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domingo, 8 de novembro de 2015

Estupidez endêmica

A fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave.
Uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela.

Por Olavo de Carvalho


Algumas idéias espalham-se com grande sucesso não apesar de serem estúpidas, mas precisamente porque o são. A estupidez maciça exerce um poder anestésico e paralisante sobre a inteligência humana, detendo o seu movimento natural e fazendo-a girar em falso em torno de alguma crença idiota por anos, décadas ou séculos, incapaz de livrar-se do seu magnetismo perverso ou de pensar o que quer que seja fora do círculo de ferro da idiotice consagrada.

O exemplo mais assombroso é este:

É impossível descobrir ou traçar qualquer conexão lógica entre as liberdades civis e a estatização dos meios de produção. São esquemas não somente heterogêneos, mas antagônicos. Antagônicos lógica e materialmente. Qualquer garoto de ginásio pode compreender isso tão logo lhe expliquem o sentido dos dois conceitos. A candura com que tantos homens adultos falam em “socialismo com liberdade” – isto quando não chegam a acreditar que essas duas coisas são a mesma, ou que uma decorre da outra com a naturalidade com que as bananas nascem das bananeiras – é a prova inequívoca de uma deficiência intelectual alarmante, que desde há um século e meio se espalha sem cessar pelas classes cultas, semicultas e incultas com a força avassaladora de uma contaminação viral, sem dar sinais de arrefecer mesmo depois que a experiência histórica comprovou, de maneira universal e repetida, aquilo que poderia ser percebido antecipadamente por mera análise lógica e sem experiência histórica alguma.

A pergunta é simples e brutal: como é possível que a centralização do poder econômico, expandindo-o automaticamente sobre toda a sociedade e investindo-o da força suplementar do aparelho repressivo do Estado, venha a torná-lo menos opressivo e tirânico do que milhares de poderes econômicos parciais e limitados, espalhados como farelo, desprovidos do poder de polícia e em perpétua concorrência uns com os outros?

Ninguém deveria precisar de mais de alguns segundos para atinar com a resposta óbvia: Não, não pode. Nem se pode negar que os próprios clássicos do “socialismo científico” tenham ajudado a tornar essa resposta ainda mais patente, quando declararam alto e bom som que o que se seguiria ao capitalismo não seria uma democracia, de qualquer tipo que fosse, e sim a ditadura do proletariado. O que eles não explicaram jamais, nem nenhum de seus seguidores pediu jamais que o fizessem, foi como essa ditadura, uma vez vitoriosa e consolidada, poderia transmutar-se numa democracia exceto pelo método de liquidar-se a si mesma, dissolvendo o monopólio estatal e distribuindo o poder econômico entre os particulares – outra impossibilidade lógica ilustrada por uma longa e sangrenta experiência histórica que um pouco de inteligência tornaria perfeitamente dispensável.

Em suma, a fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave, que se espalha como praga e se arraiga no fundo dos cérebros por virtude da própria estupidez originária que a produz e determina.

Mas, como uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela, o sucesso propagandístico da idéia socialista trouxe consigo uma multidão de cretinices derivadas e secundárias, cujo poder de persuasão não se rende nem mesmo ante a evidência dos fatos mais constantes e repetidos.

Uma delas é a crença, hoje um dogma de evangelho, de que a educação universal obrigatória tem o poder de aplanar as diferenças socioeconômicas. Pois deveria ser lógico e intuitivo que, se a exigência de credenciais escolares se impõe até nas profissões mais simples e modestas, credenciais mais altas e difíceis de obter se espalharão de maneira concomitante e automática entre as profissões mais prestigiosas e rentáveis, deslocando para cima, sem alterá-lo, o quadro inteiro da estratificação social. O sociólogo Randall Collins, no clássico estudo The Credential Society. An Historical Sociology of Education and Stratification (New York, Academic Press, 1979), demonstrou que, exceto por um curto período durante o New Deal, foi exatamente isso o que se passou nos EUA: o reino das credenciais escolares não democratizou nada, apenas instituiu, nos andares mais altos da sociedade, a república das sinecuras milionárias, corrompendo de quebra o zé-povinho ao inocular na sua mente a ambição inalcançável da ociosidade bem remunerada. Mas, assim como toda idéia estúpida tem o condão de paralisar a intuição lógica, mais ainda ela debilita e por fim suprime a capacidade de aprender com a experiência histórica, que não é senão a longa e dolorosa demonstração indutiva daquilo que, para uma inteligência normal, já estava demonstrado antes por mera análise dos conceitos envolvidos.

Pouco importando o seu nível formal de instrução, pessoas contaminadas por essa paralisia endêmica das inteligências naufragam num oceano tão escuro e denso de erros de percepção e raciocínio que terminam incapazes de conhecer a sua própria posição na sociedade e os efeitos mais óbvios das suas próprias ações, mesmo e sobretudo quando receberam treinamento universitário em ciências sociais.
O exemplo mais óbvio é o dos sociólogos, economistas, juristas e cientistas políticos de esquerda, quando alardeiam que as universidades são o “aparato ideológico da burguesia”, construído para perpetuar a hegemonia cultural do capitalismo. Pois proclamam isso nas mesmas universidades estatais que eles próprios dominam sem a menor interferência da burguesia e nas quais toda objeção capitalista ao império do marxismo é punida com boicotes, chacotas e notas baixas, se não com o fim abrupto de uma carreira universitária. É óbvio que essas pessoas, literalmente, não sabem onde estão nem percebem o que fazem. Estão perdidas no espaço e no tempo -- o que não impede que o restante da população continue confiando nelas para que lhe expliquem como a sociedade funciona.

