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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Queridas crianças, Jesus ama-vos!


Excerto do discurso no encontro com as crianças, em Cotonou, Benin, 19/11/2011

Deus nosso Pai, reuniu-nos ao redor de seu filho e nosso Irmão, Jesus Cristo, presente na Hóstia consagrada durante a Missa. É um grande mistério diante do qual se adora e crê. Jesus, que tanto nos ama, está verdadeiramente presente nos Sacrários de todas as Igrejas do mundo, nos sacrários das Igrejas dos vossos bairros e das vossas paróquias. Convido-vos a visita-lo muitas vezes para Lhe exprimirdes vosso amor.

Alguns de vós já fizestes primeira comunhão; outros estão a preparar-se. O dia da minha primeira Comunhão foi um dos mais belos da minha vida. Porventura não se passou o mesmo convosco? E por quê?

Não foi tanto por causa das roupas lindas, nem dos presentes, nem sequer da refeição da festa; mas sobretudo porque, naquele dia, recebemos pela primeira vez Jesus Cristo. Quando recebo a comunhão, Jesus vem habitar em mim; devo acolhê-Lo com amor e escuta-Lo com atenção. No íntimo do meu coração, posso dizer-lhe por exemplo; “Jesus, eu sei que me amais. Dai-me o Vosso amor para que eu Vos ame e ame os outros com vosso amor. Confio-Vos as minhas alegrias, as minhas penas e meu futuro.”

Não hesiteis, queridas crianças, em falar de Jesus aos outros. Ele é um tesouro, que é preciso saber partilhar com generosidade, Na história da Igreja, o amor de Jesus encheu de coragem e força muitos cristãos, incluindo crianças como vós. Assim São kizito, um rapaz Ugandês, foi morto porque queria viver segundo o Batismo que havia recebido. Kizito rezava; compreendera que Deus não é apenas uma pessoa importante, mas que Ele é tudo.

E o que é a oração? É um grito de amor lançado para Deus, nosso pai, com a vontade de imitar Jesus, nosso irmão. Jesus retirava-se sozinho para rezar. Como Jesus, posso também encontrar cada dia um lugar calmo onde me recolho diante de uma cruz ou de uma imagem sagrada para falar de Jesus e escutá-Lo. Posso também servir-me do Evangelho. Depois, guardo no meu coração uma passagem que me toca e pode orientar durante o dia. Ficar assim algum tempo com Jesus, permite-Lhe encher-me do seu amor, da sua luz e da sua vida.

Este amor que recebo na oração, sou chamado, por minha vez, a dá-los à meus pais, aos meus amigos,  a todos aqueles com quem vivo, mesmo àqueles que não gostam de mim e àqueles de quem não gosto muito. Queridas crianças, Jesus ama-vos. Pedi também aos vossos pais que rezem convosco. Às vezes, é preciso insistir um pouco; não hesiteis em fazê-lo. Deus é tão importante!

Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, vos ensine a amá-Lo cada vez mais através da oração, do perdão e da caridade. Confio-vos todos a Ela, bem como os vosso familiares e educadores. Olhai! Tiro um terço do meu bolso. O terço é uma espécie de instrumento que se pode usar para rezar. Rezar o terço é simples. Talvez já o saibais fazer, senão, pedi aos vossos pais que vos ensinem. Aliás, no fim do nosso encontro, cada um de vós receberá um terço. Com ele na mão, podereis rezar pelo Papa – fazei-o, por favor -, pela Igreja e por todas as intenções importantes. E agora, antes de vos abençoar a todos com grande afeto, rezemos juntos uma Ave-Maria pelas crianças do mundo inteiro, especialmente por aquelas que sofrem por causa da doença, da fome e da guerra. Rezemos então: Ave Maria....

Pax Christi

Diogo Pitta

domingo, 22 de abril de 2012

Sacrifício: a verdadeira prova de amor!


Recentemente li em uma rede social, uma frase que dizia: “Cristo não exigiu que escalássemos o Everest, mas que amássemos uns aos outros”; acho intrigante a necessidade e capacidade que muitos possuem (e a utilizam com maestria) de tirar textos de seus contextos, no intuito de tornarem-se pretextos.

Realmente Cristo nos ordenou que amássemos uns aos outros, porém, as ordenanças de Jesus vão além do exposto. A frase postada nos dá o entendimento de que Cristo exigiu amor e não sacrifício, onde os distintos exegetas poderiam até utilizar corretíssimas passagens bíblicas, onde São João nos diz que: Cristo quer amor e não sacrifício. Diz a frase que Cristo não exigiu que subíssemos o monte Everest, porém o amor a Cristo faria um cristão fiel escalar o Everest! O que nos impeliria ao sacrifício, senão o amor?

Um pai de família não tem metaforicamente que escalar o Everest por amor a sua família? O que se sabe de Cristo até hoje, conhece-se devido à pregação do Evangelho e da tradição de 2000 anos de Igreja. Não há como extrair um ponto da Escritura, sem considerar outros tantos que se inserem em um contexto coerente, do contrário seríamos hipócritas.

Não podemos nos esquecer de que Cristo exigiu-nos Sacrifícios, porém Sacrifícios de amor! “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Eis aí um sacrifício de amor do qual se foge loucamente; a conversão!

Sacrificamo-nos diariamente ao olharmos para nosso interior e vermos o quanto necessitamos de uma sincera conversão (São João 1, 8).

Não podemos desconsiderar o mandado do Senhor, “Quem quiser vir depois mim, tome sua cruz e me siga”. E logicamente, seguir Cristo exige amor e sacrifício, nisto temos conhecido o amor; Cristo deu sua vida por nós (I Jo 3, 16).

A verdadeira prova de amor é o sacrifício pela vida do irmão.

Devemos olhar para nosso irmão e amá-lo, porém antes, devemos cuidar da nossa conversão, caso contrário, como doaríamos algo que não temos? Além do mais, amar não significa estar de acordo com coisas ruins e erradas. Li que “amigo é aquele que está de mãos dadas até quase cair no abismo”; eu ampliaria com uma correção dizendo que o amigo tira-nos do caminho do abismo e nos coloca no caminho de Deus, mesmo que mudar este caminho exija-nos sacrifícios!

Não há como separar a tríade Cristo-amor-sacrifício!

