Translate

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Obama e Cuba: uma nota.

Uma das grandes dificuldades que geralmente encontramos, nós, quando empreendemos na tentativa de explicar o que é o comunismo e o marxismo cultural, e como ele atua diante de nossas barbas, sem que a maioria se dê conta minimamente de que ele exista, é dicotomizar aquela clássica imagem da cortina de ferro e da economia fechada no melhor estilo URSS, enfim, o comunismo real, daquilo que realmente é o Comunismo atualmente e o Marxismo Cultural. No entanto, o dito "comunismo real" é inviável e insustentável, existindo apenas - e sabe-se lá por quanto tempo - na Coréia do Norte. 

Recentemente, Barack Obama tomou iniciativas para uma re-abertura das relações econômicas com o regime castro-comunista de Cuba. Há aqueles, inclusive eminentes autoridades eclesiásticas, que louvaram tal ato como se o Presidente dos EUA devesse ser erigido aos píncaros da caridade Franciscana. Um regime comunista abrir-se economicamente não é nenhuma novidade. Na década de 30, Joseph Stalin criou na URSS a NEP (New Economic Politics), pois percebia que o inferno que criara, não demoraria muito, extinguir-se-ia por inanição econômica, logo, precisava abrir-se, ao menos temporariamente ao livre mercado para poder sustentar suas peripécias ditatoriais satânicas, sem que para isso, reduzisse um milímetro sequer das desgraças oriundas de sua ojeriza à democracia. 

O mesmo sucede-se com Cuba: abre sensivelmente suas relações econômicas para a "caridade" Obamista, mas nem em sonhos (ou pesadelos) passa pela cabeça de Raúl e Fidel Castro, presentear os cubanos com aquilo que mais lhes é necessário: a liberdade; seja esta, econômica, religiosa, intelectual ou política. 

O que é o programa dito "Mais Médicos", senão um financiamento dado ao regime castrista pelas nações que alinham-se ideologicamente com seu maldito regime comunista?

O Comunismo sempre precisou servir-se, como um parasita, das grandes economias para se sustentar; o comunismo atua como um câncer; uma neoplasia, que como toda célula, precisa de sangue para crescer e se alimentar; isto mesmo! O comunismo é um Câncer!

Barack Hussein Obama, nada mais fez do que alimentar um câncer, e dar-lhe mais tempo e poder para infernizar a vida dos cubanos!

sábado, 25 de outubro de 2014

Carta à candidata Dilma.

“Os responsáveis também pelas injúrias e calúnias devem ser punidos. Por que não se pode tratar assim a presidenta três dias antes da eleição!” 

Olá, Presidente, como vai sua pressão arterial?

Assim disse a senhora, em repúdio à denuncia da revista “Veja”, de que em depoimento à PF, o doleiro Alberto Youssef teria dito que a senhora e Lula sabiam de todo o esquema de desvio de dinheiro da estatal. 

Pergunto-me: Por quê não pode, Presidente? Por que não se pode apontar-lhe o dedo na cara e acusar-lhe de um crime, e por esta acusação, ser devidamente julgada, e quem sabe (assim Deus o queira) presa? Acaso seria a Presidência da República imbuída de infalibilidade e onipotência? 

É importante ressaltar que da mesma forma que se deve provar que a senhora realmente sabia dos desvios, pois a quem afirma cabe o ônus da prova, urge que a presidente prove que não sabia, o que creio ser deveras complicado, pois dada a sua posição proeminente na estatal, é praticamente impossível que esta robusta quantia tenha passado pelas suas barbas sem que ao menos tivesse sentido o “cheirinho” do dinheiro... 

Por enquanto, Presidente, se eu fosse a senhora, investiria forças não em processar a revista “Veja”, pois ela está no seu papel; mas para tentar não ir para a cadeia, lugar esse para onde já deveriam ter ido a senhora e toda a sua corja de abutres fétidos!

A hegemonia do PT acabou, presidente! Perdeu-se o medo de afrontar o monstro vermelho! O Foro de São Paulo há de desmantelar-se e ruir todo o império de estupro das consciências que seu partido construiu por 12 malditos anos! 

Seja lá qual for o resultado das eleições, o Comunismo não há de fincar raízes em solo Brasileiro, pois há brasileiros nestas terras que conhecem o que há sob sua máscara de salvadora e redentora dos pobres; na verdade, sob esta máscara, há o mais pútrefo dos monstros! Não a odeio, presidente, pois aprendi com a Santa Igreja Católica a amar o pecador, mas odiar com todas as minhas forças o pecado. Mas sua ideologia comunista, pecado dos mais mortais, esta sim eu odeio e hei de lutar contra ela, a exemplo de centenas de milhares de católicos melhores do que eu. 

Seja lá qual for o resultado do pleito, nós não queremos a Senhora como Presidente desta nação! 

Afirmo: seja lá qual for o resultado do pleito de amanhã, a minha felicidade e a de muitos brasileiros (mais do que a senhora pensa) será vê-la a senhora e o sr. Luis Inácio Lula da Silva algemados e presos! 

Passar bem!

Errata

Na última postagem, errei o nome do doleiro do esquema do Petrolão, chamando-o de Carlos, quando seu nome é Alberto. O erro foi corrigido. 

Aécio, Dilma, e o Foro de São Paulo

Amanhã, dia 26 de outubro de 2014, o brasileiro vai às urnas para decidir – uns consciente, outros inconscientemente – se o Brasil permanecerá sob a égide da democracia, sob as cores verde e amarelo, ou se permanecerá sob o manto vermelho, que aos poucos, e agora não tão veladamente assim, o Partido dos Trabalhadores (PT) tenta empurrar goela abaixo do povo brasileiro. O vermelho é a cor oficial com a qual tradicionalmente travestem-se os regimes comunistas e seus sequazes. Não coincidentemente, é a cor que reina absoluta, salvas algumas raras exceções, no guarda roupa de Dilma Roussef, candidata à reeleição para a Presidência da República. Basta ter um tiquinho de cultura e honestidade intelectual para constatar que o vermelho comunista remete-nos imediatamente ao sangue que regou o solo do mundo desde o início do Século.

Ontem, em debate na rede Globo de Televisão, aconteceu o último debate de presidenciáveis antes das eleições de segundo turno, e o que se viu não foi um debate! De forma alguma! Para que haja um debate, ambas as partes devem estar em condições próximas de formação intelectual e de posse de informações. Além do mais, a premissa básica para um debate é a busca pela verdade. Notoriamente, era abissal a distância intelectual entre Aécio e Dilma. Aécio, com a excelente oratória que lhe é peculiar e com a versatilidade com que faz suas colocações, fez visivelmente balançar as estruturas emocionais de Dilma, fazendo com que eu tivesse a impressão de que a qualquer momento, Dilma, debulhar-se-ia em lágrimas.

