-traficantes, e em ambos os casos, há a defesa incondicional de bandidos, que são os dois traficantes brasileiros e Nicolas Maduro; 2) a Indonésia não faz parte do Foro de São Paulo.

Simples assim.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Outro réu confesso...



Em raríssimas ocasiões, o bandido tem mais credibilidade do que a vítima; e uma dessas raras ocasiões, é quando o larápio torna-se réu confesso, e simplesmente escancara, para quem quiser constatar, a sua verdadeira face, dizendo por suas próprias palavras, quais são as suas pretensões. No caso do Foro de São Paulo, entidade que aos ouvidos moucos trata-se apenas de uma entidade mitológica, oriunda das profundezas da fertilíssima imaginação da direita, isso não poderia ser mais patente. Em 2005, o então presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, brindou-nos com um de seus quase inexistentes momentos de honestidade, e falou, em pronunciamento que foi veiculado no site oficial do governo, sobre o Foro de São Paulo e sobre as suas suspeitíssimas intenções. Tal pronunciamento, mereceu um artigo cuja autoria é do Filósofo Olavo de Carvalho. Tais comentários foram tecidos sob efusivos agradecimentos do Professor Olavo, aos serviços de auto-delação prestados pelo “barba”. Este artigo pode ser lido no site do Olavo de Carvalho, sob o título sugestivo de “Réu confesso”.

O Foro de São Paulo conseguiu a proeza de manter-se sob as penumbras da mídia “rabo-preso” durante 16 anos! Uma organização que mobiliza chefes de estado, delegações inteiras, envolve uma organização colossal, consegue ser imperceptível à grande mídia, o que faz com que quando alguém como o autor destas linhas, denuncie a existência dessa organização, seja alcunhado de “lunático” e adepto das “teorias da conspiração”. Nos últimos anos, tornou-se quase impossível esconder a existência do Foro de São Paulo, graças, em primeiro lugar, à atividade incansável de intelectuais de escol como o professor Olavo de Carvalho, a Graça Salgueiro, o Heitor de Paola; e em segundo lugar, pela relação intrínseca entre os países da América Latina componentes do Foro; a maneira como se sustentam mutuamente, e pelos pronunciamentos “auto-delatores” dos respectivos presidentes, cuja ascensão ao poder é obra do Foro de São Paulo, como no caso do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. 

Portanto, é um gozo indizível quando algum “braço” do Foro de São Paulo, como no caso citado acima do Lula, nos dá a graça de explicar-nos pessoalmente o que é o Foro de São Paulo, e quais as suas reais intenções. Segue abaixo uma carta, que aqui a interpreto como uma “aula” sobre o Foro de São Paulo, proferida pela boca de quem participou como organização fundadora do Foro de São Paulo: as FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, organização de comuno-narco-terroristas da Colômbia, com células em toda a América Latina, e que recentemente, sob o manto de negociações de paz, está sendo erigida pelo presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, à categoria de partido político.

Esta carta foi redigida pelas lideranças das FARC, pela ocasião do XIII Foro de São Paulo, realizado em El salvador, e foi publicada pelo PRAVDA.ru, que é o jornal do partido comunista da Rússia.

Com a palavra, as FARC:

“Mesa Diretora, Companheiros Delegados e Companheiras Delegadas ao XIII Foro. San Salvador, El Salvador. Recebam nossa carinhosa e bolivariana saudação, muitos êxitos em suas deliberações. 

Ao não podermos nos fazer presentes em tão importante evento, lhes entregamos este documento com nossos pontos de vista e agradecemos de antemão o fato de tê-lo em conta nas deliberações. 

Queridos companheiros. 

Em 1990 já se via vir abaixo o campo socialista, todas as suas estruturas fraquejavam como castelo de cartas, os inimigos do socialismo festejavam a mais não poder, se cunhavam teorias como a do fim da história, muitos revolucionários no mundo observavam atônitos e sem conhecer o que havia falhado para que ocorresse semelhante catástrofe. 

A utopia se dissipava, a desesperança se apoderou de muitíssimos dirigentes que haviam dedicado toda sua vida à luta por conquistar um mundo melhor, idealizando-o com o modelo de socialismo desenvolvido da União Soviética. 

