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sábado, 17 de janeiro de 2015

Fazendo eco: Não sou charlie Hebdo!



As manifestações pelo mundo com ares de solidariedade pelas vítimas lamentáveis do triste e macabro ato terrorista por parte de Islâmicos à sede da revista Charlie Hebdo, que construira sua fama em cima de charges blasfêmas contra as grandes religiões, e que por causa disso, havia angariado uma legião de inimigos extremistas Islâmicos, parecem notabilizar o sono profundo e nebuloso no qual está submerso boa parte do mundo. 

Do que adianta - diga-se, sorridentes - darem os braços os líderes de grandes nações, juntamente com o Socialista, Presidente francês François Hollande, e marcharem clamando pelo fim do terrorismo, e escancarar as portas de uma nação para avalanche de entrada de Islâmicos, que são altamente anti-nacionalistas, e cujo único intento é demolir por completo a civilização Ocidental? Poderão alegar que há o Islã pacifico e que associar genericamente o Islã ao terrorismo internacional é temerário, porém, não houve nenhuma manifestação concreta das grandes organizações Islâmicas, ditas pacíficas, com o intuito de frear a barbárie maometana pelo mundo, e quem sabe, limpar um pouquinho o nome do Islã. Além do mais, o dito "Islã pacífico" nada mais é do que um desvio considerável daquilo que é objeto da pregação do verdadeiro Islã desde o século VII, com a pregação de Maomé; o famoso "Converta-se ou morra". Henri Daniel Rops, relata em sua colossal obra de história da Igreja, "A Igreja dos Tempos Bárbaros", que o Califa Omar, segundo em sucessão após a morte de Maomé, dizia que os filhos do Islã, haveriam de trucidar os filhos da Igreja. 

Peremptoriamente não apoio o terrorismo; definitivamente não quero que pessoas sejam explodidas ou decapitadas, ações essas, que são corriqueiras no modus operandi do Islã há séculos. Em contrapartida, creio que a liberdade de expressão dos cartunistas excedia todos os limites da tolerância e do bom senso. Eram responsáveis pela publicação de charges realmente ultrajantes e execráveis! 

Como sempre, ponho-me à contra-corrente das opiniões do grande público, e digo: não sou Charlie Hebdo! 

A “liberdade de expressão”, se não houver limites, inevitavelmente corroborará a mais que condenável atitude dos radicais islâmicos frente às piadas e charges feitas com o nome de Maomé, pois podem os islâmicos, seguindo esta lógica absurda, alegar que matar decapitando, explodindo e fuzilando, é a manifestação mais autêntica da liberdade de expressão de seu povo. Se não houver limites na tal “liberdade de expressão”, nenhuma forma de expressão é condenável, inclusive as mais violentas. Expressar-se, seja filosófica, religiosa ou politicamente, deve respeitar as normas do bom senso e da busca da verdade. Discordar e de forma racional, divergir de opiniões, é o pilar de uma democracia, e muito salutar para que uma sociedade seja sadia, porém, quando o escárnio ilimitado assume o lugar da simples divergência de opiniões, a resposta que se pode esperar é uma resposta proporcional à ofensa cometida. De forma alguma justifico os ato abomináveis dos Islâmicos, porém, também não comungo de todo esse amor pelos cartunistas, pois estes, sabiam exatamente que seus aviltantes trabalhos os colocavam como inimigos do Islã. Transferindo para a realidade brasileira, é como se alguém fizesse algo que insultasse diretamente a mãe do Traficante Fernandinho Beira-mar. O que esse alguém poderia esperar além de uma reação que culminasse com a sua morte?

Creio firmemente que o Islã é inspirado pelo demônio, condeno abertamente seus atos e rezo para que estas pessoas encontrem descanso eterno, e que Deus se apiede de suas almas, mas que procuraram sarna para se coçar, ah, procuraram.

Avivando a mente conservadora



Vitórias nas urnas são desfeitas em pouco tempo, se não forem apoiadas pela arte duradoura da persuasão. Um movimento político que imagina poder subsistir por slogans e por um pretenso "pragmatismo" atualmente é tombado ao término do próximo carnaval político, bradando novos slogans.