Falarmos de amor Cristão e não querermos falar em sacrifícios agradáveis a Deus é embrenhar-nos num comodismo hipócrita que sequer nos atrevemos a olhar para dentro de nós e vermos o quanto precisamos de conversão, pois se é verdade que Cristo nos ama, e quer que amemo-nos uns aos outros, incontestavelmente também é verdade que Ele quer que o imitemos e tomemos a nossa Cruz diariamente, seja ela do peso que for.

Vale-nos refletir sobre os Santos mártires que certamente não subiram o monte Everest, mais subiram a Deus pelo seu Sangue derramado por não negar a Cristo! São Policarpo de Esmirna subiu a Cristo pela fumaça da fogueira que o queimava! Santo Inácio de Antioquia subiu a Cristo pelos dentes dos leões que o trituravam!

Cristo não escalou o Monte Everest, Cristo escalou por amor, o madeiro da Cruz!

PAX CHRISTI

Diogo Pitta e Raquel Pitta

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VOTO DO PRESIDENTE DO STF ABORTO ANENCÉFALO




O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou nesta quinta-feira o aborto em caso de gestação de feto anencéfalo. O placar do julgamento foi 8 votos a favor e 2 contra a interrupção da gravidez de bebês com má formação no cérebro. A maioria dos ministros entendeu que o procedimento não deve ser considerado abortivo, porque o anencéfalo geralmente morre durante a gestação ou vive por apenas poucas horas após o parto.


O presidente do STF, Cezar Peluso, foi o último a votar. O ministro fez um duro discurso contra o aborto de anencéfalos. Disse que o procedimento é "cruel" e comparável ao racismo. "Todos esses casos retratam a absurda defesa da superioridade de alguns, de raça branca, ariana sobre outros, negros, judeus", disse. "Encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso e superior e detentor de toda a força infringe a pena de morte ao incapaz de pressentir a agressão e de esboçar qualquer defesa", afirmou. 



De acordo com Peluso, o feto anencéfalo deve ser protegido sob a ótica jurídica, porque não deixa de ser humano. "Nesta postura dogmática ao feto, reduzi-lo no fim das contas à condição de lixo, uma coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo à menor consideração ética e jurídica", afirmou. 



Com argumentos filosóficos, o ministro disse que o Direito se vale de conceitos pré-jurídicos. "A própria ideia de morte encefálica pressupõe a existência de vida, não é possível pensar a existência de morte se não estivesse vivo", disse. Para o ministro, o aborto é uma atitude "egocêntrica" da mulher. Segundo ele, o feto não pode ser destruído para amenizar um sentimento de frustração.


PAX CHRISTI

Diogo Pitta

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Não há Páscoa sem a Cruz! A Cruz precede a Ressurreição!


Entristece-me ver pessoas falarem de Páscoa e Semana Santa, sem ao menos saberem o que significa; Falarem da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor, como algo simplório e ameno! Pela Cruz foi-nos dada a Redenção! Não se trata de uma "festinha" qualquer. Para os Católicos, é o período mais importante do ano litúrgico! Não há período que se compare ao Tríduo Pascal! Percebo pessoas de outros respeitáveis credos, proferindo coisas melosas sobre a páscoa, porém, sem qualquer embasamento para tal. Com todo o respeito que nutro por tais denominações, não compreendo como alguém que crê na teoria da reencarnação, pode crer igualmente na páscoa; na Paixão, morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo! Se crê na reencarnação (teoria que não concordo, porém respeito quem a adota), como pode ao mesmo tempo crer na ressurreição? São termos diametralmente opostos! Se houvesse reencarnação, por que motivo Cristo ressuscitaria? E se não crê na Ressurreição, para quê comemorar a Páscoa?  Como dizer que a Páscoa é um festa de todos os Credos, se vivemos num mundo onde se prega veementemente e violentamente a aversão à qualquer coisa que lembre uma Cruz? Como alguém pode referir-se à Paixão de Nosso Senhor, sem querer tocar no tema do sofrimento, pois se foi pelo sofrimento de Jesus pregado numa Cruz que foi-nos dada a Salvação?

O termo paixão, no que se trata, não alude à Paixão pregada pelo mundo; paixões pelos desejos carnais, paixões pelos bens materiais e paixões eróticas, mas refere-se antes de tudo, ao amor de Deus por nós, por ter-nos dado seu Filho, seu único Filho, como expiação de nossos pecados! Deu-nos Jesus, como a aliança perfeita, como cordeiro sem mácula e sem mancha. Não há mais necessidade de outros atos sacrificiais, que como no antigo testamento, utilizavam-se touros ou cordeiros. Para os Cristãos Católicos (que creem Ressurreição; se não creem, não podem denominar-se sequer cristãos!) o "Grande" Sacrifício já foi feito, e atualiza-se em cada Santa Missa, com a imolação do Cordeiro de Deus sobre o altar e pelas mãos do Sacerdote!

Como é próprio dos inimigos da Igreja, “macaqueiam” o que é de Deus, tornam a Páscoa, que deveria ser um momento de reflexão, oração e penitência, num grande mercado da gula onde o que imperam são os sentidos (tema que abordarei posteriormente) e as vontades de corpos mimados por donos mais mimados ainda.

O período que compreende a semana Santa, serve para refletirmos sobre o sentido de nossas vidas, e de fato o sentido de nossas vidas está fora delas.


Irmãos, hoje a Igreja reflete sobre o Lava-pés. Não deixemos que este ato de nosso Senhor seja entendido como uma ação meramente social. Mas creiamos firmemente que, se estivermos dispostos a seguí-Lo do Getsemani até a Cruz, Ele não nos lavará somente os pés, mas a nossa alma inteiramente e nos purificará! Creiamos, que como são os pés partes do corpo que nos conduzem por diversos caminhos, que a água que cai das mãos de Cristo sobre os nossos pés, nos dá discernimento espiritual e humano para refletirmos sobre os caminhos que escolhemos, tanto espirituais como terrenos.  Que seja um conduzir por caminhos espirituais e não terrenos, pois como disse anteriormente, a excelsa razão de nossa vida não está nela, mas fora dela!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Pax Christi

Diogo Pitta

terça-feira, 3 de abril de 2012

A identidade da Liturgia na Era dos Mártires


    O período que chamamos de Era apostólica foi um dos principais momentos da Igreja, sobretudo pela incessante busca pela unidade, tratava-se portanto, de um novo tempo, onde não estavam mais presentes aqui, algum daqueles que poderiam dizer “Eu vi o Mestre”.