Ao derrubar-se esse modelo, para muitos se acabou a motivação de luta e só ficamos uns poucos sonhadores que nos mantivemos e seguimos mantendo na teoria, na política e na realidade de novas expressões de socialismo, o que potenciou a decisão de luta e acelerou o crescimento e fortalecimento desse contingente de sonhadores que vê nessa luta por um mundo melhor algo realmente possível. 

Na Ásia: China, Vietnam e Coréia do Norte tremulavam suas bandeiras socialistas sem dar espaço ao derrotismo e sem escutar os cantos de sereia para que abandonassem o sistema que se lhe opunha ao capitalismo.


Na América: Cuba ficou só, navegando na crise mais profunda que tocou viver a país algum, com seu comércio que alcançou níveis de queda que não poucos acreditavam impossível de reverter dado a brusca mudança nas fontes e condições de seu comércio exterior. O imperialismo acreditou equivocadamente que havia chegado o momento de acabar com o socialismo na América, aumentou sua agressão com o bloqueio econômico, comercial e financeiro, sem importar a vida de milhões de crianças e anciãos que sofreriam as conseqüências de tão louca manobra. 

É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano. Essa iniciativa, que encontrou rápida acolhida, foi uma tábua de salvação e uma esperança de que tudo não estava perdido. Quanta razão havia, transcorreram 16 anos e o panorama político é hoje totalmente diferente.
 
O outrora imperialismo arrogante e prepotente está afundado numa profunda crise que ninguém sabe quando nem como terminará. As brutais e ilegítimas agressões contra os povos de Afeganistão, Iraque e Líbano têm recebido respostas inesperadas e, a cada dia, jogam no desconcerto o governo norte-americano e seus aliados, que têm tido de carregar com o peso político e social que significam milhares de mortos e feridos, assim como de uma previsível derrota. Duras realidades como o déficit fiscal, o déficit na balança comercial, a queda dos falcões: Rumsfeld, Boltón e Negroponte e a crescente atitude crítica do povo norte-americano, agudiza ainda mais a crise dos que sonharam e ainda sonham com o poder mundial, acreditando mortas e enterradas as forças que se lhes pudessem opor. 

Na América Latina, não fazemos mais que descrever, pois todos conhecemos os processos: Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador, Brasil Uruguai e Argentina, no total, oito países, se orientam pelo desenvolvimento de modelos de governo e de sistemas diferentes ao tradicional imposto pelo imperialismo ianque. Os povos optaram pela mudança, nada os deteve, a ameaça, a chantagem, a compra de votos, as fraudes milionárias, não foram suficientes para fazer mudar a opinião de milhões que buscaram e seguem buscando uma nova alternativa. 

É no marco deste cenário político que se desenvolveu e se segue desenvolvendo o Foro de São Paulo. De um partido no governo que inicialmente fazia parte do Foro, o Partido Comunista Cubano, hoje são oito as forças governantes que, ademais de ser forças no governo, foram fundadoras deste importante movimento. Assim as coisas, qualquer pessoa pensaria que o haver avançado em lutados e esperados objetivos, faria do Foro de São Paulo um impulsionador da integração da América Latina, num aríete das lutas sociais, num ente solidário com a luta dos povos, numa força capaz de buscar e propor soluções políticas a conflitos internos que se apresentam como conseqüência da iniqüidade, da injustiça e da antidemocracia. 

Porém, não é assim, há os que pensam que o fato de ter chegado ao governo os separa do Foro. Segundo tal e muito respeitável forma de pensar, uma coisa é ser oposição e outra ser governo, em razão a ter que desenvolver, em alguns casos, políticas que o Foro não comparte, como a política neoliberal. Pensam que a nova condição os inibe de participar e querem um Foro menos dinâmico, que não se faça sentir, que não seja propositivo, que não lute por objetivos que foram e seguem sendo válidos. 

Ante tal situação, outros pensam que se deve acabar o Foro, que o melhor é dar-lhe enterro de terceira e criar um novo movimento. 