Por Russel Kirk

(Publicado no The Intercollegiate Review, Vol. 21 (Spring 1986), pp. 25–28.)

O mais espirituoso de nossos homens públicos, Eugene McCarthy, comentou há alguns meses atrás que, hoje em dia, ele usa a palavra “liberal” meramente como um adjetivo. Essa é uma medida do triunfo da mentalidade conservadora nos últimos anos - incluindo o triunfo do lado conservador da mente e do caráter do próprio Sr. McCarthy.
Talvez seja suficiente, na maioria das vezes, utilizar a palavra “conservador” principalmente como um adjetivo. Pois não existe nenhum Modelo Conservador e conservadorismo não é ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar para a ordem social civil. O movimento ou corpo de opinião conservador pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista sobre um bom número de assuntos, não havendo qualquer Test Act[1] ou Thirty-Nine Articles[2] do credo conservador. Em essência, a pessoa conservadora é simplesmente aquela que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Caos e a noite primordial”[3]. Este é, a propósito, um breve prefácio para algumas observações não metódicas sobre o que a mente conservadora requer hoje.
Na América, a grande onda da opinião pública hoje arrasta em uma direção conservadora, levando tudo à sua frente: como Tocqueville nos instruiu, tal é, geralmente, a forma de opinião em nações democráticas. Os eleitores mexicano-americanos claramente se deslocaram nessa direção há menos de dois anos atrás e irão mais longe ainda; agora, as pesquisas do The New York Times e da CBS sugerem que a população afro-americana se volta para a mesma direção.
Tanto os assuntos externos quanto as questões internas impelem a nação em direção a políticas conservadoras de longo alcance. No entanto, poderia ser concebível que esses tremendos sucessos conservadores dos anos recentes cessassem? Pode a onda da opinião pública começar a arrastar novamente, com uma maré vazante, conduzindo ao grande abismo muitos destroços americanos?
Sim.
Qual a causa?
Estupidez.
Não foi totalmente sem razão que, um século atrás, John Stuart Mill chamou os conservadores de "o partido estúpido." Quatro décadas atrás, quando, na Grã-Bretanha, o governo Attlee aboliu as cadeiras universitárias na Câmara dos Comuns, Winston Churchill declarou que os socialistas eram "contra o cérebro"[4]. Assim os socialistas eram e são. Mas, um bom número de pessoas conservadoras em 1986, encontrando-se apenas em segundo lugar na busca da estupidez, se esforçam mais.
Alguns anos atrás, comentei no decorrer de um discurso que é requerida imaginação conservadora em nosso tempo. Um homem de negócios na platéia retorquiu, “nós não precisamos de qualquer imaginação: precisamos ser práticos”. É disso que estou falando.
Menos de 40 anos atrás, começou uma renovação - considerada pelos liberais como um recrudescimento - do pensamento e da imaginação conservadora. Como o fabianismo na Grã-Bretanha duas gerações antes, mas prosseguindo em direção oposta, esse "Novo Conservadorismo" contribuiu, trinta anos mais tarde, para vitórias em grande escala nas eleições. Nos Estados Unidos, como antes na Grã-Bretanha, ideias persuasivas combinaram ou coincidiram com circunstâncias favoráveis; e, assim, o curso político de uma grande nação foi alterado, poderosamente.
Na Grã-Bretanha, contudo, os sucessos intelectuais dos fabianos e as vitórias eleitorais do Partido Trabalhista foram acompanhados pelo desenvolvimento de periódicos, editoras de livros e associações universitárias favoráveis ao socialismo. Nos Estados Unidos, au contraire, relativamente poucos ganhos intelectuais para a causa conservadora ocorreram desde 1953. (O ano de 1953 foi marcado pela publicação e recepção cordial de livros conservadores de R. A. Nisbet, Daniel Boorstin, Clinton Rossiter, Russell Kirk e outros: um ano em que os liberais começaram a ouvir).