Publicado no Diário do Comércio.

http://olavodecarvalho.org
http://seminariodefilosofia.org
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Por que o Islã assusta?

Esse fluxo, irrestrito e em proporções demográficas, ocorre num momento em que o fundamentalismo islâmico se afirma pelo terror e formula assustadoras ameaças ao Ocidente e seu futuro.


Imigrantes do mundo islâmico desembarcam na Europa em proporções demográficas dando causa a interpretações antagônicas. De um lado, a defesa dos deveres humanitários pondera, com razões, a terrível situação capaz de jogar ao mar multidões em fuga, para travessias que já causaram a morte de dezenas de milhares de pessoas. De outro, as contrariedades têm dois motivos principais: a) uma dúzia ou mais de grupos terroristas, jihadistas, sediados nos países islâmicos, infiltram-se no Ocidente movidos por obstinada determinação de o destruir e submeter seus "infiéis"; b) nenhum país tem condições de acolher grandes fluxos migratórios sem traumas à ordem interna.

Alegadamente, todos fogem de algum conflito. Ou de guerras internas do Islã, onde grupos combatem entre si, ou de ataques a comunidades cristãs por motivos políticos e religiosos. No entanto, a condição de refugiados sob perseguição ou tragédia nos países de origem não é verdadeira em todos os casos. Se assim fosse, seria maior o número de famílias completas e menor o número de jovens do sexo masculino adultos e solteiros. Em 16 de abril deste ano, o Estadão noticiou que imigrantes provenientes de Costa do Marfim, Senegal, Mali e Guiné Bissau haviam jogado ao mar 12 passageiros que seriam cristãos oriundos de Nigéria e Gana. Ao desembarcarem, remanescentes do grupo sacrificado denunciaram o crime e as autoridades de Palermo prenderam seus autores.

Fato isolado? Impossível. Impossível admitir que tenham sido presos em Palermo, nessa explosão migratória, os únicos representantes de um fundamentalismo que despreza o direito a vida dos "infiéis" e é tão ativo na região. Prospera em tais grupos um ódio ao Ocidente que os leva a atacá-lo por inúmeros modos. Dão continuidade a uma sequência de ações que atravessam os séculos de modo intermitente desde 711, quando Tarik derrotou o visigodo Roderico e invadiu a península Ibérica.

A imigração é um fenômeno corrente na história. O continente americano é inteiramente povoado por imigrantes. Em toda parte, os imigrantes das mais variadas origens buscam integrar-se às comunidades que os acolhem, submetem-se às suas leis e não intervêm nos seus costumes. Com a imigração muçulmana, por vezes, não é bem assim. De alguns anos para cá, de modo esparso, mas recorrente, valem-se da tolerância ocidental para impor sua intolerância. Exigem do Ocidente o que, nas respectivas regiões de origem, não é concedido aos ocidentais. Declaram-se insubmissos à autoridade política do país que os acolheu. Desfilam afirmando a prevalência da sharia. Por indiscerníveis razões, países igualmente islâmicos, abastados e pacíficos, aos quais poderiam chegar por terra firme, lhes recusam a acolhida incondicionalmente cobrada dos europeus.

Ademais, esse fluxo, irrestrito e em proporções demográficas, ocorre num momento em que o fundamentalismo islâmico se afirma pelo terror e formula assustadoras ameaças ao Ocidente e seu futuro. Derrubam aeronaves, explodem edifícios e estações, promovem execuções públicas e agem, no mundo, através de um número crescente de organizações terroristas. Generosidade é virtude; imprudência, não.

http://www.puggina.org

domingo, 11 de outubro de 2015

domingo, 27 de setembro de 2015

Concerto para Piano in D minor, de Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart compôs obras realmente impactantes e de fortes tonalidades, como o seu Réquiem in D minor , K 626. Hoje gostaria de compartilhar com o nobre leitor, outra obra magnificamente composta pelo nosso "tesouro de Salzburgo", Concerto para Piano, número 20, K466. Uma obra prima da música mozartiana, muito apreciada por dois luminares da Música Clássica: Ludwig Von Beethoven e Johannes Brahms. Orquestra Filarmônica de Berlim, sob a regência do também magnífico Daniel Baremboin. Espero que apreciem!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Mourão", de Guerra-Peixe

A Música é uma das sete artes liberais, que juntamente com a Astronomia, geometria e aritimética, compõe o Quadrivium. As outras três, a título de informação, são a Gramática, a Retórica e a Dialética, que formam o Trivium

O grande - quiçá o único digno de ser citado - Medievalista brasileiro, Prof. Dr. Ricardo da Costa, num magnífico estudo dobre a Música e Erudição diz o seguinte: 
"Conseguirá o historiador do futuro explicar o nosso tempo sem a sonoridade que preenche nossas existências e que fez parte de nossa educação? Amplio as perguntas: é possível explicar alguma época sem tratar de sua música?" (1)
Desesperar-nos-íamos se ao fitarmos o recorte da realidade musical que nos cerca cá no Brasil, utilizássemos para termos uma vaga idéia da imagem cultural e intelectual que teriam de nós nossos herdeiros alguns séculos à frente, o Funk, o Pagode e afins. Fossem estes os únicos aspectos das realidades musicais dos quais tivessem notícias nossos sucessores nesta terra, a imagem que teriam de nós seria certamente a de uma sociedade que perdeu a noção de beleza e de sublimidade músical, e que rendeu-se à rítmica tribal, com ênfase nos impulsos mais primitivos e brutos.