Nas FARC cremos que não são corretas as duas apreciações anteriores e, pelo contrário, pensamos que os partidos que se encontram no Foro e que fazem parte dos governos têm o espaço, o justo direito e a necessidade de pleitear em seus países o fortalecimento do movimento tal como foi criado: sem exclusões, sem imposições e sem dogmatismo. Cremos, além disso, que se deve buscar que esta organização seja mais funcional, seja um ente catalisador das opiniões dos povos que sempre estão adiante de seus governantes, porque são os que sentem como se está exercendo o governo, se é justo, se é pulcro, se é humano, se tem cumprido com o que prometeu. Ter medo à crítica que possa fazer uma organização como o Foro de São Paulo é negar sua mesma essência como governo democrático, amplo e pluralista. 

Pensar em criar outra organização atirando pela borda 16 anos de experiências, de credibilidade, é desperdiçar a oportunidade de converter o Foro num ente coordenador de diferentes partidos, movimentos e organizações políticas que, respeitando as diferenças, nos ratificamos na luta contra o imperialismo, o neoliberalismo, a solidariedade e a integração da América Latina. 

Fazemos um reconhecimento aos companheiros do Grupo de Trabalho pela iniciativa de ajudar na solução ao conflito social, político e armado que vive a Colômbia desde há 60 anos, a declaração de Bogotá é, sem dúvida, um documento muito importante que, com o direito que nos assiste, pedimos seja difundido entre os assistentes ao Foro. 

Na Colômbia há uma intervenção direta do Imperialismo Ianque, na atualidade há 1.400 oficiais do exército estadunidense dirigindo as operações do Plano Colômbia, do Plano Patriota e do Plano Victoria. Os Estados Unidos estão instigando e financiando a guerra com o pretexto do narcotráfico e, para isso, diariamente se estão gastando 17.5 milhões de dólares para perseguir e liquidar aos lutadores sociais, revolucionários e bolivarianos.
 
As fumigações estão acabando com a flora e a fauna da Amazônia, são milhares de toneladas de Glifosato e Paraqua, igual que os experimentos com o Fusarium Oxiporun. Que destrói a mata de coca, porém igualmente acaba toda a flora que tenha no lugar, contamina as bacias hidrográficas, pois os troncos dos vegetais, ao serem levados pelas águas, causam imensa perda ao sistema ecológico.
 
Cremos ser oportuno manifestar nossa inquietação e desagrado pela posição de alguns companheiros que, em forma e sob responsabilidade pessoal, publicamente dizem que as FARC não podem participar no Foro, por ser uma organização alçada em armas. A luta armada não se criou por decreto e tampouco se acaba por decisão similar, é a expressão de um povo que sofreu a devastação de sua população em mais de um milhão de pessoas que, nestes 60 anos, foram assassinadas, é a expressão dos milhares de militantes que foram assassinados do Partido Comunista e da União Patriótica, é a expressão de milhares de sindicalistas que foram assassinados nestes últimos anos. 

Aos companheiros que pensam que não podemos participar, fraternalmente os convidamos a que nos acompanhem, não no acionar militar ao que as circunstâncias nos obrigaram, pois sabemos que não a compartem e respeitamos seus pontos de vista, os convidamos a participar da busca da solução política e, para isso, os fazemos partícipes da Plataforma para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional, aprovada por nossa 8ª Conferência realizada em 1993. 

Com esta Plataforma de 12 Pontos convidamos reiteradamente a todos os setores sociais, econômicos e políticos de nosso país para que nos sentemos e, entre todos, construamos a Nova Colômbia. 

Ao Foro, em seu conjunto, o convidamos a que prossiga em seus pronunciamentos e acionar pela solução política ao conflito social e armado na Colômbia, passo importante para alcançar a paz com justiça social pela qual tem lutado e seguirá lutando nosso povo, ao mesmo tempo que é passo necessário para impedir que este conflito possa ser utilizado para que o imperialismo tente ações desestabilizadoras na região. 