É verdade que várias revistas de elenco conservador sério são publicadas atualmente, embora nenhuma de tremenda circulação. Mas novas publicações liberais ou radicais também têm surgido. As principais mídias de resenhas de livros são nitidamente mais hostis em relação a qualquer livro suspeito de conservadorismo político ou de ortodoxia religiosa do que o eram nos anos cinqüenta. Quanto à publicação de livros, no ano de 1953 havia apenas uma editora de livros sérios respeitável e consistente, a Henry Regnery; e em 1986 ainda há apenas uma, a mesma Henry Regnery, que obtém apenas uma ligeira assistência das fundações e dos homens de grandes recursos que presumivelmente deveriam estar interessados em manter a mente conservadora viva.
Nas universidades e faculdades, os quadros de funcionários estão muito mais dominados por radicais do que estavam no início dos anos cinquenta - em parte por causa das violentas bobagens da Nova Esquerda que obteve postos durante o final dos anos sessenta e início dos anos setenta e que agora estão fortalecidos por assumirem cargos permanentes[5]. As maiores fundações - a maioria delas - estão dominadas pela mentalidade humanitária da Ford Foundation, a qual avalia o diabo[6] de acordo com o grau de conservadorismo dele.
Assim, o movimento conservador está debilitado, intelectualmente e quanto ao suporte, no exato momento de sua ascendência popular. (A propósito, os grandes homens de negócio da América, salvo raras exceções, nunca têm servido de apoio para causas realmente conservadoras; se, de algum modo, eles pensam sobre política, é do mesmo modo como pensam sobre equipes esportivas profissionais: “Vencer é o nome do jogo”). Isto pode vir a ser um empobrecimento fatal.
Pois a necessidade mais premente do movimento conservador na América é vivificar sua própria reta razão e sua imaginação moral. A geração ascendente, que já ganhou um tipo de conservadorismo irracional em quase todos os campi das universidades, deve estar ciente de que as opiniões e as políticas conservadoras podem ser, ao mesmo tempo, intelectualmente respeitáveis e agradavelmente vivazes.
Vitórias nas urnas são desfeitas em pouco tempo, se não forem apoiadas pela arte duradoura da persuasão. Um movimento político que imagina poder subsistir por slogans e por um pretenso "pragmatismo" atualmente é tombado ao término do próximo carnaval político, bradando novos[7] slogans.
Não estou insinuando que o povo conservador deva definir a formação de uma ideologia conservadora; pois o conservadorismo é a negação da ideologia. O homem público conservador se volta para a constituição, o costume, a convenção, o consenso antigo, a prescrição, o precedente, como guias - não para as abstrações estreitas e fanáticas da ideologia. Estou dizendo, antes, que, a não ser que mostremos à nova geração o que merece ser conservado e de que modo proceder acerca do trabalho de preservação com inteligência e imaginação, a presente onda de opinião conservadora vai nos lançar sobre uma costa severa, rochosa e inacessível, talvez com um selvagem atrás de cada árvore. Líderes conservadores devem declarar, como Demóstenes: “Cidadãos, suplico-vos que penseis!”