   Trata-se de um 2º período da vida litúrgica da Igreja Católica, um momento em que a Igreja primitiva na medida em que se espalha pelo mundo para Anunciar a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo vai se penetrando progressivamente no mundo greco-latino. As comunidades cristãs se afirmam em sua originalidade, já não se preocupam mais em ir a sinagogas não apenas pela perseguição, mas principalmente pela sua própria originalidade. Vale lembrar também que pouco antes deste período, entre os anos 70 e 140 d.C, houve uma grande multiplicação de seitas gnósticas e, por consequência, o surgimento do sincretismo religioso.

    O cristianismo nascente encontrou no gnosticismo um perigoso inimigo que, no interior de suas próprias comunidades, ameaçava e muito a verdadeira identidade cristã.     
        
    Contudo, no decorrer das primeiras décadas deste período, a Igreja não aparece como uma realidade sociológica capaz de levantar certo tipo de problema e preocupação por parte do Império Romano. No entanto, muito cedo, o modo de vida das primeiras comunidades cristãs começam a atrair a atenção dos movimentos pagãos, causando uma repulsa por parte desses movimentos e das pessoas que assim viviam. A causa dessa reação hostil é, sem dúvida, o enfrentamento aberto com a religião dominante, a romana. Além disso, esse ambiente de hostilidade é alimentado pelo judaísmo da diáspora, que não pode perdoar aos judeus-cristãos sua apostasia da antiga fé.

    Já nos séculos II e III a Igreja nascente passa a estruturar-se interna e externamente, e é neste sentido, que surgem os primeiros textos que sugerem orientações litúrgicas, sobretudo na administração dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia.

    No entanto, é a partir do século III que temos talvez a maior e melhor fonte deste tempo a respeito de conhecimento litúrgico com Santo Hipólito de Roma. Foi através dele e de sua defesa da fé católica transmitida pelos apóstolos no seu mais famoso escrito, conhecido como “Tradição Apostólica”, texto este que possibilita perceber a conservação da liturgia da época apostólica.

   Hipólito desenvolve seu texto apoiado na instituição catecumenal para que pudesse haver uma importante ação evangelizadora e principalmente para acolher os novos convertidos e as novas comunidades cristãs de uma melhor maneira. Percebe-se, portanto, uma preocupação que já vinha presente no Novo Testamento. Na entrada no catecumenato, por exemplo, é feito um exame de admissão e triagem dos candidatos, que devem ter um “fiador” (padrinho) cristão reconhecido e este padrinho deve, portanto, ter responsabilidades diante de Deus e da Igreja por este recém convertido, cabendo a ele (o padrinho ) “dar testemunho deles, informando se estão preparados para ouvir a Palavra”.

   Após esta iniciação, segundo Hipólito relata, o catecúmeno deveria começar seu período propriamente catequético, onde  “os catecúmenos devem escutar a Palavra por três anos” . Este período poderia ser encurtado caso algum destes catecúmenos fosse considerado dedicado e atencioso. Concluída esta fase, o catecúmeno estaria pronto para ser batizado, onde mais uma vez o padrinho se apresenta e procura-se saber da vida este catecúmeno e de suas ações no catecumenato, visto que durante este tempo o catecúmeno obteve uma conduta configurada a sua conversão a Cristo, logo ele receberá do Bispo o batismo.

           Os escritos de Hipólito são de grande base para estudarmos a vida litúrgica nos tempos dos mártires. Ele desdobra-se sobretudo na liturgia Eucarística da Igreja primitiva, onde se percebe claramente o zelo e o amor da Igreja primitiva pela Santa Eucaristia. Vale lembrar ainda que o próprio santo Hipólito foi martirizado em Roma  pelo imperador Maximino supostamente junto com o Papa Fabiano, o que demonstra também a sua reconciliação com a Igreja depois de um período de divergências.

          A liturgia no tempo dos mártires é prova viva da fidelidade e da unidade da Igreja Católica nos tempos de perseguição, onde esta se manteve una e fiel alicerçada pelos Santos Sacramentos.


Pax Christi

Diogo Pitta

sexta-feira, 23 de março de 2012

A difamação contra Pio XII




Conheça a verdadeira história sobre o Papa Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial e a tentativa dos comunistas em difamá-lo.

Extraído de padrepauloricardo.org

PAXCHRISTI

Diogo Pitta

domingo, 18 de março de 2012

São Cirilo de Jerusalém - Papa Bento XVI


Estimados irmãos e irmãs!

Estimados irmãos e irmãs!