Seguimos convidando a todos os partidos políticos, organizações sociais, de estudantes, operários, intelectuais, campesinos, indígenas e a todos os que estejam contra a injustiça, a buscar uma solução política. Convidamos a que nos acompanhem na luta pelo Intercâmbio Humanitário, com o que estaremos abrindo as portas para que centenas de colombianos e colombianas regressem a seus lares para compartir com seus seres queridos. 

COMISSÃO INTERNACIONAL
FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS DA COLÔMBIA
EXÉRCITO DO POVO, FARC-EP
MONTANHAS DE COLÔMBIA, 7 DE JANEIRO DE 2007.”

sábado, 31 de janeiro de 2015

Entrevista com Heitor de Paola: Foro de São Paulo



ENTREVISTA COM HEITOR DE PAOLA, CONCEDIDA A FABIANO GUIMARÃES  E BRUNA SANTANA COMO PARTE DA REPORTAGEM DIALÉTICA DAS ESQUERDAS: O FORO DE SÃO PAULO, PARA O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENSIE, SP


Informaram os entrevistadores que sua reportagem foi um sucesso e estão aprovados. Parabéns aos novos jornalistas!

1 - O Foro foi criado em 1990 para “reconquistar no América Latina o que foi perdido no leste europeu”, segundo o próprio Fidel. Como interpretar essa fala? Quem havia perdido o quê? Em suma, em que Cuba dependia da URSS?
Esta frase não é de Fidel, mas de Lula, apud Marco Aurélio Garcia. Cuba dependia da URSS para absolutamente tudo. A economia cubana estava aos pedaços e a ajuda de mais de 1 bilhão de dólares anuais da URSS era essencial, não para o povo, que continuava miserável,  mas para implementar os mecanismos de controle do Partido Comunista como plataforma de infiltração na América Latina.  Com o fim da ajuda soviética em 1992 o regime soçobrava e abria-se a ameaça de ser derrubado.
Não foi a primeira vez que uma organização continental foi criada para salvar o regime comunista cubano. Em 1966 o então futuro Presidente comunista do Chile, Salvador Allende, fundou a Organización Latinoamericana de Solidariedad (OLAS), cujo objetivo secreto era organizar pequenos grupos armados com instrução de guerrilha e apoiá-los logisticamente para libertar o continente dos governos capitalistas ou contrários ao socialismo.
Note-se bem: não falo em salvar o País, que só será salvo com a derrubada do regime comunista e a implantação da liberdade e democracia. Exatamente o oposto para o qual serviram a ajuda da OLAS e do Foro de São Paulo.
Lula havia prometido mandar ajuda como hoje a Dilma faz, para viabilizar a ditadura cubana no poder, caso fosse eleito em 1989. Com a derrota para Collor foi acionado o “Plano B”, como se diz hoje em dia: a união de todas as organizações comunistas e genericamente esquerdistas da América Latina que foram convocadas para uma reunião em São Paulo. O verdadeiro organizador foi Marco Aurélio Garcia que desde a posse de Lula até hoje ocupa o cargo de “Assessor Presidencial Especial para Política Externa”, o verdadeiro Ministro das Relações Exteriores, os que ostentam este título desde então não passam de fantoches.
Quanto ao que foi perdido no Leste Europeu foi exatamente o fim da URSS e a independência das 15 Repúblicas Socialistas Soviéticas Federadas (Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Estônia, Geórgia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão). Com a desintegração, algumas constituiriam a Comunidade de Estados Independentes (CEI). Além delas, os países satélites submetidos ao jugo soviético desde a invasão do Exército Vermelho durante e após a II Guerra Mundial, que constituíam o que Churchill denominou “Cortina de Ferro”, também se livraram das ditaduras comunistas. A primeira foi a Polônia, cujo sindicato Solidariedade amplamente apoiado pelo Papa polonês João Paulo II e Lech Walesa derrubou o governo comunista. Ainda a Tchecoslováquia, que formou duas repúblicas independentes, a Tcheca e a Eslováquia, a Hungria, Bulgária, Romênia, Iugoslávia, cujas seis unidades eram mantidas unidas pela mão de ferro comunista da Sérvia.
2 - Nos últimos dez anos, uma série de partidos de esquerda ascendeu aos governos da América Latina. Você acredita que essa “onda vermelha” seja obra do Foro de São Paulo? Por quê?