A existência de várias facções no interior do movimento conservador não deve nos alarmar demasiadamente. Todos os movimentos políticos reformistas de grande escala, no início, são alianças de vários grupos e interesses que têm em comum, principalmente, uma antipatia em relação ao que tem sido o poder político dominante. Os jornalistas, para sua própria deleitação, inventam ou exaltam rótulos tais como “Direita Antiga”, “Tradicionalistas”, “Neoconservadores”, “Libertários”, “Nova Direita”, “Direita Fundamentalista” e similares. Mas, esses grupos e categorias se sobrepõem e se misturam. Dos membros mais excêntricos dessa frouxa coalizão conservadora pode-se esperar que caiam gradualmente em excentricidades mais novas[8] - e não resultará em nenhuma grande perda. Ênfases variadas sobre este ou aquele aspecto da política pública permanecerão entre os diversos agrupamentos conservadores; mas, um suficiente terreno comum pode ser cultivado para manter uma unidade útil em certas grandes questões - supondo-se que abjuramos qualquer ideologia estreita e que condescendemos para pensar. Se, pelo contrário, líderes conservadores complacentemente imaginam que conjeturar e avançar através dos erros será suficiente, então os futuros historiadores poderão descrever a tentativa de acordar as mentes e corações conservadores durante a segunda metade do século vinte como uma Mississippi Bubble[9] intelectual.
A principal demarcação entre os grupos conservadores americanos de hoje, parece-me, é o abismo fixado entre (por um lado) todos aqueles homens e mulheres conservadores que, tendo visão ampla, argumentam que a atividade intelectual e o despertar da imaginação são requeridos com urgência; e (do outro lado do desfiladeiro) todas aquelas pessoas declaradamente "pragmáticas" que concebem um governo conservador como aquele que se mantém na função por servir ou aplacar certos interesses poderosos - e assim previne que algo desagradável sobrevenha sobre aqueles nos postos de poder.
O ideólogo não pode governar bem; mas, tampouco o pode o oportunista[10]. Pessoas conservadoras na política precisam se manter à distância da Scylla de abstração e da Charybdis de oportunismo[11]. Assim é que pessoas com pensamento e pontos de vista conservadores devem rejeitar os abraços das seguintes categorias de zelotes políticos:
Daqueles que nos impelem a vender os Parques Nacionais para promotores privados.
Daqueles que acreditam que pelos esfomeados sul-africanos nós podemos servir Jesse Jackson[12] e conquistar o voto dos negros em massa.
Daqueles que cortejariam as feministas em declínio mediante a abolição da liberdade acadêmica através de uma nova peça de legislação de "Direitos Civis".
Daqueles que nos instruem dizendo que "o critério do mercado" representa a totalidade da economia política e da moral.
Daqueles que imaginam que a política externa pode ser conduzida com zelo religioso, sobre uma base de direito absoluto e injustiça absoluta.
Daqueles que, imaginando que todos os erros e atos maliciosos são obra de uma “elite” maligna ou enganada, gritam com Carl Sandburg[13], “The people, yes!”
Daqueles que nos asseguram que as grandes corporações não podem fazer nada de errado.
Daqueles que discursam principalmente da Comissão Trilateral, dos Bilderburgers (14) e do Council on Foreign Relations.
E de várias outras gentry[15] que abjuram o liberalismo, mas não são capazes de conservar nada que vale a pena ser conservado.
Tem alguém deixado o campo conservador? Sim.
Existem sobreviventes até aos nossos dias, um elenco conservador de caráter e de mente, capaz de sacrifício, pensamento e sonoro sentimento. Esse tipo de mentalidade conservadora foi discernida na América por Tocqueville um século e meio atrás, por Maine e Bryce há um século, e por Julián Marías há vinte anos. Se bem despertadas em mente e consciência, tais pessoas - realmente muito numerosas nestes Estados Unidos - são capazes de reforma e revigoramento conservador duradouros. Mas, se a trombeta der um som incerto, quem sairá para a batalha?