A nossa atenção concentra-se hoje sobre São Cirilo de Jerusalém. A sua vida representa o enlace de duas dimensões: por um lado, a solicitude pastoral e, por outro, o envolvimento contra a sua vontade nas animadas controvérsias que atormentavam então a Igreja do Oriente. Tendo nascido por volta de 315 em Jerusalém ou arredores, Cirilo recebeu uma óptima formação literária; foi esta a base da sua cultura eclesiástica, centrada no estudo da Bíblia. Ordenado Presbítero pelo Bispo Máximo, quando este faleceu ou foi deposto, em 348 foi ordenado Bispo por Acácio, influente metropolita de Cesareia da Palestina, filoariano, convencido de ter nele um aliado. Por isso, foi suspeitado de ter obtido a nomeação episcopal mediante concessões ao arianismo.
Na realidade, muito cedo Cirilo se confrontou com Acácio não só a nível doutrinal, mas também a nível jurisdicional, porque Cirilo reivindicava a autonomia da própria sede em relação àquela metropolitana de Cesareia. No espaço de cerca de vinte anos, Cirilo conheceu três exílios: o primeiro em 357, com prévia disposição por parte de um Sínodo de Jerusalém, seguido em 360 por um segundo exílio por obra de Acácio, e por fim um terceiro, o mais longo durou onze anos em 367 por iniciativa do imperador filoariano Valente. Só em 378, depois da morte do imperador, Cirilo pôde retomar posse definitiva da sua sede, instaurando entre os fiéis a unidade e a paz.
Em favor da sua ortodoxia, posta em questão por algumas fontes da época, militam outras fontes igualmente antigas. Entre elas a mais autorizada é a carta sinodal de 382, depois do segundo Concílio ecuménico de Constantinopla (381), no qual Cirilo tinha participado com um papel qualificado. Nessa carta, enviada ao Pontífice romano, os Bispos orientais reconhecem oficialmente a mais absoluta ortodoxia de Cirilo, a legitimidade da sua ordenação episcopal e os méritos do seu serviço pastoral, que a morte concluirá em 387.
Dele conservamos vinte e quatro célebres catequeses, que ele expôs como Bispo por volta de 350. Introduzidas por uma Procatechesi de acolhimento, as primeiras dezoito delas são dirigidas aos catecúmenos ou iluminandos (photizomenoi); foram feitas na Basílica do Santo Sepulcro. As primeiras (1-5) falam cada uma delas, respectivamente, das disposições prévias ao Baptismo, da conversão dos costumes pagãos, do sacramento do Baptismo, das dez verdades dogmáticas contidas no Credo ou Símbolo da fé. As sucessivas (6-18) constituem uma "catequese contínua" sobre o Símbolo de Jerusalém, em chave antiariana. Das últimas cinco (19-23), chamadas "mistagógicas", as primeiras duas desenvolvem um comentário aos ritos do Baptismo, as últimas três falam da crisma, sobre o Corpo e Sangue de Cristo e sobre a liturgia eucarística. Nela está incluída a explicação do Pai-Nosso (Oratio dominica): ela funda um caminho de iniciação à oração, que se desenvolve paralelamente com a iniciação nos três sacramentos do Baptismo, da Crisma e da Eucaristia.
A base da instrução sobre a fé cristã desenvolvia-se também em função polémica contra pagãos, judeus-cristãos e maniqueístas. A argumentação era fundada na actuação das promessas do Antigo Testamento, numa linguagem rica de imagens. A catequese era um momento importante, inserido no amplo contexto de toda a vida, em particular a litúrgica, da comunidade cristã, em cujo seio materno acontecia a gestação do futuro fiel, acompanhada pela oração e pelo testemunho dos irmãos. No seu conjunto, as homilias de Cirilo constituem uma catequese sistemática sobre o renascimento do cristianismo através do Baptismo. Ao catecúmeno ele diz: "Caíste na rede da Igreja (cf. Mt 13, 47). Deixa-te, portanto, apanhar vivo; não fujas, porque é Jesus que te prende no seu anzol, para te dar não a morte mas a ressurreição depois da morte. De facto, deves morrer e ressurgir (cf. Rm 6, 11.14)... Morres para o pecado, e vives para a justiça a partir de hoje"(Procatechesi 5).
Sob o ponto de vista doutrinal, Cirilo comenta o Símbolo de Jerusalém com o recurso à tipologia das Escrituras, numa relação "sinfónica" entre os dois Testamentos, chegando a Cristo, centro do universo. A tipologia será incisivamente descrita por Agostinho de Hipona: "O Antigo Testamento é o véu do Novo Testamento, e no Novo Testamento manifesta-se o Antigo" (De catechizandis rudibus 4, 8). No que diz respeito à catequese moral, ela está ancorada em profunda unidade com a catequese doutrinal: o dogma desce progressivamente nas almas, as quais são assim solicitadas a transformar os comportamentos pagãos com base na nova vida em Cristo, dom do Baptismo. A catequese "mistagógica", por fim, marcava o vértice da instrução que Cirilo dava já não aos catecúmenos, mas aos neobaptizados ou neófitos durante a semana pascal. Ela introduzia-os na descoberta, sob os ritos baptismais da Vigília pascal, dos mistérios nele contidos e ainda não revelados. Iluminados pela luz de uma fé mais profunda em virtude do Baptismo, os neófitos estavam finalmente em condições de os compreender melhor, tendo já celebrado os seus ritos.
Em particular, com os neófitos de origem grega Cirilo contava com a faculdade visual, que lhe era congenial. Tratava-se da passagem do rito ao mistério, que valorizava o efeito psicológico da surpresa e a experiência vivida na noite pascal. Eis um texto que explica o mistério do Baptismo: "Por três vezes fostes imersos na água e para cada uma das três fostes imersos, para simbolizar os três dias da sepultura de Cristo, isto é, imitando com este rito o nosso Salvador, que passou três dias e três noites no seio da terra (cf. Mt 12, 40). Com a primeira emersão da água celebrastes a recordação do primeiro dia passado por Cristo no sepulcro, como com a primeira imersão confessastes a sua primeira noite passada no sepulcro, assim como quem está na noite não vê, e quem está no dia goza da luz, assim também vós. Enquanto antes estáveis imersos na noite e nada víeis, ao contrário, reemergindo encontrastes-vos em pleno dia. Mistério da morte e do nascimento, esta água de salvação foi para vós túmulo e mãe... Para vós... o tempo para morrer coincidiu com o tempo para nascer: um só e mesmo tempo realizou ambos os acontecimentos" (Segunda Catequese Mistagógica 4).
O mistério que se deve desvendar é o desígnio de Deus, que se realiza através das acções salvíficas de Cristo na Igreja. Por sua vez, a dimensão mistagógica está acompanhada pela dos símbolos, que expressam a vivência espiritual que eles fazem "explodir". Assim a catequese de Cirilo, com base nas três componentes descritas doutrinal, moral e, por fim, mistagógica , resulta uma catequese global no Espírito. A dimensão mistagógica actua a síntese das duas primeiras, orientando-as para a celebração sacramental, na qual se realiza a salvação do homem todo.
Trata-se, em definitiva, de uma catequese integral, que envolvendo corpo, alma e espírito permanece emblemática também para a formação catequética dos cristãos de hoje.

Papa Bento XVI, Audiência Geral - 27 de Junho de 2007


PAX CHRISTI

Diogo Pitta


quinta-feira, 15 de março de 2012

CPI da VERDADE sobre o ABORTO, JÁ!


Os 82% ou 71% do povo brasileiro contra a liberação do aborto precisam saber toda a VERDADE e merecem respeito. Os Parlamentos brasileiros não podem mais se omitir! Não dá mais para esconder os financiamentos internacionais e interesses assassinos e escusos por trás da campanha a favor do aborto. Precisamos de “comissões da verdade” para DAR VIDA às pessoas e NÃO MORTE. O Senado e a Câmara Federal podem criar CPIs. As Assembleias Legislativas estaduais e as Câmaras Municipais também podem criar CPIs para investigar entidades abortistas sediadas em seus estados e municípios.