Aécio, deixando o chumbo grosso para o último debate, iniciou suas investidas questionando a candidata sobre o caso do mensalão da Petrobras, onde o Doleiro do esquema, Alberto Youssef, havia dito, segundo a Revista Veja, em depoimento à Polícia Federal, que Dilma e Lula sabiam de todo o esquema de desvio de dinheiro da estatal. Perguntou Aécio: “ A senhora sabia?” Ora, a resposta de Dilma coerente à questão, foi substituída por uma série de ataques à Revista Veja e promessas de processo judicial contra a Revista, alegando calúnia. Vejamos: precisávamos de uma delação do doleiro para saber que Dilma sabia de todo o esquema? Dilma ocupava um alto posto na estatal, e foi Ministra Chefe da Casa Civil. Como pode tão robusta quantia ser desviada sem que se aperceba aquela que por muitos é tida como “Mão de Ferro”?

Em seguida, Aécio questionou Dilma sobre o financiamento do porto de Mariel, em Cuba. E neste momento, Dilma ficou visivelmente perturbada, pois não estava preparada para responder à tão desconcertante questão. O governo Brasileiro deu de presente ao regime comunista dos irmãos Castro, alguns Milhões de reais, (isto, sem contar o programa "Mais Médicos", que é o meio pelo qual se sustenta o inferno socialista dos Castro) para a construção de porto e aeroporto  em Cuba. O Porto serviu para recentemente transportar armamentos para a coréia do Norte..  Mas por quê Dilma colabora tanto com as ditaduras comunistas?

Em 1990, reuniram-se em Havana, Cuba, Fidel Castro, o então comandante das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Manuel Marulanda, Raul Reyes e Lula (PT), para a fundação de um Forum, onde reunir-se-iam todos os partidos socialistas da América Latina para definirem metas a longo prazo para a implantação do Comunismo na América Latina. O primeiro encontro deste Forum, foi em São Paulo. Daí o nome de Foro de São Paulo. Eis o site do Foro e aqui, as atas do Foro de São Paulo. O Foro de São Paulo tenta de forma paulatina, fazer ressurgir na América Latina, aquilo que havia sido perdido no Leste Europeu, com a dissolução da URSS, pois com sua extinção, os partidos sentiram-se como que órfãos, e este sentimento seria minimizado pela formação das União das Repúblicas Soviéticas da América Latina




Tudo é muito sutil, mas não menos pernicioso.

Para saber mais sobre o Foro de São Paulo e sobre as ações de seus asceclas, acessem o blog da Graça Salgueiro, o nota latina. O Nota Latina é o único veículo confiável para nos informarmos sobre política latino-americana.


O Candidato Aécio Neves queria saber o porquê de tantos investimentos em Cuba: eis a resposta, candidato! É devido aos compromissos firmados com o Foro de São Paulo!

domingo, 5 de outubro de 2014

Ludwig Van Beethoven - Sinfonia No 9 em D menor, Opus 125 Coral

Podemos inteligir algo sobre a existência de Deus, segundo Santo Tomás de Aquino, através das coisas sensíveis, onde estas, atuam como símbolos que apontam-nos a um Simbolizado; como ícones que refletem algo da Majestade Divina. Deste modo, Deus mostra algo de Si aos homens, para que atraídos pela Suma Beleza, creiam e O busquem.
Creio que um dos meios dos quais serve-Se Deus para mostrar-nos algo de Si é a Música. Falo de boa música!

Embora não seja afeito ao período compreendido entre o final do Classicismo do século XVIII e o Romantismo no Século XIX, tenho apreciado algumas peças de um compositor que marca este período com seu tom revolucionário. Este, é Ludwig Van Beethoven, e gostaria de partilhar uma peça em especial; uma sinfonia que pode ser considerada como a obra apical de sua trajetória: a 9 º Sinfonia em D menor, opus 125 para Coral. Esta adquire maior relevância pelo fato de ter sido a primeira vez em que um coral foi inserido num movimento de sinfonia.


Espero que apreciem.



A ignorância entre os cristãos


I — As causas da ignorância

O presente século (século XIX — N.T.) concedeu a si mesmo o faustoso título de “século das luzes”. A pretensão é manifesta, o direito não é tão claramente demonstrado. O século XIX não mudou em nada as condições da humanidade dos séculos anteriores; e, se bem que tenhamos a honra (?) de sermos filhos deste grandioso século XIX, no entanto a verdade é que somos filhos de Adão, e que nascemos trazendo conosco o pecado original e o que dele decorre, a ignorância e a concupiscência.


A ignorância! não somente a simples ignorância que é o não-saber, mas a ignorância combinada com a dificuldade de aprender, com a repugnância em fazer esforço para chegar a saber: esta chaga é grande, e em todos os homens ela produz frutos e frutos muito amargos, é preciso convir, mas são frutos que a maior parte dos homens carrega com uma resignação fácil demais e muitas vezes com uma satisfação que se poderia tomar como sinal de uma felicidade idiota.

Os cristãos nascem homens, e humanamente são vítimas da ignorância, a menos que, por felizes circunstâncias, uma educação cuidada, digamos melhor, a menos que a graça de Deus venha tirá-los do estado infeliz em que todos caímos em Adão. A queda, ai de nós, é natural, o reerguer-se é sobrenatural. Reflitamos no estado das populações que permaneceram estranhas ao cristianismo na Ásia, África, Oceania, e teremos uma prova manifesta do que nós dizemos.

* * *

É portanto por uma graça de Deus que as populações cristãs são retiradas da ignorância. O conhecimento de Deus, de nossa criação, de nossa natureza de homens, de nosso fim sobrenatural são luzes muito puras e sobrenaturalmente poderosas para nos retirar da ignorância.

A noção de Deus criador e fim supremo da criatura, é o grande instrumento da luz intelectual; é o sol das inteligências. Saber que Deus é a causa primeira de tudo que é; que Ele é nosso fim, especialmente de nós, criaturas inteligentes; eis o princípio verdadeiro da verdadeira luz, a base sólida de toda instrução. Aí temos um ponto de partida assegurado: aí temos o termo obrigatório de nossa existência; e com esses dois dados, que são imensos para nossas inteligências, nós podemos e devemos orientar nossos espíritos, dirigir nossos pensamentos, regular nossas vontades e nossas afeições, ordenar nossa vida de modo a chegar ao fim que Deus nos assinalou.

* * *

Esta é a ciência da vida: a única indispensável, ciência que nenhuma outra pode substituir e que, se necessário, pode dispensar todas as outras.

O homem só é verdadeiramente instruído quando sabe regular sua vida e regula-la de modo a atingir seu fim. Os conhecimentos mais profundos, os mais variados, os mais raros, não tiram o homem da ignorância se não o ajudam a atingir seu fim. Também há homens que, sob certos aspectos, são verdadeiros sábios; eles sabem línguas, letras, a história, as ciências; e com tudo isso, não tendo a ciência da vida, são realmente ignorantes, e diante de Deus, o Pai das luzes, estão mergulhados em profundas trevas.