Sem a menor dúvida. É só ler o discurso de Lula na celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo publicado na íntegra em meu site.
“E eu queria começar com uma visão que eu tenho do Foro de São Paulo. Eu que, junto com alguns companheiros e companheiras aqui, fundei esta instância de participação democrática da esquerda da América Latina, precisei chegar à Presidência da República para descobrir o quanto foi importante termos criado o Foro de São Paulo. E digo isso porque, nesses 30 meses de governo, em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990, quando éramos poucos, desacreditados e falávamos muito. Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política. Foi assim que surgiu a nossa convicção de que era preciso fazer com que a integração da América Latina deixasse de ser um discurso feito por todos aqueles que, em algum momento, se candidataram a alguma coisa, para se tornar uma política concreta e real de ação dos governantes. Foi assim que nós assistimos a evolução política no nosso continente”.
E é por isso que eu, talvez mais do que muitos, valorize o Foro de São Paulo, porque tinha noção do que éramos antes, tinha noção do que foi a nossa primeira reunião e tenho noção do avanço que nós tivemos no nosso continente, sobretudo na nossa querida América do Sul. Todas as vezes que um de nós quiser fazer críticas justas, e com todo direito, nós temos que olhar o que éramos há cinco anos atrás na América Latina, dez anos atrás, para a gente perceber a evolução que aconteceu em quase todos os países da nossa América. E eu quero dizer para vocês que muito mais feliz eu fico quando tomo a informação, pelo Marco Aurélio ou pela imprensa, de que um companheiro do Foro de São Paulo foi eleito presidente da Assembleia, foi eleito prefeito de uma cidade, foi eleito deputado federal, senador, porque significa a aposta decisiva na consolidação da democracia no nosso país.
Eu quero dizer uma coisa para vocês: não está longe o dia em que o Foro de São Paulo vai poder se reunir e ter, aqui, um grande número de presidentes da República que participaram do Foro de São Paulo.
É preciso algo mais?
O desmantelamento da guerrilha e do terrorismo esquerdista pela pronta ação dos militares em 64 e principalmente em 68, juntamente com as ações militares no Chile (derrubada do governo comunista de Allende e esfacelamento o do Movimiento Izquierda Revolucionária – MIR), Argentina (destruição da capacidade de fogo dos Montoneros e do Ejército Revolucionário del Pueblo - ERP) e Uruguai (desmantelamento dos Tupamaros), as esquerdas ficaram órfãs. A grande maioria não foi exterminada, como fariam com os inimigos “reacionários” se tivessem conseguido o poder, fugiram e se asilaram em países europeus, africanos e os mais notórios, na Rússia, Tchecoslováquia, China e Cuba. Cuba continuou coordenando as ações de todos eles com os que permaneceram clandestinos em seus países.
3 - Qual é a diferença entre a revolução silenciosa do socialismo do século XXI e as revoluções precedentes, como a cubana e as investidas de 30 e 60 no Brasil?
Na verdade este socialismo do século XXI iniciou-se na década de 50 do século XX. A origem é a “revolução dentro da revolução” levada a efeito pelo estudo da obra de Antonio Gramsci. Os Cadernos e as Cartas do Cárcere foram escritos de forma cifrada para sua cunhada Tatiana Schuch, a qual, junto com o economista Piero Sraffa, professor em Cambridge, manteve os manuscritos e ao retornar à Rússia entregou-os a Palmiro Togliatti, o sucessor de Gramsci como Presidente do Partido Comunista Italiano. Os grandes temas estudados por Gramsci foram a filosofia de Benedetto Croce, a questão dos intelectuais e da educação, Maquiavel e a política moderna, o passado e o presente, o Risorgimento italiano, a literatura e a vida nacional. Togliatti, que fugira para a União Soviética onde houve até uma cidade o homenageando – Togliattigrad, onde mais tarde foi instalada a fábrica soviética da FIAT – compreendeu a importância fundamental dos escritos, traduziu-os para o russo e encaminhou para o Comitê Central e o Politbüro do PCUS onde foram exaustivamente analisados por ordem de Nikita Khrushchëv. A partir de 1964 o estudo foi coordenado pelo ideólogo Mikhail Andreyevich Suslov.