CPI da VERDADE sobre o ABORTO, JÁ!

Há várias justificativas para iniciar a CPI DO ABORTO e mostrar a verdadeira face oculta dacultura da morte, da campanha pelo aborto livre.


Maternicídio

Os abortistas usam número mentirosos para assustar o povo e enganar os parlamentares. Já falaram em três milhões, um milhão e, agora, falam em 200 mil mortes maternas por ano. Por esses números teríamos um “maternicídio”. Os abortistas usam o número de curetagens emabortos espontâneos realizados pelo SUS (cerca de 180 mil/ano) para dizer que são abortos clandestinos ou mortes maternas de mulheres negras ou pobres. Verdade: o Ministério da Saúde informou: no primeiro semestre de 2011, foram 705 mortes maternas. Se o número for repetido no segundo semestre, serão 1.410 mortes maternas no ano. Infinitamente menor que 200 mil, um milhão, três milhões! Um genocídio de bebês não salvará a vida de nenhuma gestante. Precisamos dar condições alimentares e de saúde para salvar a vida dessas 1.410 gestantes. 


Falta de Saúde Pública

As mortes maternas acontecem por falta de saúde pública adequada. Em BH, 95,5% das mortes maternas foram causadas por falha no atendimento de saúde, em 2010. Em Brasília, uma gestante ficou com o feto morto em seu útero por oito dias e outra recebeu o feto num vidro. Gestantes ficam abandonadas pelos corredores hospitalares em várias partes do país. A presidente Dilma Rousseff cortou a verba da saúde em mais de 5 bilhões de reais neste ano. As mortes das mulheres pobres, sem atendimento ou nas portas dos hospitais, é um problema defalta de saúde pública. É uma lástima a omissão dos governantes e dos parlamentos com futuro dos brasileirinhos e brasileirinhas. Pergunta-se: impedir que nasçam, matá-los no útero de suas mães será melhor para o Brasil?


Nazismo, preconceito e discriminação

Os abortistas dizem que as mulheres ricas, de todas as cores de peles, têm dinheiro para pagar seus abortos, por isso matariam seus filhos com mais tranqüilidade. Dizem que as mulheres pobres ou negras (usam a cor para vincular suas propostas ao racismo) morrem porque não têm dinheiro para pagar os abortos. As propostas dos abortistas são todas no sentido de assassinar os filhos das mulheres pobres. Os abortistas são adeptos de Hitler, querem criar uma raça brasileira pura, sem filhos de famílias pobres. O Estado é obrigado a dar “assistência aos desamparados” (art. 6º.CF) e saúde para as mulheres pobres, de qualquer cor, para que seus filhos sejam saudáveis. Pergunta-se: um país verdadeiramente rico é um país que mata os filhos dos pobres?


Capitalismo bilionários internacionais

O noticiário informa sobre o financiamento de ONGs e pessoas dedicadas à causa abortista porcapitalistas internacionais bilionários - Fundação Ford – Warren Buffet. Nos EUA abortistas desviaram dinheiro destinado à cura de câncer para praticar abortos. É preciso descobrir como (se legalmente) e quem envia, quem recebe e proibir esse tipo de atividade destinada à matança dos brasileiros. É preciso confiscar esse dinheiro e destiná-lo à saúde. Pergunta-se: podemos deixar dinheiro internactional matar brasileirinhos e brasileirinhas?


Proteção à maternidade

A Constituição Federal diz, em seu artigo 6º., que são direitos sociais “…a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados…”. A gestação se inicia com a fecundação do óvulo. Portanto, é obrigação do Estado dar proteção à gestante e não propor o assassinato de seu filho. Nunca uma mulher precisou de atestado de psicólogo para declarar se ela estava em “condições psicológicas” para dar à luz e manter uma criança. Será que a mulher precisará de autorização do psicólogo para ter filhos ? A maternidade é um dom natural. O Estado, representado pela presidente, os governadores, os prefeitos e os parlamentos têm obrigação de dar proteção à maternidade e dar assistência às gestantes desamparadas (art. 6º.CF), através de um subsídio mensal, pago diretamente a elas, para terem seus filhos com saúde.


Aborto e estupro são crimes hediondos

Em nosso requerimento ao Ministério Público de Guarulhos, demonstramos que o aborto e o estupro são crimes hediondos. No aborto, a vítima, inocente e indefesa, é assassinada por meios cruéis. A alteração do Código Penal pode acontecer, mas para suprimir todas as possibilidades de aborto e garantir vida aos nascituros. O exemplo da deputada federal Fátima Pelaes (vídeo aqui)mostra que não podemos tirar a vida de ninguém. Para os casos de estupro, os governos e os parlamentos podem criar um subsídio financeiro para a mãe, até o nascimento do bebê, e simplificar a adoção, para reduzir o tempo de espera dos adotantes e evitar disputas judiciais entre a mãe adotiva e a mãe biológica.


Direito do nascituro/anencéfalo

O ex-ministro do STF, Eros Grau, sem nenhuma paixão religiosa, demonstra o direito do nascituro, inclusive o anencéfalo, no artigo “Pequena nota sobre o direito a viver”.


Pacto de San Jose da Costa Rica

A Convenção Americana de Direitos Humanos foi promulgada pelo Brasil através do decreto nº. 678/92. O art. 4º prevê o direito à vida e é bastante claro: “1. Toda pessoa tem direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente.” Nos termos do art. 44, da Convenção, se aprovada a liberação do aborto, os organismos de defesa da vida poderão denunciar o Governo Brasileiro junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sediada em Washington, Estados Unidos da América.