Insensíveis à sua própria infelicidade, não tendo olhos senão para suas luzes particulares que irradiam em algum canto de seus espíritos, aplaudem-se por causa das fracas luzes com que tem alguma claridade e pouco sofrem com as trevas onde os mergulha a ignorância em que estão quanto à ciência da vida. Et in caecitate quam tolerant quase in claritate luminis exultant. (S. Greg., in “Job”).

São os cristãos de hoje verdadeiramente filhos da luz como os chamava S. Paulo? Nossa voz seria muito fraca para responder a tal pergunta. Escutemos a voz mais poderosa, uma voz autorizada, uma voz para a qual não há réplica. Ela diz:

“Desde o primeiro dia de nosso pontificado, do alto da Sé Apostólica, voltamos os nossos olhares para a sociedade atual, a fim de conhecer as suas condições, procurar atender as suas necessidades, dar-lhe os remédios. Desde então, deploramos o declínio da verdade, não só aquela conhecida sobrenaturalmente pela fé mas também a conhecida naturalmente pela razão ou pela experiência; deploramos a predominância dos mais funestos erros, e os grandes perigos que corre a sociedade pelas desordens sempre maiores que a perturbam; diríamos que a causa mais poderosa de uma semelhante ruína era a separação procurada, a apostasia estabelecida entre a sociedade atual e o Cristo e sua Igreja”.

É um papa do tempo de Nero ou de Domiciano, que fala assim, deplorando o estado dos povos mergulhados no paganismo? Não, é um papa do século XIX, é o papa de nosso tempo; é Leão XIII.

Que se reflita nisto: o declínio da verdade, a predominância dos mais funestos erros, não são palavras desprovidas de sentido. Pintam uma situação e descrevem-na em termos muito exatos.

Se os mais funestos erros se tornaram predominantes, se a verdade encontra-se em declínio, é preciso reconhecer que nossa ignorância é grande.

* * *

Quais são as causas da ignorância entre os cristãos?

Nunca houve tantas escolas quanto em nossos dias; a causa então não será por falta de escolas. Mas afirmamos sem que se possa desmentir-nos, que em nossas escolas se ensina de tudo, menos a verdade. A verdade está em declínio, foi Leão XIII quem disse.

Em muitas escolas, nós sabemos, há lugar para o catecismo, lugar para a instrução religiosa e moral. Mas, na maior parte das vezes, a instrução religiosa é suplantada, aqui pela gramática, lá pelo diploma.

Então faz-se gramática ou bacharéis, mas cristãos, não! Ali onde a fé não está acima de tudo não existe fé.

* * *

E depois, mesmo onde se ensina o catecismo, é bem possível e infelizmente muito comum: não se ensina a fé. Como pode ser isso, nos dirão? Do seguinte modo: pode-se ensinar materialmente as verdades da fé, por exemplo: que há um só Deus, três pessoas em Deus, duas naturezas em Jesus Cristo, sete sacramentos na Igreja, dirigindo-se tal ensino ou à memória, ou à inteligência ou à fé da criança.

Dirigir-se à memória é o método de quase todas as escolas de nossos dias; com isso se obtém a recitação correta da lição; mas isso não é a fé.

Dirigir-se à inteligência é mais raro: pois é preciso esforço para fazer o aluno saber não a palavra mas a coisa, não a expressão mas a verdade. Por aí se faz atos de inteligência, mas não de fé.

Enfim, podemos, digamos melhor, devemos dirigirmo-nos à fé do aluno. Para isso é preciso que aquele que ensina faça o ato de fé, a fim de estimular um ato semelhante no aluno. Acreditei, diz o salmista, por isso falei. É preciso ensinar às crianças o verbum fidei de São Paulo ou, diríamos em português, a fé falada. Então a criança ouve a palavra e a retém, eis o ofício da memória; compreende o valor da expressão, este é o ofício da inteligência; depois, com toda a sua alma, adere à verdade, é a fé.

Dizíamos que essa maneira de ensinar, a única verdadeira, a única eficaz, é extremamente rara, mesmo nas escolas ditas cristãs; é por isso que essas escolas não produzem cristãos e há entre nós uma tão grande ignorância.

II — Os remédios para a ignorância

A ignorância consiste em não saber; mas não saber, para os cristãos, é qualquer coisa de muito funesto.

Para nós cristãos, não nos basta conhecer por seus termos próprios uma determinada verdade, é preciso conhece-la com fé, é preciso saber e crer, saber crendo e crer sabendo.

O cristão que crescesse e não soubesse poderia ser um cristão com alguma fé; mas não possuindo plenamente a verdade, objeto da fé, seria um cristão ignorante.

Segue-se que para combater a ignorância dos cristãos não basta expor diante deles a verdade, ensiná-la em termos exatos; não basta fazê-los conhecer com precisão; é, além disso, necessário, indispensável, desenvolver neles a fé, esta disposição sobrenatural de receber como reveladas por Deus as santas verdades ensinadas pela Igreja.

Ser cristão é uma grande coisa; na educação de uma alma cristã, há um lado humano e um lado divino. Um lado humano, pelo qual a alma é instituída, ensinada, catequizada; e um lado divino pelo qual a alma recebe, como vida sobrenaturalmente de Deus, a verdade cujos termos lhe são propostos por uma boca humana.

Que ela fale, esta boca humana, que ela ensine, que ela exorte, seu papel é grande e belo. Mas Deus reserva para si, em nossa educação cristã, um papel maior e mais belo ainda, o de nos falar ao coração, o de elevar nossas inteligências até a participação da razão divina, até essa região sublime que se chama fé.

Quando, pois, o educador cristão, seja a família, a escola ou a Igreja, quando o educador cristão fala a uma alma batizada, para tirá-la cada vez mais da ignorância, ele deve, sob pena de nada compreender do trabalho que empreende, rezar, ao mesmo tempo que fala, e pedir a Deus que derrame na alma do batizado a graça interior da fé, ao mesmo tempo que, de seu lado, ele faz chegar aos ouvidos do catequizado a expressão humana da verdade divina.

Se todos aqueles que têm a terrível tarefa de trabalhar na instrução dos cristãos trabalhassem desta maneira, veríamos prontamente a ignorância desaparecer, a fé aumentar, a santidade florescer.

Mas, o que se diz de todos os lados? A santidade desaparece, a fé diminui e a ignorância é assustadora, mais ou menos por toda parte.

A falta é nossa!

Com muita facilidade se imagina ter feito tudo, quando se diz a verdade: isto não é nada. Ter-se-ia feito muito e muito mais se, depois de tê-la feito ouvir, se rezasse e se trabalhasse para que ela fosse crida.

O cristão só é completo sob essa condição.

Quantas crianças, nas escolas ou nos cursos de catecismo, aprendem, recitam e sabem bem a letra do catecismo, no entanto, não se tornam cristão dignos desse nome!

A causa de tão grande infelicidade está inteiramente no vício de educação que assinalamos. Fizeram-nos sábios mas não os fizeram crentes.