A principal lição foi de que a revolução comunista nada tinha de proletária, era um movimento de intelectuais, latu sensu, em busca do poder. Portanto, não havia mais sentido em revoluções violentas, pois a classe intelectual não tem densidade para isto. Haja vista o total fracasso, p. ex., da guerrilha do Araguaia que não conseguiu mobilizar nenhum proletário ou camponês, ficando nas mãos de meia dúzia de [pseudo-]intelectuais, da mesma maneira que a tentativa de 35 aqui no Brasil (Intentona Comunista). Nos idos de 60 o povo se levantou foi contra a revolução, apoiando em massa a contra revolução [e instando os militares a saírem da caserna para comandar a reação anticomunista].
As experiências russa, vietnamita, chinesa e cubana tiveram características próprias. Na Rússia foi fácil levantar um Exército faminto no qual os soldados eram espancados e tratados como animais [pela] oficialidade [aristocrática] arrogante [de um Império corrupto e prepotente]. [Mesmo assim o golpe de estado bolchevista contra República Russa implantada em fevereiro, golpe eufemisticamente chamado de “revolução”], só foi possível com a ajuda imprescindível do Império Alemão, [uma traição tão a gosto das esquerdas mundiais]. Mesmo assim enfrentaram uma guerra civil demorada e cruenta. No Vietnam e na China houve o enfretamento de potências estrangeiras odiadas (França e Japão) e na última uma força nacionalista corrupta – o Kuomintang. Em Cuba imperavam sucessivos governos comandados pela Máfia de Nova Iorque e Las Vegas.
Além de reformular a teoria de Maquiavel, mostrando que modernamente o Príncipe é o Partido, Gramsci demonstrou que de nada adianta a tentativa violenta da tomada do poder. É preciso primeiramente invadir todos os espaços do aparelho do Estado e da sociedade – universidade (principalmente as disciplinas de filosofia, ética, sociologia, psicologia), escolas secundárias, mídia, empresas estatais, sociedades de psicologia, psiquiatria e psicanálise, forças armadas e, principalmente a maior inimiga da revolução, a Igreja Católica - e toma-los por dentro até que o Partido-Príncipe esteja suficientemente forte para tornar-se hegemônico. O objetivo principal desta fase é a modificação do senso comum. Conseguindo atingir a hegemonia e o senso comum modificado é fácil tomar o poder silenciosamente de forma tal que ninguém perceba que está se entregando sem resistência à revolução comunista.
4 - Em sua opinião, quais são os fatores que explicam ter sido o PT o partido designado a fazer o “chamamento das esquerdas” em torno do Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda, germe do Foro, nos anos 90?
O PT não foi “designado”, foi o fundador do Foro de São Paulo, arquitetado pelo Marco Aurélio Garcia. Toda a ideia do Foro é genuinamente Made in Brazil. Fidel apreciou a dádiva e incentivou Lula.
5 - Comentando o fim do paradigma da luta armada logo após a queda do Muro de Berlim, Roberto Regalado, do PCC, membro fundador do Foro, disse: “O exemplo da esquerda que surgia após a etapa de luta armada foi o PT”. Poderia comentar essa fala?
Exatamente pelas respostas 3 e 4: o PT já foi fundado por um grupo de intelectuais como o “partido-príncipe” seguindo estritamente as normas gramscistas. A razão do PT ter tantas dissidências internas é porque muitos se juntaram a ele sem saber da verdade, acreditando que era um partido revolucionário à antiga, assim como o PCdoB, PSTU, etc. Alguns intelectuais não estavam também informados do conceito de ética revolucionária de Gramsci e se decepcionaram com as ações petistas que para os desavisados parece ser pura corrupção. Quem usou o termo “partido ético” conhecendo Gramsci sabia que nada tinha a ver com a ética “burguesa” tradicional que inclui honra, honestidade, lealdade. Os que acreditaram que era esta mesma ética não entenderam que o PT é tão ético hoje como prometia. FHC que conhece bem e aceita a