Mas estes não são de fato o que há de melhor na cultura musical brasileira, e tampouco algo para ser lembrado como legado a ser recebido pelas gerações futuras. Quiçá, serão lembrados como a idade das trevas cultural tupiniquim. 

Brotaram em terras brasileiras, mesmo que a cultura eivada de marxismo e ideologia os tenha feito submergir no mar do esquecimento, muito bons escritores, bons atores, bons dramaturgos, bons músicos, e bons compositores. Um destes compositores é César Guerra-Peixe (1914 - 1993), carioca, natural de petrópolis, e grande compositor de Música erudita.

Guerra-Peixe possui uma lista de obras invejável e dentre estas está "Mourão"; uma verdadeira obra prima da melodia e do ritmo genuinamente brasileiro.

Espero que apreciem:


1 - http://www.ricardocosta.com/artigo/musica-e-erudicao-chaves-para-compreensao-historica#sthash.Di525A2b.dpuf

sábado, 12 de setembro de 2015



Papa sob ataque por Motu Proprio; Cardeal Kasper reafirma sua proposta.

Por Edward Petin – National Catholic Register | Tradução: FratresInUnum.com – Acabam de sair artigos relatando que um dossiê de 7 páginas, obtido pelo jornal alemão Die Zeit, está circulando na cúria romana, no qual altos oficiais do Vaticano expressam descontentamento com a recente mudança na lei da Igreja sobre nulidades [matrimoniais] e com uma falta de consulta acerca do assunto.

Na terça-feira, o Papa fez uma vasta reforma para tornar o processo de declaração de nulidade mais simples, rápido e barato.

Segundo Die Zeit, os oficiais juridicamente “dissecaram” o motu proprio (decreto) do Papa sobre a reforma do processo de nulidade, acusaram o Santo Padre de abandonar um importante dogma, e afirmaram que ele introduziu um “divórcio Católico” de facto.

Outras preocupações mencionadas no documento são de que, apesar da gravidade do tema, nenhum dicastério, inclusive, aparentemente, a Congregação para a Doutrina da Fé, bem como as conferências episcopais, foram consultadas sobre a decisão — uma alegação que o Register confirmou por várias fontes. O dossiê afirma que os canais legislativos de costumes foram “minados” assim como “nenhum dos passos previstos do procedimento legislativo foram seguidos”.

Críticos afirmam que isso se choca com o chamado do Papa por sinodalidade e colegialidade, e se parece com um “Führerprinzip” [ndt: “princípio da liderança” que constituiria a primeira lei do partido nazista; a partir de então, Hitler seria chamado de Führer] eclesial, ordenando de cima para baixo, por decreto e sem qualquer consulta ou análise.

Pelo contrário, a comissão papal que rascunhou o motu proprio foi ordenada a manter silêncio durante todo o processo, provavelmente para evitar que as reformas fossem prejudicadas pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) e outros na cúria. Mas a matéria também alega que a própria comissão não viu o rascunho final, e que um cardeal italiano, juntamente com outros dois purpurados, “furiosamente” tentaram evitar que o motu proprio fosse divulgado antes do sínodo, porém, sem sucesso.

O Register soube, por outras fontes, que essa decisão, bem como outras, estão efetivamente isolando a CDF e que o Papa está gradativamente tornando o trabalho da congregação supérfluo.

O artigo também dá voz à preocupação de que o motu proprio vai levar a uma enxurrada de nulidades e que, de agora em diante, casais poderão simplesmente deixar seu casamento católico sem qualquer dificuldade.

“Um número de monsenhores que têm oficialmente a incumbência de direcionar os assuntos da Igreja como um todo estão fora de si” e se sentiram obrigados a “falar”, segundo Die Zeit. Eles estão também preocupados com a linguagem “extremamente vaga” usada no motu proprio, especialmente as razões para um julgamento rápido, como a “falta de fé” ou outros motivos que não são claramente definidos.

Embora a necessidade de simplificar os processos de nulidade tenha obtidos dois terços do consenso no sínodo do ano passado, a matéria observa que os padres sinodais protestaram bastante contra a idéia de um processo rápido para determinar a nulidade de um casamento sob a supervisão do bispo local. Agora isso é uma lei da Igreja, mesmo antes do sínodo ter discutido a respeito.

Esperamos tratar sobre essas afirmações mais detalhadamente em um futuro próximo.

Neste ínterim, em uma nova entrevista, o Cardeal Walter Kasper voltou a lançar sua proposta de readmitir os católicos [recasados civilmente] à Sagrada Comunhão, afirmando estar “confiante” de que “um amplo consenso” pode ser encontrado.

Ele também disse, nessa entrevista concedida em 11 de setembro ao Vatican Insider, que é “necessário construir sabiamente” tal consenso sobre a proposta.

Os comentários do cardeal surgem poucos dias muitos sentirem que a reforma de Francisco nos processos de nulidade derrubou a proposta de Kasper, ao oferecer um compromisso a ambos os lados.

As observações de Kasper, todavia, mostram sua determinação de reafirmar sua proposta, que consiste em permitir divorciados civilmente recasados receberem a Sagrada Comunhão após um período penitencial. Ele também propõe que a readmissão pode ocorrer após “um juízo honesto da pessoa preocupada com sua própria situação pessoal” e ajuda de um confessor sacramental. O processo seria supervisionado pelo bispo local.