Por conseqüência, não tendo a fé lançado raízes fortes nas almas, a criança fica entregue ao sabor das paixões nascentes ou torna-se vítima do meio no qual se encontra.

A fé teria dado o vigor necessário para resistir ao perigo interior ou ao perigo exterior que acabamos de assinalar. Mas, sem a fé, o homem fica entregue à fraqueza e cai. É pela fé que estais de pé, diz o Apóstolo. Fides statis (II Cor., 1, 23).

Então, para trabalhar eficazmente no combate a ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes; precisaríamos de santos que fossem sábios e de sábios que fossem santos.

III — Uma palavra de Santa Teresa

Concluímos nosso artigo sobre a ignorância entre os cristãos por aquelas palavras: “Para trabalhar eficazmente no combate à ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes: precisaríamos de santos que fossem sábios e sábios que fossem santos. Queira Deus no-los dar!”

Isto já estava impresso quando, tendo aberto as Cartas de Santa Teresa, encontramos nas primeiras páginas a seguinte passagem:

“Desejo, mais ardentemente do que nunca, que Deus tenha a seu serviço homens que unam à ciência um completo desapego de todas as coisas daqui de baixo, que são a mentira e derrisão; sinto a extrema necessidade que a Igreja tem disto e sou tão vivamente tocada por isso que me parece até brincadeira afligir-me com outra coisa. Por isso não cesso de recomendar a Deus esse assunto, persuadida de que um desses homens perfeitos e verdadeiramente abrasados do fogo de seu amor, dará mais fruto e será mais útil à Santa glória do que um grande número de outros que sejam indiferentes e ignorantes”.

Esse assunto que Santa Teresa não cessa de recomendar a Deus, esse assunto pelo qual o coração da seráfica virgem era tão vivamente tocado, é o pensamento chave da obra de Nossa Senhora da Santa Esperança.

Quis sapiens, et intelliget ista? (Os., XIV, 10) Onde estão os homens a quem Deus deu o espírito de sabedoria e que compreenderão isto? Que Deus se digne entregar-nos a eles ou proporcioná-los a nós.

Estas linhas foram escritas no dia da festa do coração de Santa Teresa (27 de agosto). Recomendamos nossa obra às preces da seráfica padroeira do Carmelo.


Revista Permanência n° 186-187, Maio-Junho de 1984.

Santo Tomás, o Concílio Vaticano II e o Islã.

Mais uma cabeça inocente tombou no solo arenoso de algum ponto do mundo,  num deserto sabe-se lá de onde, entre a Síria e o Iraque. O algoz, mais uma vez – como ocorre desde o século VII – é um Islâmico. Como não poderia deixar de ser, nossa Presidente bateu seu ponto como dirigente deste gigantesco Anão Diplomático e proferiu suas contumazes asneiras na Assembléia geral da ONU e disse que o Brasil está sendo assolado por uma onda de “Islamofobia”.  Como se os errados fossemos nós, cidadãos pacíficos – não pacifistas – que ficamos aterrorizados com as cenas brutais dessa horda de demônios cuja diversão predileta é separar cabeças de corpos utilizando facas de cozinha, cortando-as como fossem pedaços de carne para churrasco. A presidente não conhece limites para o ridículo, tampouco para suas notórias afinidades com o que há de mais execrável no mundo. (Gostaria muitíssimo de proferir aqueles palavrões cabeludos, com os quais deleita-se o querido e  eruditíssimo professor Olavo de Carvalho, o qual sou muito grato, pois parecem-me libertadores. Mas por enquanto limito-me a não reconhecer esta mulher abjeta e enlameada de outra forma que não como inspirada pelo Demônio)

Agora estou certo de que o meio pelo qual Satanás move-se pelo mundo, são duas grandes e robustas pernas, onde numa está tatuado o nome do Comunismo, e noutra, o nome do Islã.

Feitos os desabafos iniciais, gostaria de partilhar algo; ainda sobre o Islã.

Estou lendo o belíssimo trabalho sobre o Concílio Vaticano II, da lavra do renomadíssimo professor Roberto de Mattei. Ora, a cada página lida, meu queixo despenca mais alguns centímetros, ao constatar com fartas referências bibliográficas as falcatruas da ala modernista da Igreja para destruir por completo as bases doutrinais desta.
O empreendimento de tão portentosa leitura, aguçou-me a ler novamente alguns documentos do Concílio, para constatar alguns fatos, e eis que num dado momento, passo meus olhos sobre a “Declaração Nostrae Aetate, sobre a relação da Igreja com as religiões não Cristãs”. Neste documento, que assim como a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, é eivado de um otimismo não condizente com a Tradicional Doutrina Católica, há um parágrafo que versa sobre o Islã. Diz a declaração:

 A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.
E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.” ¹ Anotou aí?

Em contrapartida, num outro documento, no decreto sobre a formação Sacerdotal, o Decreto Optatam Totius, expressam-se nestes termos os Padres conciliares sobre a formação em teologia dos aspirantes ao sacerdócio:

Exponha-se aos alunos o contributo dos Padres da Igreja oriental e ocidental para a Interpretação e transmissão fiel de cada uma das verdades da Revelação, bem como a história posterior do Dogma tendo em conta a sua relação com a história geral da Igreja. Depois, para aclarar, quanto for possível, os mistérios da salvação de forma perfeita, aprendam a penetra-los mais profundamente pela especulação, tendo por guia Santo Tomás, e a ver o nexo existente entre eles.” ²

Ou seja, claramente o Concílio confirma Santo Tomás de Aquino como depurador da Teologia católica, e orienta que o Aquinate seja tido por guia seguro no estudo da teologia. Até aí não temos novidades, pois isto a Igreja sempre o fez, salvos alguns momentos na história onde o estudo de Santo Tomás foi freado, tendo sido reavivado pelo Papa Leão XIII, através da sua magistral Encíclica Aeterni Patris.

Pois bem. Seguirei à risca a orientação do Concílio, e com isto, ficará patente que neste ponto, o Concílio se contradiz. Diz-nos o Concílio que Santo Tomás de Aquino deve servir-nos de guia no estudo da teologia, mas por outro lado, defende uma posição com relação ao Islã, que colide frontalmente com os ensinamentos de Santo Tomás de Aquino sobre a doutrina de Maomé.

São Raimundo de Peñaforte, confrade de santo Tomás na Ordem Dominicana, trabalhava na conversão dos muçulmanos e solicitou a Santo Tomás, que à época lecionava em Paris, para que compusesse uma obra apologética que auxiliasse seus eruditíssimos frades na tarefa de transmitir a Fé aos muçulmanos. Santo Tomás compôs a magnífica “Suma Contra os Gentios”, obra onde o Santo expõe sua doutrina Filosófica e Teológica, não no mesmo estilo de disputatio da Suma teológica, mas numa forma mais expositiva. Em determinado momento da Suma Contra os Gentios, Santo Tomás emite aquilo que é a opinião da Igreja acerca de Maomé e de sua seita. Ei-la:

No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé. Ele seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.
 Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

 Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível. Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

 Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram. Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.  