Genocídio

A antiga “Convenção Para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”, promulgada pelo Decreto Presidencial n. 30.822, de 06.05.1952, renovada pelo Estatuto de Roma, promulgado pelo Decreto Presidencial nº. 4.388, de 25.09.2002, prevê, no seu art. 6o , o crime de Genocídio: “Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por ‘genocídio’, qualquer um dos atos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal: d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo”. A elaboração de leis que possibilitem o assassinato em massa de filhos de mulheres pobres tem a conotação de impedir nascimentos no seio desse grupo nacional (pobres), podendo levar a denúncias no Tribunal Penal Internacional.
Quem pratica o mal maior, pode praticar todos os outros. O assassinato é o crime maior, pois tiraa vida, o maior bem de uma pessoa. A vida é uma dádiva de Deus. Precisamos acabar com acultura da morte, para reduzir a violência e gerar a paz. Aqueles que propõem a morte dos filhos dos outros ou matam seus próprios filhos perdem os parâmetros morais e podem praticar qualquer outro crime, sem nenhum peso na consciência.


Convocação

Convoco as crianças, os jovens, os adultos, os idosos, os cristãos, de todas as denominações, osnão-cristãos, todos defensores da vida para, no dia 21.03.2012, comparecerem na concentração, a partir das 11:00 horas, na escadaria da Catedral da Sé, em São Paulo, para, em seguida, a partir das 12:30 h, participarem da Manifestação – CPI da Verdade sobre o aborto, já!, em frente aoforum João Mendes, na Praça João Mendes, Centro de São Paulo.


Jesus Cristo nos disse:
“O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10,10) “Eu sou o caminho a verdade e a vida.” (Jo 14,6)
O povo precisa da verdade e da vida!
O Beato João Paulo II nos disse:

Não tenhais medo! Não tenhamos medo!
Dom Luiz Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos

Fonte padrepauloricardo.org

PAX CHRISTI

Diogo Pitta

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oração de Jesus, na iminência da morte


Na nossa escola de oração, na quarta-feira passada falei sobre a oração de Jesus na Cruz, tirada do Salmo 22: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». Agora, gostaria de continuar a meditação sobre a oração de Jesus na Cruz, na iminência da morte, hoje pretendo reflectir sobre a narração que encontramos no Evangelho de são Lucas. O evangelista transmitiu-nos três palavras de Jesus na Cruz, duas das quais — e primeira e a terceira — são preces dirigidas explicitamente ao Pai. A segunda, ao contrário, é constituída pela promessa feita ao chamado bom ladrão, crucificado com Ele; de facto, respondendo ao pedido do ladrão, Jesus tranquiliza-o: «Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 43). Assim, na narração de Lucas estão entrelaçadas sugestivamente as duas orações que Jesus em agonia dirige ao Pai e o acolhimento da súplica que lhe é dirigida pelo pecador arrependido. Jesus invoca o Pai e ao mesmo tempo ouve o pedido deste homem que muitas vezes é chamado latro poenitens, «o ladrão arrependido».
Meditemos sobre estas três preces de Jesus. Ele pronuncia a primeira imediatamente depois de ter sido pregado na Cruz, enquanto os soldados dividem entre si as suas vestes, como triste recompensa do seu serviço. Num certo sentido, é com este gesto que se encerra o processo da crucifixão. São Lucas escreve: «Quando chegaram ao lugar chamado Calvário crucificaram-no, a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem!”. Depois, lançaram a sorte para dividirem as suas vestes» (23, 33-34). A primeira oração que Jesus dirige ao Pai é de intercessão: pede o perdão para os seus algozes. Com isto, Jesus cumpre pessoalmente quanto tinha ensinado no sermão da montanha, quando disse: «Digo-vos, porém, a vós que me escutais: amai os vossos inimigos, fazei o bem a quantos vos odeiam» (Lc 6, 27), e também tinha prometido àqueles que sabem perdoar: «A vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo» (v. 35). Agora, da Cruz, Ele não só perdoa os seus algozes, mas dirige-se directamente ao Pai, intercedendo a favor deles.
Esta atitude de Jesus encontra um «imitador» comovedor na narração da lapidação de santo Estêvão, primeiro mártir. Com efeito Estêvão, já próximo do fim, «de joelhos, bradou com voz forte: “Senhor, não lhes atribuas este pecado”. Dito isto, adormeceu» (Act 7, 60): esta foi a sua última palavra. É significativo o confronto entre a prece de perdão de Jesus e a do protomártir. Santo Estêvão dirige-se ao Senhor ressuscitado e pede que a sua morte — um gesto definido claramente com a expressão «este pecado» — não seja atribuída aos seus lapidadores. Na Cruz, Jesus dirige-se ao Pai e não pede só o perdão para os seus crucificadores, mas oferece também uma leitura de quanto está a acontecer. Com efeito, segundo as suas palavras, os homens que O crucificam «não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Ou seja, Ele põe a ignorância, o «não saber», como motivo do pedido de perdão ao Pai, porque esta ignorância deixa aberto o caminho para a conversão, como de resto acontece nas palavras que pronunciará o centurião quando Jesus morre: «Verdadeiramente, este homem era justo» (v. 47), era o Filho de Deus. «Permanece uma consolação para todos os tempos e para todos os homens o facto de que o Senhor, quer a respeito daqueles que realmente não sabiam — os algozes — quer de quantos sabiam e O condenaram, põe a ignorância como motivo do pedido de perdão — vê-o como porta que pode abrir-nos à conversão» (Jesus de Nazaré, II, 233).
A segunda palavra de Jesus na Cruz, citada por são Lucas, é de esperança, é a resposta ao pedido de um dos dois homens crucificados com Ele. Diante de Jesus, o bom ladrão toma consciência de si mesmo e arrepende-se, compreende que está diante do Filho de Deus, que torna visível a Face do próprio Deus, e pede-lhe: «Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino» (v. 42). A resposta do Senhor a este pedido vai muito além da súplica; com efeito, Ele diz: «Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso» (v. 43). Jesus está consciente de entrar directamente em comunhão com o Pai e de reabrir ao homem o caminho para o Paraíso de Deus. Assim mediante esta resposta dá a esperança firme de que a bondade de Deus pode tocar-nos até no último instante da vida, e a prece sincera, mesmo após uma vida errada, encontra os braços abertos do Pai bom, que espera a vinda do filho.
Mas meditemos sobre as últimas palavras de Jesus moribundo. O evangelista narra: «Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde. O sol eclipsou-se e o véu do templo rasgou-se ao meio. Dando um forte grito, Jesus exclamou: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”. Dito isto, expirou» (vv. 44-46). Alguns aspectos desta narração são diferentes em relação ao contexto oferecido em Marcos e Mateus. As três horas de escuridão em Marcos não são descritas, enquanto em Mateus são ligadas a uma série de vários acontecimentos apocalípticos, como o tremor de terra, a abertura dos sepulcros e os mortos que ressuscitam (cf. Mt 27, 51-53). Em Lucas, as horas de escuridão têm a sua causa no eclipsar-se do sol, mas nesse momento verifica-se inclusive a laceração do véu do templo. Deste modo, a narração lucana apresenta dois sinais, de certo modo paralelos, no céu e no templo. O céu perde a sua luz, a terra desaba, enquanto no templo, lugar da presença de Deus, se rasga o véu que protege o santuário. A morte de Jesus caracteriza-se explicitamente como evento cósmico e litúrgico; em especial, marca o início de um novo culto, num templo não construído por homens, porque é o Corpo do próprio Jesus, morto e ressuscitado, que congrega os povos, unindo-os no Sacramento do seu Corpo e Sangue.
A prece de Jesus neste momento de sofrimento — «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» — é um brado forte de confiança extrema e total em Deus. Tal oração expressa a plena consciência de não estar abandonado. A invocação inicial — «Pai» — recorda a sua primeira declaração, quando tinha doze anos. Então, permaneceu por três dias no templo de Jerusalém, cujo véu agora se rasgou. E quando os pais lhe manifestaram a sua preocupação, respondeu: «Por que me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 49). Do início ao fim, o que determina completamente o sentir de Jesus, a sua palavra, o seu gesto, é a relação singular com o Pai. Na Cruz, Ele vive plenamente no amor esta sua relação filial com Deus, que anima a sua oração.
As palavras proferidas por Jesus, após a invocação: «Pai», retomam uma expressão do Salmo 31: «Nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Sl 31, 6). Estas palavras não são uma simples citação, mas manifestam ao contrário uma decisão firme: Jesus «entrega-se» ao Pai num gesto de abandono total. Estas palavras são uma prece de «entrega», cheia de confiança no amor de Deus. A oração de Jesus diante da morte é dramática, como o é para cada homem, mas ao mesmo tempo está imbuída da calma profunda que nasce da confiança no Pai e da vontade de se entregar totalmente a Ele. No Getsémani, quando começou a luta final e a oração mais intensa e estava para ser «entre nas mãos dos homens» (Lc 9, 44), o seu suor tornou-se «como gotas de sangue que caíam na terra» (Lc 22, 44). Mas o seu Coração obedecia totalmente à vontade do Pai, e por isso «um anjo do céu» veio confortá-lo (cf. Lc 22, 42-43). Ora, nos últimos instantes, Jesus dirige-se ao Pai, dizendo quais são realmente as mãos às quais Ele entrega toda a sua existência. Antes de partir em viagem rumo a Jerusalém, Jesus tinha insistido com os seus discípulos: «Prestai bem atenção ao que vou dizer-vos: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens» (Lc 9, 44). Agora que a vida está para O deixar, Ele sela na prece a última decisão: Jesus deixou-se entregar «nas mãos dos homens», mas é nas mãos do Pai que entrega o seu espírito; assim — como diz o evangelista João — tudo se cumpre, o supremo gesto de amor é levado até ao fim, ao limite e mais além.
Caros irmãos e irmãs, as palavras de Jesus na Cruz nos últimos instantes da sua vida terrena oferecem indicações exigentes para a nossa oração, mas abrem-na inclusive a uma confiança segura e a uma esperança firme. Jesus, que pede ao Pai para perdoar quantos O crucificam, convida-nos ao difícil gesto de rezar também por aqueles que são injustos para connosco, que nos prejudicaram, sabendo perdoar sempre, a fim de que a luz de Deus possa iluminar o seu coração; e convida-nos a viver, na nossa oração, a mesma atitude de misericórdia e de amor que Deus tem por nós: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», recitamos diariamente no «Pai-Nosso». Ao mesmo tempo Jesus, que na hora extrema da morte se confia totalmente nas mãos de Deus Pai, comunica-nos a certeza de que, por mais duras que sejam as provas, difíceis os problemas, pesado o sofrimento, nunca estaremos fora das mãos de Deus, das mãos que nos criaram, que nos sustêm e que nos acompanham no caminho da existência, porque guiadas por um amor infinito e fiel. Obrigado!