Notas:

1 - Test Act - qualquer lei ou princípio que estabeleça que a elegibilidade de uma pessoa para um cargo público dependa da confissão da religião oficial. Na Escócia, o princípio foi adotado imediatamente após a Reforma, e um ato de 1567 emitiu a confissão da fé reformada como condição para se assumir um cargo público. [N. do T.]

2 - Thirty-nine Articles - declaração doutrinal da Igreja da Inglaterra que, junto com o Book of Common Prayer, apresenta sua liturgia e sua doutrina. [N. do T.]

3 - A expressão Chaos and Old Night é oriunda do poema épico Paradise Lost (linha 544, livro I), de John Milton. Este utilizou a expressão para se referir ao “material” a partir do qual Deus ordenou e criou o mundo. [N. do T.]
4 - Against brains no original. [N. do T.]
5 - Tenure no original - um professor universitário que tem tenure pode permanecer em seu emprego permanentemente, geralmente depois de ter atuado por um determinado número de anos. [N. do T.]
6 - Fiend no original - um espírito maligno ou demônio; o diabo; uma pessoa perversa ou cruel. [N. do T.]
7 - Fresher no original - mais frescos, novatos, calouros. [N. do T.]
8 - Fresher no original. [N. do T.]
9 - Mississippi Bubble - um esquema financeiro elaborado na França do século XVIII que desencadeou um frenesi especulativo e terminou em colapso financeiro. [N. do T.]
10 - Time-server no original - uma pessoa que muda seus pontos de vista para poder se adequar às circunstâncias prevalecentes ou à moda; servo de ocasião. [N. do T.]
11 - Between Scylla and Charybdis - expressão derivada da mitologia grega utilizada para se referir a uma situação envolvendo dois perigos onde a tentativa de evitar um aumenta o risco do outro. Scylla e Charybdis, segundo o livro XII da Odisséia de Homero, eram dois monstros que ocupavam as águas estreitas percorridas por Odisseu em suas viagens. A distância entre os monstros era pequena, de modo que afastar-se de um significava aproximar-se do outro. [N. do T.]
12 - Político cujas indicações para a candidatura à Presidência do EUA pelo Partido Democrata foram as mais bem sucedidas de um afro-americano até 2008, quando Obama conquistou a nomeação. [N. do T.]
13 - Poeta, historiador e romancista americano. Em meio a Grande Depressão, escreveu um testamento poético ao poder do povo de avançar, de seguir em frente, intitulado The People, Yes (1936). [N. do T.]
14 - Aqui trata-se de uma referência satírica ao Bilderberg Group, também conhecido comoBilderberg conference ou Bilderberg Club, uma conferência realizada anualmente com a presença majoritária de pessoas influentes da Europa e da América do Norte, isto é, governantes, políticos, banqueiros, industriais e gente do campo trabalhista, educacional e das comunicações.

15 - Gentry - pessoas de boa posição social, especificamente a classe de pessoas próxima ou logo abaixo da nobreza em posição e nascimento; pequena nobreza ou aristocracia. [N. do T.]


Tradução: José Junio Souza da Costa

domingo, 11 de janeiro de 2015

Literatura Africana?

Há alguns anos, graças aos estímulos do professor Olavo de Carvalho, brotou em mim o gosto e a afeição pelo estudo em áreas diversas, dentre as quais estão a História, a Filosofia e a Literatura. Há também o gosto pela teologia, mas esta, atraiu-me anteriormente, quando dobrei minha soberba perante o Altíssimo e converti-me católico. Porém, nos últimos meses, a balança tem pesado sensivelmente para um interesse maior para a Literatura. Nunca havia pensado em cursar uma faculdade de Letras, pelo simples fato de que meu gosto por história fez-me constatar que os meios acadêmicos estão completamente fagocitados pela esquerda, desde o período da ditadura (ou "ditabranda") militar, pois houve o que se chama de "Teoria da panela de pressão", criada pelo General Golbery do Couto e Silva, que dizia que não se podia impor uma pressão exacerbada nos revolucionários na guerrilha urbana, sem dar-lhes - coitadinhos - uma válvula de escape, dando-lhes portanto, os meios acadêmicos das universidades, dando-lhes um reduto - ou covil - para que lá fosse desenvolvida a virulenta e nefasta filosofia de Antônio Gramsci, esta que por passe de mágica, todo brasileiro põe em prática sem sequer darem-se conta de que ela existe. Por isso, é raro, muito raro um professor de história que não seja comunista ou filo-comunista. 

Os militares não tinham formação para entender, que não só a guerrilha armada deveria ser combatida, mas também e principalmente, a guerra cultural.