(Nota do autor : por esta afirmação de Santo Tomás de Aquino podemos auferir, aliado à incontáveis relatos históricos, a certeza de que a violência faz parte da essência do Islã!)

 Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Antigo e do Novo Testamento. Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura. Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra crêem levianamente.” ³

Donde se constata, que utilizando a autoridade do Concílio, o mesmo está errado sobre como vê o Islã. Sem mais.


Referências:

  1.        Concílio Vaticano II, Declaração Noastra Aetate, n. 3
  2.      Concílio Vaticano II, Decreto Optatam Totius, n. 16
  3.        Santo Tomás de Aquino. Suma Contra os Gentios. Livro I, Cap. VI,3

domingo, 28 de setembro de 2014

A profecia de Joseph Ratzinger


A renúncia do Papa Bento XVI suscitou na mídia e em boa parte dos fiéis, especulações acerca de profecias apocalípticas sobre o futuro da Igreja. Dentre elas, a que mais chamou a atenção foi a famosa "Profecia de São Malaquias" que, segundo a lenda, anunciava o fim da Igreja e do mundo ainda neste século. Apesar dessas previsões catastróficas alimentarem a imaginação de inúmeras pessoas, a verdade é que elas carecem de fundamento e lógica, como já demonstraram vários teólogos, inclusive o estimado monge beneditino, Dom Estevão Bettencourt, na sua revista "Pergunte e Responderemos".

Mas não é sobre a profecia de São Malaquias que queremos falar aqui. Nossa atenção, devido às circunstâncias, volta-se para as palavras do jovem teólogo da Baviera, Padre Joseph Ratzinger, proferidas há pouco mais de 40 anos, logo após o término do Concílio Vaticano II. Em um contexto de crise de fé e revolução cultural, o então professor de teologia da Universidade de Tübingen via-se cada vez mais sozinho diante da postura marcadamente liberal de seus colegas teólogos, como por exemplo, Küng, Schillebeeckx e Rahner. Olhando também para os outros setores da Igreja, Padre Ratzinger via nos "sinais dos tempos" um presságio do processo de simplificação que o catolicismo teria de enfrentar nos anos seguintes.

Uma Igreja pequena, forçada a abandonar importantes lugares de culto e com menos influência na política. Esse era o perfil que a Igreja Católica viria a ter nos próximos anos, segundo Ratzinger. O futuro papa estava convencido de que a fé católica iria passar por um período similar ao do Iluminismo e da Revolução Francesa, época marcada por constantes martírios de cristãos e perseguições a padres e bispos que culminaram na prisão de Pio VI e sua morte no cárcere em 1799. A Igreja estava lutando contra uma força, cujo principal objetivo era aniquilá-la definitivamente, confiscando suas propriedades e dissolvendo ordens religiosas.

Apesar da aparente visão pessimista, o jovem Joseph Ratzinger também apresentava um balanço positivo da crise. O teólogo alemão afirmava que desse período resultaria uma Igreja mais simples e mais espiritual, na qual as pessoas poderiam encontrar respostas em meio ao caos de uma humanidade corrompida e sem Deus. Esses apontamentos feitos por Ratzinger faziam parte de uma série de cinco homilias radiofônicas, proferidas em 1969. Essas mensagens foram publicadas em livro sob o título de "Fé e Futuro".

"A Igreja diminuirá de tamanho. Mas dessa provação sairá uma Igreja que terá extraído uma grande força do processo de simplificação que atravessou, da capacidade renovada de olhar para dentro de si. Porque os habitantes de um mundo rigorosamente planificado se sentirão indizivelmente sós. E descobrirão, então, a pequena comunidade de fiéis como algo completamente novo. Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente"

Depois de 40 anos desses pronunciamentos, o já então papa Bento XVI não mudou de opinião. É o que pode-se concluir lendo um de seus discursos feitos para os trabalhadores católicos em Freiburg, durante viagem apostólica a Alemanha, em 2011. Citando Madre Teresa de Calcutá, o Santo Padre constatava uma considerável "diminuição da prática religiosa" e "afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja" nas últimas décadas. O Santo Padre se pergunta: "Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?"

O Papa alemão respondia que sim, a Igreja deveria mudar, mas essa mudança deveria partir do próprio eu. "Uma vez alguém instou a beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua reposta foi: tu e eu!", ensinou. Bento XVI pedia no discurso uma reforma da Igreja que se baseasse na sua "desmundanização", corroborando o que explicou em outra ocasião a um jornalista, durante viagem ao Reino Unido, sobre como a Igreja deveria fazer para agradar o homem moderno.

"Diria que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade".


Esses textos ajudam-nos a entender os recentes fatos e interpretar os pedidos de reforma da Igreja pedidos por Bento XVI nos seus discursos pós-renúncia. De maneira alguma esses pedidos fazem referência a uma abertura da Igreja para exigências ideológicas do mundo moderno, como quiseram sugerir alguns jornalistas. Muito pelo contrário, o Papa fala de uma purificação da ação pastoral da Igreja diante do homem moderno, de forma que ela se livre dos ranços apregoados pelo modernismo. Trata-se de conservar a fiel doutrina de Cristo e apresentá-la de modo transparente e sem descontos. A Igreja enquanto tal é santa, imaculada. Mas seus membros carecem de uma constante conversão e é neste sentido que a reforma deve seguir. A Igreja precisa estar segura de sua própria identidade que está inserida na sua longa tradição de dois mil anos, caso contrário, toda reforma não passará de uma reforma inútil.

Fonte: https://padrepauloricardo.org

domingo, 21 de setembro de 2014

Coisas que só acontecem na Igreja: Milagre de São Januário.


Neste [último] dia 19 de setembro ocorreu um dos eventos mais interessantes da Igreja. Não é um milagre como outros que conhecemos, mas um que acontece 3 vezes por ano.

Quando São Januário foi decapitado em 305, recolheram seu sangue em 2 ampolas, que foram encerradas numa teca de prata. O sangue passa a maior parte do tempo coagulado, algo natural. Contudo, no primeiro sábado de maio, no dia 19 de setembro e durante uma semana em dezembro, o seu sangue se liquefaz (foto) tal como estivesse dentro de uma pessoa viva. O milagre atrai muitas pessoas.

Na foto, o Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo de Nápoles, mostra as ampolas com o sangue líquido novamente.

Fonte: Direto da Sacristia


1964: Marco Antônio Villa



sábado, 28 de junho de 2014

88 - Sou católico e estou na universidade! E agora?