Amplamente apoiado pela hierarquia alemã, a proposta foi firmemente rejeitada por teólogos proeminantes e lideranças da Igreja como um grave abuso contra os sacramentos da Eucaristia, matrimônio e penitência. Ela também não obteve dois terços de maioria no último sínodo de outubro, embora o Papa insistiu em mantê-la na lista de proposições a serem discutidas no vindouro sínodo do próximo mês.

Os comentários do Cardeal Kasper aparecem enquanto crescem as tensões diante do Sínodo Ordinário sobre a Família em outubro. Ontem, foi divulgado que 50 teólogos preocupados apelaram ao Papa Francisco para defender os ensinamentos da Humanae Vitae (a encíclica do B. Paulo VI que proíbe a contracepção) e da Veritatis Splendor (encílica do Papa S. João Paulo II, de 1993, enfatizando o ensinamento moral da Igreja).

Os signatários, dentre os quais o padre jesuíta Kevin Flannery, professor de filosofia moral da Pontifícia Universidade Gregoriana, e o professor de filosofia Robert Spaemann, companheiro próximo do Papa Emérito Bento XVI, argumentam que um parágrafo específico do Instrumentum Laboris (documento de trabalho) do sínodo está gravemente equivocado, efetivamente esvaziando a Humanae Vitae de seu ensinamento central.

Deputado Eduardo Bolsonaro e bons argumentos a favor do armamento civil.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O império da ignorância

SÃO PAULO, 10 DE SETEMBRO DE 2015 ÀS 17:31 POR OLAVO DE CARVALHO - dcomercio.com.br

Como é possível que, num país onde cinquenta por cento dos universitários são reconhecidamente analfabetos funcionais, o currículo acadêmico de um professor continue sendo aceito como prova inquestionável de competência?

Vamos falar o português claro: Aquele que não dá o melhor de si para adquirir conhecimento e aprimorar-se intelectualmente não tem nenhum direito de opinar em público sobre o que quer que seja. Nem sua fé religiosa, nem suas virtudes morais, se existem, nem os cargos que porventura ocupe, nem o prestígio de que talvez desfrute em tais ou quais ambientes lhe conferem esse direito.

Discussão pública não é mera troca de opiniões pessoais, nem torneio de autoimagens embelezadas: é eminentemente intercâmbio de altos valores culturais válidos para toda uma comunidade humana considerada na totalidade da sua herança histórica, e não só num momento e lugar.

O direito de cada um à atenção pública é proporcional ao seu esforço de dialogar com essa herança, de falar em nome dela e de lhe acrescentar, com as palavras que dirige à audiência, alguma contribuição significativa. O resto, por "bem-intencionado" que pareça, é presunção vaidosa e vigarice.

Todos os males do Brasil provêm da ignorância desses princípios. Políticos, empresários, juízes, generais e clérigos incultos, desprezadores do conhecimento e usurpadores do seu prestígio, são os culpados de tudo o que está acontecendo de mau neste país, e que, se esses charlatães não forem expelidos da vida pública, continuarão aumentando, com ou sem PT, com ou sem "impeachment", com ou sem "intervenção militar", com ou sem Smartmatic, com ou sem Mensalão e Petrolão.

Desprezo pelo conhecimento e amor à fama que dele usurpa mediante o uso de chavões e macaquices são os pecados originais da "classe falante" no Brasil.

Só o homem de cultura pode julgar as coisas na escala da humanidade, da História, da civilização. Os outros seguem apenas a moda do momento, criada ela própria por jornalistas incultos e professores analfabetos, e destinada a desfazer-se em pó à primeira mudança da direção do vento.

A cultura pessoal é a condição primeira e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.

Vou lhes dar alguns exemplos de desastres nacionais causados diretamente pela incultura dos personagens envolvidos.

Só pessoas prodigiosamente incultas podem ter alguma dificuldade de compreender que uma eleição presidencial com apuração secreta, sem transparência nenhuma, é inválida em si mesma, independentemente de fraudes pontuais terem ocorrido ou não.

O número de jumentos togados e cretinos de cinco estrelas que, mesmo opondo-se ao governo, raciocinam segundo a premissa de que a sra. Dilma Rousseff foi eleita democraticamente em eleições legítimas, premissa que lhes parece tão auto evidente que não precisa sequer ser discutida, basta para mostrar que o estado de calamidade política e econômica em que se encontra o país vem precedido de uma calamidade intelectual indescritível, abjeta, inaceitável sob todos os aspectos.

Quando na década de 90 os militares aceitaram e até pediram a criação do “Ministério da Defesa”, foi sob a alegação de que nas grandes democracias era assim, de que só republiquetas tinham ministérios militares.

Respondi várias vezes que isso era raciocinar com base no desejo de fazer boa figura, e não no exame sério da situação local, onde a criação desse órgão maldito só serviria para aumentar o poder dos comunistas. Mil vezes o Brasil já pagou caro pela mania de macaquear as bonitezas estrangeiras em vez de fazer o que a situação objetiva exige. Esse caso foi só mais um da longa série.

Mesmo agora, quando a minha previsão se cumpriu da maneira mais patente e ostensiva, ainda não apareceu nenhum militar honrado o bastante para confessar sua incapacidade de relacionar a estrutura administrativa do Estado com a disputa política substantiva. Continuam teimando que a ideia foi boa, apenas, infelizmente, estragada pelo advento dos comunistas ao poder – como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra, como se fosse tudo uma soma fortuita de coincidências, como se a demolição do prestígio militar não fosse um item constante e fundamental da política esquerdista no país e como se, já no governo FHC, a criação do Ministério não fosse concebida como um santo remédio, com aparência legalíssima, para quebrar a espinha dos militares.