Papa Bento XVI – Audiência Geral – 15 de Fevereiro de 2012

Fonte: vatican.va

PAX CHRISTI

Diogo Pitta

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Onde está Deus?


O momento mais terrível da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve ter sido no instante em que no tormento extremo da Cruz, gritou em alta voz; “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?” É uma frase de um salmo, na qual, Israel sofredor, maltratado e insultado por causa de sua fé, brada perante Deus seu sofrimento. Mas esse grito de oração de um povo para qual a sua eleição, a sua parceria com Deus se tornou uma maldição, recebe todo o seu terror apenas na boca daquele que é a proximidade salvadora de Deus entre os homens.


Se ele se tem por abandonado por Deus, onde ainda se poderá achar Deus? Não é isso verdadeiramente o eclipse do Sol da história, no qual apagou-se a luz do mundo? Mas hoje o eco desse grito ressoa mil vezes multiplicado nos nossos ouvidos: o inferno dos campos de concentração, das frentes de batalha da luta de guerrilha, dos quarteirões de famintos e desesperados: Onde está Deus? Por que pudeste criar tal mundo? Por que podes ficar vendo como, muitas vezes, precisamente as tuas criaturas mais inocentes sofrem de modo mais terrível, são levadas como ovelhas para o matadouro, não podendo abrir a boca?

A antiga pergunta de Jó adquiriu uma insistência como dificilmente chegou a atingir antes. É verdade que por vezes toma um tom bastante exagerado, dando no fundo uma satisfação má; Assim, quando os jornais de estudantes de todas as partes copiam arrogantemente o que lhes foi pregado: que num mundo que teve de aprender os nomes Auscwitz e Vietnã, não se pode mais falar seriamente do Bom Deus! Mas os tons falsos, que demasiadamente frequentes, não eliminam a legitimidade da questão – na nossa hora da história todos parecemos transportados verdadeiramente àquele ponto na Paixão de Jesus, no qual ela se torna o brado de socorro ao Pai; “Meu Deus, Meus Deus, por que me abandonastes?”