As universidades foram fundadas na Idade Média, pela Igreja Católica, a fim de ensinar as pessoas. Mas, entrando de abismo em abismo, parece que elas estão enlouquecidas. O que está acontecendo?
Antes de qualquer coisa, é importante dizer que as escolas foram concebidas pelo Cristianismo para que as pessoas conhecessem, contemplassem e servissem a Verdade. O projeto cristão para a educação não era apenas que as pessoas aprendessem as coisas, mas que verdadeiramente se santificassem.
Infelizmente, com a fundação da universidade – que quase sempre é reputada como um grande mérito da Igreja –, começou a buscar-se não mais a verdade, mas um diploma. Então, com a substituição gradativa do conhecimento pela autopromoção, experimentou-se uma terrível derrocada no nível dos estudos.
Grandes mudanças no seio da sociedade também estimularam a decadência do ambiente universitário. Com o processo acelerado de industrialização, surgiu a necessidade de mão-de-obra para as fábricas. Como consequência, aquilo que era uma formação intelectual tornou-se um conhecimento eminentemente prático, para formar trabalhadores. Após a Segunda Guerra Mundial, a situação mudou totalmente de figura: a faculdade serviria não mais para buscar a verdade – como idealizava a Igreja –, nem para formar bons cidadãos – como queriam os renascentistas –, nem sequer para forjar mão-de-obra, mas tão somente para ensinar “atitudes sociais” aceitáveis para um projeto de “engenharia” da sociedade. O nome desse projeto é marxismo.
O marxismo é um movimento que tem em vista desmontar a sociedade tal como a conhecemos. A princípio, a ideia era fazer isso por meio de revoluções. Depois, um grupo de pensadores – que integrou a conhecida Escola de Frankfurt – viu que isso era impossível, pois o chamado “proletariado” estava alienado por uma cultura, que precisaria ser destruída primeiro.
Na Alemanha, os filósofos Karl Korsch e Georg Lukács fundaram, com a ajuda do empresário Felix Weil, o Instituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung). Juntamente com vários pensadores, eles criaram a “teoria crítica”, que tinha como finalidade investigar toda a cultura ocidental e destruí-la. Korsch pegou emprestadas do pensamento de Karl Marx as noções de infraestrutura e superestrutura. Aquela seria as relações econômicas; esta, as instituições geradas por elas, tais como o direito, a família, a universidade, a escola etc. A superestrutura serviria tão somente para alienar as pessoas, submetendo-as aos interesses da classe dominante. A solução, então, seria utilizar a filosofia – considerada pelos marxistas como “instituição burguesa” – para destruir a própria filosofia ocidental. O trabalho da Escola de Frankfurt era este: destruir e criticar, até não restar pedra sobre pedra. Não sem razão Max Horkheimer, um dos diretores do Instituto, só contratava professores que tivessem, em suas palavras, “aquele ódio por tudo o que está de pé”.
A maioria dos professores das universidades, conscientemente ou não, são adeptos desse pensamento marxista e revolucionário. Ao invés de estar em sala de aula para ensinar os alunos, eles usam a sua profissão para escandalizar os estudantes e desorientá-los. O que deveria ser um caminho para encontrar-se com a Verdade torna-se, antes, um “descaminho”, justamente a fim de acabar com a ideia de que as verdades existem.
Aparentemente, as universidades não têm nada que ver com o “sexo livre”. No entanto, são o ambiente propício para estimular esse comportamento e ridicularizar quem, de alguma forma, destoe dele. Herbert Marcuse, um dos autores da Escola de Frankfurt, idealizava, por exemplo, a “perversão polimorfa”, pela qual todas as pessoas usariam o sexo indiscriminadamente, tratando-o de forma “não generativa” – ou seja, dissociando-o a abertura à vida para usá-lo tão somente como gratificação.
Theodor Adorno, por sua vez, ao formular o conceito de “personalidade autoritária”, criou a “Escala F”, de “fascismo”, que associava as ideias conservadoras das pessoas a supostas “tendências autoritárias” que elas tinham. Como solução para esse “problema”, seria necessário dessensibilizar os indivíduos, a fim de transformar o seu modo de pensar. Ora, não é exatamente este o projeto que é seguido à risca nas universidades? Tratar como “doente” e “fascista” o pensamento alheio, só por ser contrário à ideologia marxista?
Como reagir diante desse verdadeiro bombardeiro à fé e às convicções morais que moldaram o Ocidente?
Antes de qualquer coisa, é preciso “preparar o terreno”, por assim dizer. Quando um professor ataca a Igreja em sala de aula, provocando os alunos que porventura sejam católicos, o que ele quer é justamente o conflito, não a busca da verdade – na qual ele sequer acredita. Por isso, nessa situação, ao invés de discutir com o professor, é importante estudar: não como quem está atrás de um diploma, mas como alguém sedento pela Verdade. Além disso, é preciso identificar pessoas de boa vontade ao redor e, de alguma forma, ensiná-las. Combater sozinho contra um professor mal-intencionado é muitas vezes contraproducente. Com um grupo de pessoas preparadas para desmascarar o ideólogo, é muito mais fácil agir.
Ao fim, o que se propõe é um trabalho genuíno de evangelização que leve as pessoas, pouco a pouco, ao encontro com a Verdade. Não se trata do caminho para a mudança da universidade como um todo, mas já é um caminho para a mudança da própria mentalidade.
Livros recomendados

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Hospital do Vaticano faz descoberta pioneira com células-tronco.


O “Bambino Gesù” descobre técnica de manipulação que permite o transplante de medula para crianças com leucemia sem necessidade de doador compatível.

A descoberta científica do hospital do Vaticano promete salvar a vida de milhões de crianças no mundo inteiro. A notícia foi divulgada pelo hospital pediátrico da Santa Sé, “Bambino Gesù” (“Menino Jesus”), com sede em Roma. Segundo a direção do hospital, os resultados foram apresentados à revista científica internacional “Blood”, e poderiam ser “um marco na cura de muitas doenças no sangue”.

O hospital anunciou, em uma coletiva de imprensa, que a manipulação decélulas-tronco, em ausência de um doador compatível, permite otransplante de um pai ou mãe ao seu filho. A descoberta é importante para curar crianças com problemas  de imunodeficiência, doenças genéticas, leucemia e tumores no sangue.

“Estamos orgulhosos de apresentar este sucesso dos pesquisadores do Hospital ‘Bambino Gesù’, conscientes de que o protocolo dos nossos laboratórios é um marco na terapia de muitas doenças no sangue”, confirmou o professor Bruno Dallapiccola, diretor científico do hospital da Santa Sé.
Para a aplicação no campo da leucemia, a técnica aplicada pela equipe do professor Franco Locatelli, responsável pela Onco-hematologia e Medicina Transfusional do hospital, foi apresentada no último mês de dezembro em New Orleans, durante o congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH).