ética revolucionária, embora finja não a praticar, recusou forçar oi impeachment de Lula quando foi denunciado o mensalão porque entendeu perfeitamente que a ética petista não foi sequer arranhada pelas falcatruas que serviam para provimento de caixa ao partido-príncipe. [É de se notar, mais recentemente, a nefasta influência gramscista-petista ao instrumentalizar todos os poderes da República: a renúncia do Presidente do STF até mesmo da Relatoria do “mensalão”, e sua substituição na Presidência e na Relatoria por notórios defensores dos réus, a neutralização das Forças Armadas pela nomeação de Comandantes simpáticos à causa revolucionária e a nomeação de uma petista para Presidente do Superior Tribunal Militar defendendo a revisão da Lei da Anistia. Acrescente-se a instituição pelo Decreto 8243/2014 dos Conselhos (Soviets) ligados ao Executivo e a tomada totalitária do poder em breve estará completa].
Para quê luta armada se é possível conquistar o poder sem um único tiro? Este é o partido “pós-luta armada” por excelência.
6 - Em 2010 o secretário executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar, negou enfaticamente que as Farc tenham algum dia participado das reuniões da instituição. Você acredita nisso? Por quê?
É claro que não concordo porque não passa de uma mentira deslavada de Pomar. Lembrem-se que a mentira é o prato cotidiano dos comunistas. De tanto mentirem as mentiras parecem soar verdadeiras. Não foi Goebbels quem inventou esta expressão, foi Féliks Dzherzhinsky, primeiro chefe da polícia secreta soviética (TCHE-KA).
A primeira representação oficial das FARC no exterior foi em Ribeirão Preto, SP, quando o Prefeito era Antônio Palocci que veio a ser o chefe de campanha de Lula depois da morte suspeita de Celso Daniel. Para o Pomar seria pura coincidência?
Para mais informações basta ler o artigo de Edson Camargo no Mídia Sem Máscara de 20 de julho de 2010. Lá é relatada a entrevista do então segundo homem das FARC, Raúl Reyes, na Folha de São Paulo. Alguns trechos (ênfases minhas):
Folha de S.Paulo - O sr. conheceu Lula?
Reyes - Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.
Folha de S.Paulo - Houve uma conversa?
Reyes - Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.
Folha de S.Paulo - Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?
Reyes - As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Na época do presidente [Fernando Henrique] Cardoso, tínhamos uma delegação no Brasil.
Folha de S.Paulo - O sr. pode nomear as mais importantes?
Reyes - Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...
Folha de S.Paulo - Quais intelectuais?
Reyes - [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.
Vale ler o artigo completo e as referências no livro O Eixo do Mal latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, de minha autoria.
7 - Como você avalia a saída política para o conflito armado na Colômbia?
"Saída política" é o que desejam as FARC, as organizações pró-terroristas e os governos que as apoiam, majoritariamente pertencentes ao Foro de São Paulo. O fim do conflito só pode se dar com a rendição total, incondicional e absoluta, inclusive com entrega das armas por parte dos assassinos. Além disso, não basta desarticular a ala armada das FARC, mas, sobretudo, as alas política, cultural e diplomática que elas mantêm ao redor do mundo, inclusive dentro das universidades. Ademais, as FARC querem se tornar um partido político legal sem pagar uma só hora de cadeia por seus crimes, não querem indenizar suas vítimas (pelas vidas arruinadas, pelas propriedades e bens roubados), pelo número enorme de pessoas arruinadas pelas drogas que elas produzem e traficam e pelas famílias destruídas e muito menos devolver ao Estado o dinheiro fruto do tráfico. E querem entrar para a vida política para, legalmente, transformar a democracia colombiana em um regime criminoso como os vigentes em Cuba e Venezuela. Não há nada de político nas FARC, uma organização criminosa que só pode ser destruída. [Esta resposta se tornou irrelevante após a reeleição de Santos, o aliado das FARC].