Um dos traços mais característicos da incultura brasileira, já assinalado por escritores e cientistas políticos desde a fundação da República pelo menos, é a subserviência mecânica a modelos estrangeiros copiados sem nenhum critério.

Numa sociedade culturalmente atrofiada, a coisa mais inevitável é que todas as correntes de opinião que aparecem na discussão pública sejam apenas cópias ou reflexos de modelos impostos, desde o exterior, por lobbies e grupos de pressão que têm seus próprios objetivos globais e não estão nem um pouco interessados no bem-estar do nosso povo.

Cada “formador de opinião” é aí um boneco de ventríloquo, repetidor de slogans e chavões que não traduzem em nada os problemas reais do país e que, no fim das contas, só servem para aumentar prodigiosamente a confusão mental reinante.

Como é possível que, num país onde cinquenta por cento dos universitários são reconhecidamente analfabetos funcionais e os alunos dos cursos secundários tiram sistematicamente os últimos lugares nos testes internacionais, o currículo acadêmico de um professor continue sendo aceito como prova inquestionável de competência?

Não deveria ser justamente o oposto? Não deveria ser um indício quase infalível de que, ressalvadas umas poucas exceções, o portador dessa folha de realizações é muito provavelmente, por média estatística, apenas um incompetente protegido por interesses corporativos? Terá sido revogado o “pelos frutos os conhecereis”? A interproteção mafiosa de carreiristas semianalfabetos unidos por ambições grupais e partidárias tornou-se critério de qualificação intelectual?

Não é mesmo um sinal, já não digo de mera incultura, mas de positiva debilidade mental, que os mesmos apologistas do establishment universitário fossem os primeiros a apontar como mérito imarcessível do candidato Luís Ignácio Lula da Silva, em duas eleições, a sua total carência de quaisquer estudos formais ou informais? Não chegava a prodigiosa incultura do personagem a ser louvada como sinal de alguma sabedoria infusa? Todo sujeito que, à exigência de conhecimento, opõe o louvor evangélico aos “simples”, é um charlatão. Jesus prometeu aos “simples” um lugar no paraíso, não um palanque ou uma cátedra na Terra.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Refugiados Sírios: ou operação cavalo de Tróia

As mais claras águas podem levar de enxurro alguma palha podre (....)
Machado de Assis, em "O Velho Senado"

Escreve em tempos idos, porém eternizados, o bruxo do Cosme Velho acerca dos acontecimentos e das mudanças ocorridas no Senado da época de sua juventude. Eis aí o grande trabalho da Literatura: pôr-nos em contato com uma infinidade de vidas e situações possíveis, nas quais podemos nos identificar em diversas fases de nossa vida e com diversas e inesperadas situações cotidianas. 

Lia-o, quando no embalo da leitura do referido conto,que como todo conto Machadiano parace fazer-nos escorregar deliciosamente pelas letras artisticamente compostas, deparei-me com este trecho, e pude imediatamente associá-lo a outro acontecimento que aturdia-me: o maciço e estranho desejo de uma infinidade de países, ex nihilo, quererem dar acolhida a uma verdadeira avalanche de refugiados Sírios. Peço de forma terna ao leitor que não julgue-me insensível ou cruel, mas leiam-me como alguém que antes de estar preocupado com refugiados Sírios, preocupa-se com o Ocidente, casa também deste que vos escreve. 

O fato é que temos de um lado um grupo religioso fundamentalista, extremamente cruel, dado ao genocídio e com uma capacidade expansiva absurdamente assustadora. Do outro, o Ocidente, descrente da sanha e da capacidade totalitária do Islã, a ponto de ignorar (ou negligenciar deliberadamente) o projeto muito bem definido do Califado Universal. No meio, temos os que de fato sofrem sob o coturno satânico do Estado Islâmico. Perguntemo-nos sinceramente: poderíamos ser inocentes a ponto de crermos que o Estado Islâmico passaria ao lardo desta crucial oportunidade de fazer espalhar suas sementes de terror pelo ocidente, ocidente este que odeia visceralmente? Obviamente que o Estado Islâmico utilizar-se-á desta oportunidade dedentre a multidão de verdadeiros refugiados Sírios, fazer passar suas células terroristas, qual um câncer que torna-se metastático. 

Eles precisam apenas de uma porta entreaberta; estamos brindando-os com uma porta escancarada. Mais aviltante ainda (e até cômico), é Dilma Rousseff, aquela que transformou o Brasil num genuíno anão diplomático rebaixado, oferecer abrigo aos pobre-coitados sírios. Ora pombas, Dilma não consegue dar conta dos brasileiros! E Nicolas Maduro superou-se em sordidez quando ofereceu refúgio à 20 mil refugiados sírios, mas o que dizer dos venezuelanos que sofrem a barbárie da ditadura chavista, sendo sistematicamente espancados, sequestrados, e cada vez mais miseráveis. Neste caso, sr. Nicolas Maduro, os Sírios trocariam seis por meia-dúzia. 

O fato, é que esta súbita onda de caridade franciscana que paira sobre a União Européia é estranha e cheira a enxofre. Para mim, esta operação deveria ser batizada de "Operação cavalo de Tróia". 

* enquanto eu matutava sobre o assunto, eis que chega-me a informação de que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados. Parabéns UE.

ATENÇÃO!