O transplante de células-tronco adultas é uma cura que salva a vida de milhões de crianças que sofrem tumores do sangue, bem como de crianças que nascem sem as adequadas defesas do sistema imunológico. Por muitos anos, o único doador que se podia ter era um irmão ou irmã do paciente. O problema é que dois irmãos são idênticos somente em 25% dos casos.
Diante da impossibilidade de ter doadores na família, existem bancos de dados  internacionais com 20 milhões de doadores voluntários de medula óssea. Mesmo assim os  bancos de sangue para estes casos dão disponibilidade de apenas 600 mil unidades no mundo.
O problema se agrava quando 30 ou 40% dos pacientes não encontram um doador compatível, além do mais, considerando o tempo de seleção de um doador e a conclusão de todos os exames para identificar outro doador fora da família.
A técnica do hospital da Santa Sé foi aplicada em 23 pequenos pacientes. Os resultados, segundo afirmou a instituição, demonstram que a probabilidade de cura definitiva para estas crianças doentes é de 90%, ou seja, igual à técnica que emprega a medula de um irmão do paciente completamente compatível geneticamente.

A descoberta da manipulação das células-tronco é uma esperança para milhões de crianças que podem ser salvas com um transplante de medula. É possível salvar crianças na Ásia, África ou América do Sul, que não têm “representantes” nos registros de doadores de medula óssea e que, por meio desta técnica, poderão finalmente ter acesso a um transplante de maneira rápida e “virtualmente aplicável a todos os casos”

domingo, 16 de março de 2014

G. K. Chesterton: Porquê me converti ao catolicismo



Embora eu seja católico há apenas alguns anos, sei que o problema "por quê sou católico" é muito diferente do problema "por quê me converti ao catolicismo". Tantas coisas motivaram minha conversão e tantas outras continuam surgindo depois... Todas elas se colocam em evidência apenas quando a primeira nos dá o empurrão que conduz à conversão mesma.

Todas são também tão numerosas e tão diferentes umas das outras, que, no final das contas, o motivo originário e primordial pode chegar a parecer quase insignificante e secundário. A "confirmação" da fé, vale dizer, seu fortalecimento e afirmação, pode vir, tanto no sentido real como no sentido ritual, depois da conversão. O convertido não costuma recordar mais tarde de que modo aquelas razões se sucediam umas após as outras. Pois breve, muito breve, este sem número de motivos chega a se fundir em uma só e única razão.

Existe entre os homens uma curiosa espécie de agnósticos, ávidos esquadrinhadores da arte, que averiguam com sumo cuidado tudo o que em uma catedral é antigo e tudo o que nela é novo. Os católicos, ao contrário, outorgam mais importância ao fato de se a catedral foi construída para voltar a servir como o que é, quer dizer, como catedral.

Uma catedral! A ela se parece todo o edifício de minha fé; desta minha fé que é grande demais para uma descrição detalhada; e da que, com grande esforço, posso determinar as idades de suas diversas pedras.Apesar de tudo, estou seguro de que a primeira coisa que me atraiu ao catolicismo, era algo que, no fundo, deveria ter me afastado dele. Estou convencido de que vários católicos devem seus primeiros passos à Roma à amabilidade do defunto senhor Kensit.

O senhor Kensit, um pequeno livreiro da City, conhecido como protestante fanático, organizou em 1898 um bando que, sistematicamente, assaltava as igrejas ritualistas e perturbava seriamente os ofícios. O senhor Kensit morreu em 1902 por causa das feridas recebidas em um desses assaltos. Logo a opinião pública se voltou contra ele, classificando como "Kensitite Press" os piores panfletos anti-religiosos publicados na Inglaterra contra Roma, panfletos carentes de todo são juízo e de toda boa vontade.

Lembro especialmente agora estes dois casos: alguns autores sérios lançavam graves acusações contra o catolicismo, e, curiosamente, o que eles condenavam me pareceu algo precioso e desejável.

No primeiro caso —acredito que se tratava de Horton e Hocking— mencionavam com estremecido pavor, uma terrível blasfêmia sobre a Santíssima Virgem de um místico católico que escrevia: "Todas as criaturas devem tudo a Deus; ma a Ela, até mesmo Deus deve algum agradecimento". Isto me sobressaltou como um som de trombeta e me disse quase em voz alta: "Que maravilhosamente dito!" Parecia com se o inimaginável fato da Encarnação pudesse com dificuldade encontrar expressão melhor e mais clara que a sugerida por aquele místico, sempre que soubesse entendê-la.

No segundo caso, alguém do jornal "Daily News" (então eu mesmo ainda era alguém do "Daily News"), como exemplo típico do "formulismo morto" dos ofícios católicos, citou o seguinte: um bispo francês havia se dirigido a alguns soldados e operários cujo cansaço físico lhes tornava dura assistência na Missa, dizendo-lhes que Deus se contentaria apenas com sua presença, e que lhes perdoaria sem dúvida seu cansaço e sua distração. Então eu disse outra vez a mim mesmo: "Que sensata é essa gente! Se alguém corresse dez léguas por mim, eu estaria muito agradecido, também, que dormisse em seguida em minha presença".

Junto com estes dos exemplos, poderia citar ainda muitos outros procedentes daquela primeira época em que os incertos indícios de minha fé católica se nutriram quase com exclusividade publicações anti-católicas.

Tenho uma clara lembrança do que veio em seguida a estes indícios. É algo do qual me dou tanto mais conta quanto mais desejaria que não tivesse ocorrido. Comecei a marchar para o catolicismo muito antes de conhecer àquelas duas pessoas excelentíssimas a quem, a este respeito, devo e agradeço tanto: ao reverendo Padre John O'Connor de Bradford e ao senhor Hilaire Belloc; mas o fiz sob a influência de meu acostumado liberalismo político; o fiz até na toca do "Daily News".

Este primeiro empurrão, depois de dever-se a Deus, deve-se à história e à atitude do povo irlandês, apesar de que não haja em mim uma só gota de sangue irlandês.

Estive apenas duas vezes na Irlanda e não tenho nem interesses ali nem sei grande coisa do país. Mas isso não me impediu de reconhecer que a união existente entre os diferentes partidos da Irlanda deve-se no fundo a uma realidade religiosa, e que é por esta realidade que todo meu interesse se concentrava nesse aspecto da política liberal.

Fui descobrindo cada vez com maior nitidez, conhecendo pela história e por minhas próprias experiências, como, durante longo tempo se perseguiu por motivos inexplicáveis a um povo cristão, e continua odiando-lhe. Reconheci então que não podia ser de outra maneira, porque esses cristãos eram profundos e incômodos como aqueles que Nero jogou aos leões.

Creio que estas minhas revelações pessoais evidenciam com claridade a razão de meu catolicismo, razão que logo foi se fortificando. Poderia acrescentar agora como continuei reconhecendo depois, que a todos os grandes impérios, uma vez que se afastavam de Roma, passava-lhes exatamente o mesmo que a todos aqueles seres que desprezavam as leis ou a natureza: tinham um leve êxito momentâneo, mas logo experimentavam a sensação de estar enlaçados por um nó, em uma situação da qual eles mesmos não podiam se libertar. Na Prússia há tão pouca perspectiva para o prussianismo, como em Manchester para o individualismo manchesteriano.