O fato é que ontem, talvez por haverem em mim resquícios dessa formação secundarista que recebi impregnada de Gramscismo, e que de fato, tenho que extirpar como se extirpa um câncer, fui acometido por um estranho ímpeto de querer inscrever-me para tentar um vestibular para o Bacharelado em Letras, Português - Literatura, pelo portal CEDERJ, que é um tipo de curso à distância. Pois bem, empolgado, fui à grade curricular, e quando buscava encontrar as matérias de Literatura Estrangeira, a única literatura estrangeira que havia sido proposta para se estudar durante todo o curso de letras era: LITERATURA AFRICANA!.  http://cederj.edu.br/cederj/cursos/letras/

Isto fez com que eu me questionasse: Que diabos de contribuição deu a Literatura Africana para a formação do Ocidente? Não é nossa base de formação cultural, ela inteirinha, européia? Nosso Direito, nossa Religião, nossos valores morais, não foram todos eles formados, embora hoje vilipendiados, por uma base cultural européia? Ora, então por quê as cadeiras de Literatura Africana I e II constantes na grade curricular do referido curso? Pois bem, a resposta está exatamente no motivo que aleguei para até hoje relutar ingressar numa universidade: o maldito pensamento marxista de Antônio Gramsci.

Não é novidade, que a esquerda brasileira, ou marxistas, ou comunistas, chamem-os como bem quiserem, precisam de minorias para fazer o papel do "proletariado" que foi retumbantemente convocado por Marx em seu manifesto Comunista a fazer revolução. Estas minorias, o "novo proletariado", são hoje, principalmente, Gays e negros; daí a ideia de incluir a Literatura Africana na grade curricular do curso. Além disso, pode haver a alegação de que a cultura do Brasil é afro-descendente. Mentira! Quando os negros vieram para o Brasil, nada trouxeram consigo além dos seus barulhentos rituais pagãos, e nenhum escrito. Além do mais, é lógico pôr os acadêmicos em contato com a paupérrima literatura africana em detrimento das riquíssimas Literaturas Russa, Inglesa e Francesa? Por quê Wole Soyinka e Nadine Gordimer, e não Gustave Flaubert e Fiódor Dostoiéwski; O que é isso senão uma ação deliberada para reduzir ao pó o restante de dignidade intelectual do brasileiro que, sonhando em ter uma respeitável carreira, entra em um curso de Letras? A idéia é justamente relegá-lo à patamares mais inferiores dos que já foram alcançados! Pode a intelectualidade Brasileira ser mais abjeta e execrável do que já é? A resposta é sim! Pode! E estão levando isso às últimas consequências!

Isto foi bom, pois serviu-me como um tapa na cara, fazendo com que eu despertasse do transe ao qual havia sido conduzido, e tivesse novamente a certeza de que a melhor formação em Literatura que eu posso adquirir, é a proposta pelo professor Olavo de Carvalho : adotar como programa de estudos a magnífica "História da Literatura Ocidental", do Austríaco, não Africano, Otto Maria Carpeux. Assim, tenho um programa de estudos para a vida inteira. Obrigado, professor Olavo.

Jihadismo de uns, farisaísmo de outros

 Por Percival Puggina

Em junho de 2014 minha mulher e eu fomos conhecer Istambul. Não por coincidência, procedíamos de Roma. Quiséramos, de fato, experimentar esse salto abrupto, proporcionado por pouco mais de duas horas de voo, entre as duas cidades milenares - a Roma do Ocidente e a Roma do Oriente.

Encontramos uma Istambul fortemente ocidentalizada. O trânsito caótico, aliás, lembra muito o de Roma. No entanto, sobre a buzinação dos automóveis e o ruidoso assédio dos comerciantes é possível ouvir, cinco vezes ao dia, a miríade de minaretes reproduzirem a voz do muezin chamando à oração. É assim que a gente se lembra, frequentemente, de estar num país islâmico.

Durante séculos, o panorama das cidades do mundo cristão foi marcado pela visibilidade das torres das igrejas. Elas se erguiam acima das demais edificações, ganhando altura e sinos exatamente para assinalarem a presença do sagrado. Com o tempo, porém, nos grande centros urbanos, os arranha-céus superaram as torres, os sinos calaram e as igrejas sumiram na paisagem. Em Istambul, diferentemente, os minaretes, sempre visíveis, preservam sua importância simbólica para a religiosidade da população muçulmana.