Que dizer a isso? No fundo, é uma pergunta a que não se pode responder com palavras e argumentos, por que atinge uma profundidade que o intelecto só e a palavra pronunciada por ele não podem alcançar: O fracasso dos amigos de Jó é o destino necessário de todos que aqui, positiva ou negativamente, com pensamentos e palavras eruditas, creem poder resolver a questão. Ela só pode ser suportada, sofrida, com Jesus, perto de Jesus que sofreu por todos nós e conosco! Pensar arrogantemente que ela esteja liquidada – seja no sentido das revistas de estudantes, seja no sentido da Apologética  Teológica – só pode conduzir a um desvio do ponto central. 

Joseph Ratzinger - Dogma e Anúncio, Editora Loyola - p. 284-285

PAX CHRISTI

Diogo Pitta

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Marxismo Cultural e Revolução Cultural - Terceira Aula



A Primeira Guerra Mundial representou uma crise teórica para o marxismo, pois este esperava que os trabalhadores se unissem contra seus empregadores, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário: os trabalhadores se uniram uns contra os outros. A grande pergunta que surgiu foi a seguinte: quem alienou os trabalhadores desta forma? Um alienado, segundo o marxismo, é alguém que renunciou aos seus direitos de classe para dá-los a outra pessoa. Quando ele para de lutar pelos seus direitos de classe, está servindo a outra classe. Quem alienou o proletário, o pobre? A resposta do marxismo: a civilização ocidental.
Dois pensadores diferentes encontraram a mesma resposta para o dilema da alienação: o primeiro foi Antonio Gramsci, que na URSS viu os limites da teoria marxista, tomando consciência da necessidade da mudança de cultura para a implantação da mentalidade socialista; o outro foi Georg Lukács, que em união com Felix Weil, fundou, em 1923, o Instituto para Pesquisa Social , contando também com a colaboração de outros pensadores, tendo como objetivo o estudo da civilização ocidental com o intuito de destruí-la. Este Instituto também ficou conhecido como escola de Frankfurt, tendo como principais membros Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Wilhelm Reich.
Fonte: padrepauloricardo.org
PAX CHRSITI
Diogo Pitta

sábado, 14 de janeiro de 2012

Marxismo Cultural e Revolução Cultural - Segunda Aula


Como visto na aula anterior, Marx já havia identificado uma problemática cultural na alienação do proletariado, ao dizer que a religião é o ópio do povo. Isso foi analisado de forma mais sistemática por Antonio Gramsci, que vivenciou toda a crise teórica do comunismo após a I Guerra. Esta crise do marxismo gerou 2 filhos: o fascismo e o marxismo cultural, cada um deles com uma proposta bastante clara para chegar aos seus objetivos de dominação.

Fonte: padrepauloricardo.org

PAX CHRISTI

Diogo Pitta

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mensagem ao Deputado Jean Wyllys


Senhor Jean Wylliis, Bom dia!  Espero que esteja bem! Seguirei suas regras para publicações no FaceBook, pois percebo que lhe agradam debates sadios sobre os mais variados temas atuais, não é mesmo? Seguindo as regras da boa educação, apresento-me; meu nome é Diogo Pitta, um membro da Igreja Católica Apostólica Romana e amo a minha Igreja! Recentemente, chegou ao meu conhecimento uma série de impropérios, que segundo as fontes, foram ditos pelo senhor, a respeito do Papa Bento XVI, Pastor e chefe da Igreja Católica, alcunhando-o inclusive de Genocida em potencial... Causou-me certo espanto, o senhor, que exerce um cargo de tamanha evidência e importância, referir-se desta forma à um homem que antes de tudo, é um chefe de Estado e um catedrático, e que nada tem feito além de pregar a Paz no mundo, e isto é inegável à qualquer um que tenha um mínimo de honestidade. Prezado Deputado, Nós não odiamos a classe a qual o senhor tão destemidamente representa, apenas acreditamos em algo contrário ao que o senhor prega e defende, isso é crime? Vale lembrar, que não criticamos uma raça étnica, mas um comportamento! Por que os vossos comportamentos são os únicos que são, se assim posso dizer, incriticáveis? Por que não podemos nós católicos, termos os mesmos afagos legais, que o senhor tanto defende à sua classe? Caso o tivéssemos, certamente o senhor sofreria os rigores da Lei por referir-se ao Papa Bento XVI de forma tão desonrosa. Porém, adianto-me, e dou a devida resposta à última questão; nós, a Igreja Católica, cremos a lei deve ser igual para todos, sem distinção, e não importa a sua opção pela conduta homossexual, não importa sua raça, sua crença religiosa ou seu time de coração, nós os amamos, porém, urge dizer que que não amamos vossa conduta! Isso é crime? Sou um criminoso hediondo por ter uma opinião ou convicção contrária á sua? Somos Criminosos ou genocidas por pensarmos de forma diferente da sua? A Igreja católica tem firme convicção que para que uma sociedade seja realmente justa é preciso que hajam divergências de opiniões sendo respeitadas; porém, por que NINGUÉM pode divergir da sua sem ser tido por criminoso? Ir em mão contrária à sua é ser "genocida em potencial"?
Prezado Deputado, não refira-se mais à períodos da Inquisição, pois beira a infantilidade e total ignorância Histórica, pois nem os mais mortais inimigos da Igreja, utilizam mais esse argumento, por favor tenha discernimento! Como alguém que exerce um cargo de representação do povo e de grande evidência, exijo do senhor, Deputado, mais respeito com o nosso Pastor e chefe, chefe de um estado soberano, o Santo Padre Papa Bento XVI, pois o mesmo, pelo magistério da Igreja, NUNCA referiu-se à vossa amada classe de forma tão desrespeitosa, como agora o Sr. refere-se à ele; pelo contrário, expressou em documentos magisteriais o amor que nutre pelos homens e mulheres homossexuais, porém, sem deixar de afirmar a opinião da Igreja sobre suas condutas.  Bom, Deputado, segui todas as suas regras, logo, não há motivos para apagar minha mensagem, a não ser que algo que eu tenha escrito lhe incomode muito. Incomoda?

Cordialmente,

Diogo Pitta, Católico, apostólico Romano, Fiel ao Papa Bento XVI, representante legítimo de Cristo na terra.

PAX CHRISTI

Diogo Pitta