Todo mundo sabe que a um velho povoado agrário, arraigado na fé e nas tradições de seus antepassados, espera-lhe um futuro maior ou pelo menos mais simples e mais direto ou pelo menos mais simples e mais direto que aos povos que não têm por base a tradição e a fé. Se este conceito se aplicasse a uma autobiografia, seria muito mais fácil escrevê-la do que se fosse esquadrinhar suas diversas evoluções, mas o sistema seria egoísta. Eu prefiro escolher outro método para explicar breve, mas completamente o conteúdo essencial de minha convicção: não é por falta de material que atuo assim, mas pela dificuldade e escolher o mais apropriado entre todo esse material numeroso. Entretanto tratarei de insinuar um ou dois pontos que me causaram uma especial impressão.

Há no mundo milhares de modos de misticismo capazes de enlouquecer o homem. Mas há uma só maneira entre todas de colocar o homem em um estado normal. É certo que a humanidade jamais pôde viver um longo tempo sem misticismo. Até os primeiros sons agudos da voz gelada de Voltaire encontraram eco em Cagliostro.

Agora a superstição e a credulidade voltaram a expandir-se com tanta vertiginosa rapidez, que dentro de pouco o católico e o agnóstico se encontrarão lado a lado. Os católicos serão os únicos que, com razão, poderão chamar-se racionalistas. O próprio culto idolátrico pelo mistério começou com a decadência da Roma pagã apesar dos "intermezzos" de um Lucrécio ou de um Lucano.

Não é natural ser materialista e tampouco sê-lo dá uma impressão de naturalidade. Tampouco é natural contentar-se unicamente com a natureza. O homem, pelo contrário, é místico. Nascido como místico, morre também como místico, principalmente se em vida foi um agnóstico. Enquanto que todas as sociedades humanas consideram a inclinação ao misticismo como algo extraordinário, tenho eu que objetar, entretanto, que uma só sociedade entre elas, o catolicismo, leva em conta as coisas cotidianas. Todas as outras as deixam de lado e as menosprezam.

Um célebre autor publicou mais uma vez uma novela sobre a contraposição que existe entre o convento e a família (The Cloister and the hearth). Naquele tempo, há 50 anos, era realmente possível na Inglaterra imaginar uma contradição entre essas duas coisas. Hoje em dia, a assim chamada contradição, chega a ser quase um estreito parentesco. Aqueles que em outro tempo exigiam a gritos a anulação dos conventos, destroem hoje sem dissimulação a família. Este é um dos tantos fatos que testemunham a seguinte verdade: que na religião católica, os votos e as profissões mais altas e "menos razoáveis" —por assim dizer— são, entretanto, os que protegem as melhores coisas da vida diária.

Muitos sinais místicos sacudiram o mundo. Mas uma só revolução mística o conservou: o santo está ao lado do superior, é o melhor amigo do bom. Toda outra aparente revelação se desvia por fim a uma ou outra filosofia indigna da humanidade; a simplificações destrutoras; ao pessimismo, ao otimismo, ao fatalismo, à nada e outra vez ao nada; ao "nonsense", à insensatez.

É certo que todas as religiões contêm algo bom. Mas o bom, a quinta essência do bom, a humildade, o amor e o fervoroso agradecimento "realmente existente" para com Deus, não se encontram entre elas. Por mais que as penetremos, por mais respeito que lhes demonstremos, com maior claridade ainda reconhecemos também isto: nos mais profundo delas há algo diferente do puramente bom; há às vezes dúvidas metafísicas sobre a matéria, às vezes havia nelas a voz forte da natureza; outras, e isto no melhor dos casos, existe um medo da Lei e do Senhor.

Se exageramos tudo isto, nasce nas religiões uma deformação que chega até o diabolismo. Só podem ser suportadas enquanto se mantiver razoáveis e medidas.

Enquanto estiverem tranqüilas, podem chegar a ser estimadas, como aconteceu com o protestantismo vitoriano. Pelo contrário, a mais alta exaltação pela Santíssima Virgem ou a mais estranha imitação de São Francisco de Assis, seguiriam sendo, em sua quinta-essência, uma coisa sadia e sólida. Ninguém negará por isso seu humanismo, nem desprezará a seu próximo. O que é bom, jamais poderá chegar a ser Bom DEMAIS. Esta é uma das características do catolicismo que me parece singular e ao mesmo tempo universal. Esta outra a segue:

Somente a Igreja Católica pode salvar o homem da destrutiva e humilhante escravidão de ser filho de seu tempo. Outro dia, Bernard Shaw expressou o nostálgico desejo de que todos os homens vivessem trezentos anos em civilizações mais felizes. Tal frase nos demonstra como os santarrões só desejavam —como eles mesmos dizem- reformas práticas e objetivas.

Agora bem: isto se diz com facilidade; mas estou absolutamente convencido do seguinte: se Bernard Shaw tivesse vivido durante os últimos trezentos anos, teria se convertido há muito tempo ao catolicismo. Teria compreendido que o mundo gira sempre com a mesma órbita e que pouco se pode confiar em seu assim chamado progresso. Teria visto também como a Igreja foi sacrificada por uma superstição bíblica, e a Bíblia por uma superstição darwinista. E um dos primeiros a combater estes feitos tivesse sido ele. Seja como for, Bernard Shaw desejava para cada um uma experiência de trezentos anos. E os católicos, muito ao contrário de todos os outros homens, têm uma experiência de dezenove séculos. Uma pessoa que se converte ao catolicismo, chega, pois, a ter de repente dois mil anos.

Isto significa, se o presenciamos ainda mais, que uma pessoa, ao se converter, cresce e se eleva ao pleno humanismo. Julga as coisas do modo como elas comovem a humanidade, e a todos os países e em todos os tempos; e não somente segundo as últimas notícias dos diários. Se um homem moderno diz que sua religião é o espiritualismo ou o socialismo, esse homem vive integramente no mundo mais moderno possível, quer dizer, no mundo dos partidos.

O socialismo é a reação contra o capitalismo, contra a insana acumulação de riquezas na própria nação. Sua política seria de todo diversa se fosse vivida em Esparta ou no Tibet. O espiritualismo não atrairia tampouco a atenção se não estivesse em contradição deslumbrante com o material estendido em todas as partes. Tampouco teria tanto poder se os valores sobrenaturais fossem mais reconhecidos. 

Jamais a superstição tem revolucionado tanto o mundo como agora. Só depois que toda uma geração declarou dogmaticamente e de uma vez por todas, a IMPOSSIBILIDADE de que haja espíritos, a mesma geração deixou-se assustar por um pobre, pequeno espírito. Estas superstições são invenções de seu tempo —poderia se dizer em sua desculpa—. Já faz muito, entretanto, que a Igreja Católica tenha aprovado não ser ela uma invenção de seu tempo: é a obra de seu Criador, e continua sendo capaz de viver o mesmo em sua velhice como em sua primeira juventude: e seus inimigos, no mais profundo de suas almas, perderam já a esperança de vê-la morrer algum dia.

G. K. Chesterton