Daquele primeiro contato com um país islâmico, ficaram-nos duas importantes constatações. Primeiro, foi o fato de que, em momento algum, qualquer de nós - minha mulher e eu - ocidentais, católicos, praticantes, nos sentimos estranhos perante a religiosidade da população local, suas expressões de fé, suas mesquitas, seus cantos e suas práticas religiosas. Tudo nos pareceu bom, digno e respeitável. Ficou ainda mais difícil, então, entender a existência, no Ocidente, de pessoas e organizações que, se dizendo agredidas por manifestações públicas de religiosidade, pretendem aboli-las.

Segundo, foi perceber que não existe, na Turquia, interdição ou rejeição a outras religiões, seus símbolos e suas práticas. Certamente entre outros, há templos católicos, evangélicos e sinagogas, revelando o caráter moderno e civilizado do povo. Um bom exemplo dessa virtude torna-se nítida no interior de Santa Sofia, ou Agia Sophia (Sagrada Sabedoria). Aquela magnífica construção foi catedral de Constantinopla durante 11 séculos. Com a tomada da cidade pelos seljúcidas, em 1453, foi convertida em mesquita. Em 1935, virou museu. Ao visitá-la, observam-se, por toda parte, símbolos cristãos e tentativas de recuperar mosaicos com temas católicos que haviam sido recobertos com tinta durante seu uso como mesquita. Deixamos Santa Sofia pensando sobre a extravagante sensibilidade que faz certas pessoas, em pleno século 21, se sentirem constrangidas, agredidas, com a visão de um crucifixo ou de outro símbolo religioso em local público.

Estas reflexões, me levam, enfim ao ataque terrorista à redação do Charlie Hebdo. Assim como há o ateísmo como doença mental (presente em todas as experiências comunistas do século 20), existe a religiosidade como doença mental, perceptível nos fanatismos e no jihadismo que, com violência crescente, se verifica no islamismo. A intolerância é um mal que pode afetar tanto os crentes quanto os ateus. Não é um mal inerente à crença ou à descrença. É um mal do indivíduo.

Os cartunistas do semanário francês não foram as únicas e singulares vítimas dessa insanidade que iniciou no século 7º e nunca teve fim. Em mais de meia centena de países, seja como vítimas do ateísmo, seja como vítimas de fanatismos religiosos, morrem 20 cristãos por dia no mundo. Centenas de milhares são constrangidos a migrar. Cinco dezenas de países os discriminam negativamente. No Iraque, por exemplo, desde 2003, a população católica perdeu 700 mil membros. Outros 450 mil deixaram a Síria. Duas centenas de igrejas cristãs foram destruídas na Nigéria, durante o último mês de outubro. Mas esses fatos não ganham manchete, não levam ninguém às praças do mundo civilizado, e não geram, na diplomacia de Dona Dilma, qualquer manifestação.

O nome disso é farisaísmo. Enquanto defende a liberdade de criação dos cartunistas franceses, designa para a pasta da Comunicação de seu próprio governo um ferrenho adversário da liberdade de imprensa, que deixou isso bem claro já no discurso de posse.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

J.R.R.Tolkien e a conversão de C.S. Lewis





Estou lendo uma envolvente biografia de J.R.R. Tolkien, e para quem não faz idéia de quem seria este nobre e eruditíssimo senhor, ele é autor, dentre inúmeras obras de literatura fantástica de garbo, do magnífico “ O Senhor dos Anéis”, e do não menos magnífico “ O Hobbit”. Ambos tornram-se sucessos de bilheteria ao serem produzidos para a cinematografia sob forma de trilogias. Estas duas obras de Tolkien, juntamente com “O Silmarillion” – uma espécie de livro do Gênesis da Terra Média, que é o lugar onde se passa toda a saga - coroam J.R.R. Tolkien como o “Senhor da Fantasia”.

O capítulo 8 da referida biografia, é dedicado às amizades de Tolkien, e de que maneira estas amizades influenciaram seu pensamento. Todos os amigos de Tolkien nutriam a mesma afeição ao cultivo do intelecto, e davam-se em seus encontros semanais, à leitura em voz alta, à conversas sobre os mais variados temas, e à cerveja. Dentre os membros desse grupo, o qual chamavam de “Iklings”, que significa “Tinteiros” ( uma alusão ao fato de serem escritores e apaixonados pela escrita.) havia um membro ilustre e eminente, membro cujas obras de literatura fantástica também foram transportadas para as telas dos cinemas: refiro-me à C.S. Lewis. Tolkien, assim como outros do grupo, era fervorosamente católico.