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Lula e Irmãos Castro são o Foro de São Paulo


A Revista Época publicou recentemente uma matéria interessante que esmiuça a sombria relação entre Lula e os Irmãos Castro, ou melhor,  entre o PT e a ditadura cubana, e como Lula, atuou como lobbista entre Marcelo Odebrecht e Raúl Castro, para a construção do porto de Mariel, que hoje sabe-se servir unicamente para transportar armas para outras ditaduras comunistas, como a  da Coréia do Norte. 

Até aí agradecemos o serviço jornalístico investigativo prestado pela referida revista. O desserviço foi-nos prestado, em contrapartida,  com a sonegação da informação a respeito da gênese desta relação. 

 Para tanto precisaríamos voltar ao ano de 1990, quando Lula, Manuel Marulanda (então comandante das FARC) e Fidel Castro fundaram o Foro de São Paulo,  cujo intuito muito bem definido,  seria recuperar a longo prazo, o que o Comunismo havia perdido no leste Europeu com a dissolução da URSS. 

O intuito do Foro de São Paulo é recriar na América Latina um bloco Soviético.  Por estas bandas latino-americanas, este bloco é comumente chamado (Maduro, Kirchner e Morales assim o dizem com frequência) de "Grande Pátria". Mas onde diabos entra o Brasil nesta história?  

O plano do Foro de São Paulo era que o Brasil bancasse toda essa festa comunista, ao som de António Gramsci, parada de sucesso entre a elite intelectual brasileira,  e para isto precusariam alçar à Presidência da República das bananas um dos seus; este foi Luis Inácio Lula da Silva. Logo, toda a roubalheira; mensalão,  petrolão e tutti quanti, surgiram unica e exclusivamente com um objetivo: financiar o esquema de poder do Foro de São Paulo.  

Por isso, o BNDES financia obras monumentais em Cuba, Venezuela, Bolívia,  além de financiar ditaduras africanas com o intuito de fortalecer o movimento comunista internacional. Cuba, que segundo estudiosos no assunto, seria a "Moscow" latino-americana, precisaria ser sustentada pelos outros países do Foro de São Paulo. 

Logo, mesmo sendo boa a matéria da Revista Época,  qualquer matéria, seja de cunho jornalístico, historiográfico,  filosófico ou qualquer outro que seja,  que proponha-se a falar sobre Lula e Irmãos Castro sem citar o Foro de São Paulo, não passa de desinformação e conversa para boi dormir. 

#Olavotemrazão

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Senado Federal e a Implantação da Monarquia Parlamentarista no Brasil



Está em votação como "idéia Legislativa" no site do Senado Federal, a "Instituição da Monarquia Parlamentarista no Brasil". Antes que o nobre leitor deixe brotar de seus lábios aquele sorrisinho desdenhoso e debochado, informo que o movimento monárquico, ou seja, dos que desejam a volta da Monarquia parlamentarista como regime político é maior de que se pensa, e tem ganhado força dia-a-dia. E além disso, a proposta de um regime político Monarquista já foi proposta num plebiscito em 21 de abril de 1993, mas por ardilosos estratagemas dos republicanos, a população foi pouco informada acerca do que realmente seria um regime monárquico parlamentarista, perdendo então a monarquia e prosseguindo a barbárie republicana. 

A República já deu demasiadas demonstrações de sua ineficácia como regime político no Brasil, e o quanto favorece a corrupção, bem como o aparelhamento de estado. Em contraposição à harmonia reinante e o respeito internacional do qual gozava o Brasil no Império, estão as sucessivas ditaduras, golpes, renúncias, deposições e revoluções do regime republicano, além de ter sido o Brasil recentemente agraciado internacionalmente como "anão diplomático". Nossos heróis nacionais são sistematicamente achincalhados nas escolas, achincalhamento este que é peça fundamental na desinformação e na degradação da imagem do Império Brasileiro. Há até quem diga - porca miséria - que se voltasse a Monarquia como regime no Brasil, voltaria a tira-colo a escravidão negreira, e teríamos um regime anti-democrático!!! 

Aufere-se daí, o nível aviltante de ignorância e desinformação sobre o tema.

Eu mesmo, rendi-me de vez, passados alguns anos de namoro, à idéia de termos um Rei para estancarmos a enxurrada de poderosos réus, após assistir ao delicioso e deveras instrutivo hangout do "Terça-Livre", onde participaram Allan dos Santos, Dom Bertrand Orleans e Bragança, Príncipe da Casa Imperial do Brasil e o jornalista Paulo Eduardo Martins, também monarquista.

Pois bem, segue abaixo a descrição da idéia, e em seguida o Link da página do Senado Federal onde pode-se dar seu apoio à idéia.

Dê seu apoio aqui

Ideia Central  ■

Implantação da Monarquia Parlamentarista no Brasil

Problema  ■

O sistema republicano presidencialista é corrupto e corruptor, além de caro e gerar uma concentração de poderes muito grande nas mãos do presidente. A eleição presidencial é extremamente custosa, o que eleva as chances de corrupção e de criação de compromissos de campanha que se distanciam do bem comum. Os presidentes se acumulam aos ex-presidentes e seus respectivos cônjuges (em caso de viuvez), aumentando ainda mais o custo do sistema. Os mandatos pétreos, sem possibilidade de termo antecipado por incompetência, derivados da junção das chefias de estado e de governo, ampliam a falta de compromisso entre os políticos eleitos e a população. A execução de funções de chefia de estado por pessoa ligada a partido político leva à desvirtuação e aparelhamento das instituições de estado, minando a credibilidade das mesmas, como já se comenta sobre o STF.