8 - Um dos argumentos usados para justificar a anistia das Farc e sua transformação em partido político sustenta que muitos dos partidos de esquerda que hoje são legais também foram considerados ilegais no passado. Como você encara esse raciocínio?
Esse raciocínio é, antes de tudo, injusto e torpe para quem vem ao longo de cinco décadas cometendo atos de terrorismo considerados como crimes de lesa-humanidade, e narcotráfico. São milhares de vítimas diretas assassinadas em atos terroristas ou individualmente, além de uma cifra incalculável de vítimas indiretas pelo tráfico de drogas ao redor do mundo. Vocês se referem à frente Farabundo Martí de Libertación Nacional (FMLN), fundada nos anos 80 em El Salvador como grupo armado e transformado (com a ajuda do Foro de São Paulo) em partido legal nos anos 90 à guerrilha colombiana M-19, que deu origem ao partido "Polo Democrático Alternativo" e aos brasileiros Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), responsável pelo Partido Pátria Livre, e o PCdoB. Nenhum desses bandos terroristas teve vida tão longa, nem deixou um saldo de horror tão devastador quanto as FARC. Portanto, acredito que uma coisa não justifica a outra, nem valida a insanidade da legalização dos outros partidos. Além do mais é muita ingenuidade acreditar que esses partidos tenham realmente se tornado democráticos. Eles apenas aceitam a democracia como meio para acabar com ela assim que tenham maioria.
As FARC não passam de uma quadrilha de bandidos travestida de política. Sua origem é ligada ao Plan Colombia do governo Bill Clinton. Este plano arrasou os tradicionais cartéis de Cali e Medellin e não tocou nas FARC, então um pequeno grupo de bandoleiros lutando para concorrer com os mais poderosos, que recebeu de Clinton o monopólio do narcotráfico e se expandiu enormemente. Não foi um erro de Clinton, foi premeditado: o Departamento de Estado depois da limpeza promovida por Reagan voltou a ser entregue à esquerda do Partido Democrata que está se lixando para a juventude americana que se droga com os “produtos” exportados pelas FARC.
9 - Além de um princípio de “não-exclusão” de organizações-membro devido à sua forma de luta, há também uma declaração do Foro a qual considera os levantes populares e movimentos armados como “patrimônio das esquerdas”. Historicamente, qual é (se há) a relação entre grupos armados e ideologia de esquerda?
Temos que dividir em partes esta pergunta.
1- “Formas de luta” é uma expressão de tal hipocrisia e canalhice que beira a psicopatia. Matar pessoas, droga-las, vicia-las para as escravizarem é forma de luta? [Em sendo] o Fernandinho Beira-Mar é crime hediondo, se for as FARC é “forma de luta”?
2- Há uma confusão entre levantes populares e grupos armados. Nem todos os levantes populares são armados e nem todos os grupos armado são populares. Dois exemplos atuais de levantes genuinamente populares são os dos bravos povos ucraniano e venezuelano. Eles enfrentam grupos armados nada populares: os comandos russos – e pró russos - e os bolivarianos, ambos mercenários. Os dois levantes combatem governos que usualmente se chamam de esquerdistas, portanto é falso que os levantes populares são “patrimônio das esquerdas”.
3- Grupos armados e ideologias de esquerda: se abandonarmos os conceitos de esquerda e direita cujo significado vem da Revolução Francesa, mas foram modernamente modificados por Stalin após a invasão alemã da URSS para criar uma falsa oposição entre nazismo e comunismo, e usarmos o termo revolucionário para ambas as tendências, certamente os levantes armados, populares ou não, são patrimônio dos revolucionários.
O exemplo mais claro do enfrentamento de diversos grupos armados revolucionários aconteceu durante a República de Weimar entre as milícias Spartacistas (da Spartakusbund, precursora do Partido Comunista Alemão) e Comunistas, os Stahlhelm (Capacetes de Aço), Freikorps (grupos de ex-combatentes da I Guerra Mundial) e as SA (Sturmabteilungen) Nazista.
OBS: os trechos entre [ ] foram acrescentados posteriormente.
(Com a colaboração de Graça Salgueiro sobre a América Latina)