A amizade entre os dois revela-se intensa e complexa desde o início, porém, há um fato que é relatado no final do capítulo que particularmente chamou minha atenção; fala sobre a conversão de C.S Lewis de agnóstico para Cristão, operada pela apologética de J.R.R. Tolkien. Assim se expressa Michael White, biógrafo de Tolkien:

“Entre muitos debates intensos e frutíferos que Tolkien e Lewis tiveram, houve um que se destacou como um momento decisivo, marcando a circunstância em que Lewis passou de agnóstico para crente.

Foi em um sábado à noite, 19 de setembro de 1931. Amigo de Lewis e Tolkien, Hugo Dyson – também ele cristão – estava fazendo uma de suas visitas frequentes a Oxford e havia jantado com Jack (apelido como era chamado Lewis) e Tolkien em Magdalen. Ele estava bem ciente das conversas que seus dois amigos haviam tido sobre o assunto e entusiasmado para juntar-se a eles. Depois do jantar, os três saíram para um passeio, e a conversa naturalmente voltou-se para o Cristianismo. Lewis havia se entrincheirado em sua visão panteísta de Deus e, por conta disso, não podia começar a adotar o dogma cristão, que em seu âmago, requer uma crença em Cristo e uma convicção resoluta que Jesus foi enviado para morrer na Cruz com o objetivo de salvar nossas almas. Lewis só podia aceitar isso como sendo nada mais que um mito. Ele, como Tolkien, era um estudioso das mitologias antigas, das fábulas de heróis e da salvação moral pagã. Para ele, a história de Cristo  era simplesmente apenas outra lenda, outro mito que não era mais preciso ou significante para ele e o mundo moderno de qualquer outro. E lá, no fundo, ele acreditava, mitos eram claramente mentiras. 

Tolkien escutou cuidadosamente o que seu amigo disse e quando Lewis chegou a essa conclusão, ele (Tolkien) ergueu os braços, como se dissesse: “Como você pode acreditar que história de Cristo não passa de uma lenda antiga?” Então Tolkien respondeu com um argumento que mudou o rumo da vida de Lewis.
Mitos, declarou ele, com certeza não são mentiras. Mitos derivam de um núcleo verdadeiro e carregam consigo um significado cultural muito específico. O cristianismo é baseado naquilo que Lewis considerava o “mito de Cristo”. Muito bem então, Tolkien argumentava, chame-o de mito se assim quiser, mas ele é construído a partir de eventos reais e inspirado em uma verdade profunda. Em última instância, nenhum mito é mentira, acreditava Tolkien, e o “Mito” que reside no centro do cristianismo,  fornece um caminho a ser seguido em busca dos aspectos não materialistas de cada ser humano, uma estrada para a verdade espiritual mais profunda. 

A revelação não chegou instantaneamente, mas é claro que esta conversa fez Lewis pensar a respeito do problema da Fé de uma maneira bem diferente daquela a qual estava acostumado. Lewis nunca aceitou alguns aspectos do conservadorismo cristão; parecia que seu intelecto sempre ficava no caminho de sua Fé. Uma vez escreve para um amigo: “ Como eu – eu, mais do que ninguém – poderia chegar a acreditar numa história ridícula como essa?” No entanto, duas semanas após seu debate dom Tolkien e Dyson, Lewis estava escrevendo a um amigo Arthur Greeves, contando-lhe que havia deixado suas convicções de longa data  para assumir uma nova posição na qual poderia finalmente aceitar Cristo; em outras palavras, ele agora se considerava “um cristão”.”

WHITE, Michael, “J.R.R. Tolkien, o senhor da fantasia”; tradução de Bruno Dorigatti. Rio de Janeiro; Darkside Books, 2013