Exposição  ■

Em uma monarquia apenas uma pessoa recebe recursos pela chefia de Estado, independentemente do momento histórico. A ausência de eleições majoritárias para a chefia de governo permite uma enorme economia de recursos (gastos chegaram a mais de 250 milhões para cada um dos dois principais candidatos das últimas eleições presidenciais). A chefia de governo exercida por um Primeiro-Ministro, originalmente um deputado, envolve custos de eleição muito menores, gerando menos compromissos de campanha. A possibilidade de destituição do governo por incompetência através do Chefe de Estado (Monarca) forçaria um maior compromisso dos governantes com resultados e com a população. A separação da chefia de Estado e de Governo garantiria uma relação mais saudável das instituições públicas. Por exemplo: os ministros do STF seriam indicados pelo Monarca, extinguindo qualquer dúvida quanto a eventual uso político dessas indicações e afastando as suspeitas de aparelhamento de estado. Funções do Monarca: nomear (sugerida a possibilidade de Moção de Desconfiança construtiva pelo parlamento em caso de discordância do mesmo quanto à indicação do Primeiro-Ministro feita pelo Monarca) e destituir o governo (nos termos da Constituição: crime de responsabilidade, incompetência, ingovernabilidade), chefia das Forças Armadas, indicação dos ministros do STF e concessão de indultos, concessão de títulos nobiliárquicos (sendo vedada a geração de custos para o Estado para isso), convocação de plebiscitos e referendos. As demais funções do Executivo, Legislativo e Judiciário permaneceriam nos moldes atuais.

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domingo, 30 de agosto de 2015

A Monarquia é possível?

Perguntaram certa vez à Socrates, pai da filosofia: 
 -O que devemos fazer para voltarmos a ser felizes? 
- Voltem a praticar o que praticavam quando eram felizes, respondeu Sócrates.

A última manifestação nacional pedindo o impedimento da Presidente Dilma Rousseff , a prisão de Luis Inácio Lula da Silva, e o fechamento da quadrilha travestida de partido político chamada "Partido dos Trabalhadores", trouxe à superfície, pela boca de destemidos e crescentes jovens estudiosos e bem formados, o brado de volta à Monarquia. Devido à TOTAL ignorância na qual o povo foi PREMEDITADAMENTE mergulhado no que se refere ao tema da Monarquia, urge a pergunta: a Monarquia é possível? Sim, é! Não só é possível, como se configura como a ÚNICA saída para o caos político, ético e moral no qual afundou-se o Brasil Republicano. A república já deu provas suficientes da sua essência fracassada: ditaduras, revoluções, golpes, corrupção desenfreada, amoralidade galopante, violência em níveis absurdos e esquecimento completo das leis de Deus. Logo, antes de comemorar o 15 de novembro de 1989 como dia em que foi erigido o estandarte em honras à liberdade, deveríamos enlutar-nos, cientes de que neste fatídico dia, assinamos o atestado de óbito dos valores tradicionais, da boa política e dos bons costumes.

Com o intuito de debelar dúvidas e preconceitos, partilho com o generoso leitor este Hangout com o Filósofo Allan  dos Santos, o jornalista Paulo Eduardo Martins, e Sua Alteza Dom Bertrand Orleans e Bragança. Estes, brindam-nos com uma aula de história do Brasil e informações acerca da Monarquia, capazes de fazer-nos pensar um pouco.


sábado, 22 de agosto de 2015

A Santa Missa e a Devoção à Santíssima Virgem Parte I


Perguntam-me com certa frequência os amigos e irmãos em Cristo, sobre a maneira mais eficaz de participar com frutos da Santa Missa, e a resposta é sempre a mesma: como se estivéssemos diante do calvário no exato momento do Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz. Isto, porque a Santa Missa é a atualização deste Sacrifício Redentor. Até tentam os progressistas - diga-se, como certo sucesso -  conferir à Santa Missa conceitos que na verdade não conceituam coisa alguma. 

Basta que saibamos o que o Sagrado Magistério diz sobre a Santa Missa. O Catecismo da Igreja Católioca, no número 1330 diz assim: "Santo Sacrifício, porque actualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou ainda santo Sacrifício da Missa, «Sacrifício de louvor» (Heb 13, 15) Sacrifício espiritual, Sacrifício puro e santo, pois completa e ultrapassa todos os sacrifícios da Antiga Aliança."

Diz ainda o Catecismo de São Pio X, no número 652: “A  Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da Cruz.”

A melhor maneira de participarmos com frutos da Missa é obviamente, aprendermos com quem mais perfeitamente viveu os acontecimentos do Calvário. Ninguém os viveu mais intensamente e mais unido a Jesus do que sua Mãe, Maria Santíssima. Nossa Senhora, por ter a sua alma intimamente unida a Jesus, a ponto de exclamar um apaixonado São Luis Grignion de Monfort, que seria mais fácil separar o Calor do Sol, do que separar a Santíssima Virgem Maria do seu diletíssimo Filho, foi quem sofreu na alma, as dores que seu Divino Filho sofria no corpo. Nossa Senhora, Rainha dos Mártires por excelência, viveu a perfeita Compaixão, pois associou perfeitamente ao Sacrifício de Cristo na Cruz, o seu sacrifício próprio.

Disse Rainha dos Mártires por excelência, pois à medida que aumentava seu amor por Jesus, aumentavam suas dores, ou seja, o Seu amor infinito pelo seu Divino filho, era-lhe excruciante instrumento de martírio. Santo Estevão, foi martirizado pelos golpes de pedras; Santo Inácio de Antioquia, entregou-se aos dentes de Leões famintos como pasto de Deus e trigo puro de Cristo; Muitos e muitos Cristãos banharam de sangue o solo fértil da Igreja sob o fio da espada. Maria Santíssima porém, foi martirizada pelo Amor infinito de Seu Filho. Sei que é difícil pensarmos nestes termos, pois como poderia ser amor aquilo que faz sofrer? Porém, é também verdade, que ainda não amou o suficiente, quem ainda não sofreu pelo seu amado. Logo, participarmos da Santa Missa, em compaixão com Nosso Senhor, assim como o fez Maria Santíssima, é a maneira mais Salutar de vivenciarmos com frutos espirituais abundantes o Santo Sacrifício da Missa.

Sobre isto, também expressa-se o Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, número 58: “Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a. união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cfr. Jo.19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d'Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo, com estas palavras: mulher, eis aí o teu filho (cfr. Jo. 19, 26-27)

Portanto, durante a Santa Missa, Santo Sacrifício Redentor, permaneçamos ao lado da Virgem Santíssima, e ela inspirar-nos-á um espírito de reverência maior e mais perfeito do que temos tido.

Mas há uma diferença do Sacrifício Redentor do calvário, que deu-se há dois mil anos atrás, e o Santo Sacrifício que dá-se por atualização a cada Santa Missa, diante de nossos olhos. O Sacrifício do Calvário foi um sacrifício Cruento, ou seja, houve derramamento de sangue; em contrapartida, o Santo Sacrifício da Missa é um sacrifício Incruento, ou seja, não há derramamento de sangue. É um Sacrifício espiritual, ocorre misticamente aos olhos da Fé, porém, a atitude espiritual daquele, deve ser o mesmo deste. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sobre o famigerado "não julgueis" por Tobias kuklinski

Por Tobias kuklinski

Não gosto de escrever grandes textos, cheios de pontos e visões. Na verdade até gostaria, mas tenho tantos amigos no facebook muito mais sábios e competentes do que eu, que escrevem textos tão bons, com embasamento, excelentes argumentações e tudo mais, que fico com "vergonha" de escrever qualquer coisa grande, por não me considerar 'sábio' o suficiente. Talvez seja falta de humildade, então vou parar com isso.

Também odeio discussão de internet (de internet!, veja bem), - e tenho meus motivos para detestá-las - por isso evito entrar nelas. Então resolvi excluir comentários que levem às mesmas, logo esse é um problema já solucionado.

Vejo muito "não julgueis", muito "Jesus pregou o amor", "temos que amar o irmão", "Misericórdia, né? Nos cabe apenas orar por ele/a" em certas situações, e fico preocupado e inconformado com a maioria destes comentários.

 Falo "a maioria", porque algumas (poucas) vezes eu vejo tais máximas sendo usadas em situações às quais elas realmente se aplicam.

As pessoas veem um irmão tendo alguma atitude totalmente contrária aos mandamentos de Deus, à doutrina da Igreja.. Veem um irmão cometendo não somente um pecado, mas muitas vezes uma heresia... E o que fazem? Se escondem atrás de um "não julgueis". Fazem uso de uma falsa "misericórdia", que é, na verdade, uma desculpa para não se expôr indo corrigir a pessoa que erra. E, me entendam, falo de uma correção fraterna. Correção que todos temos a obrigação de fazer. 

Não uma correção para crescer em cima do erro do outro, mas uma correção para ajudar o outro a crescer, abandonando o erro. Sei que há muitos que se dizem católicos, e são na verdade quase agnósticos. Crêem em algo, e chamam esse algo de Deus; vão na missa muito mais por costume do que por constância; mal sabem o que a Santa Mãe Igreja diz sobre certos assuntos - ou pior: sabem e são assumidamente contrários. Em qualquer um dos casos, se a pessoa se diz católica, devemos corrigí-la e ajudá-la. 

Devemos lhe mostrar a Verdade, sempre com caridade. Verdade dita sem caridade é agressão! Se a pessoa vai aceitar, entender, discordar, xingar, reclamar, continuar, sair da igreja ou o que mais quer que possa fazer, é uma responsabilidade exclusivamente dela. A nossa parte nós temos que fazer. Conforme o lema papal de Bento XVI, ser Colaboradores da Verdade.

Veja o exemplo de São Paulo: perseguia cristãos pensando ser esta a vontade de Deus. Ao descobrir que estava errado, abandonou a perseguição e mudou suas atitudes, tornando-se o Santo que é (cf. At 9, 1ss). Se as pessoas que erram tem a real intenção de seguir a Deus, de serem católicas, o alerta sobre uma conduta/pensamento errada/o será muito bem aceito e acolhido.

São João Batista não se preocupou se suas palavras ofenderiam Herodes. Ele fez o que devia ser feito: chamou-lhe a atenção para um erro que estava cometendo. Uma correção firme, mas certamente caridosa, que Herodes não acolheu. Herodes gostava do que João Batista pregava, contanto que não contrariasse seus prazeres. Herodes aceitava somente o que lhe convinha (cf. Mc 6, 16ss).

Acima apresentei dois exemplos e acho que dispensam explicações quanto à diferença nas atitudes de ambos (São Paulo e Herodes) ao serem corrigidos.

Nosso Senhor disse: ser morno é pior do que ser frio ou quente (cf. Ap 3, 15-16)! São Paulo fala: quem come e bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação (cf. 1Cor 11, 29)! Que misericórdia é essa que dizem ter pelas pessoas que erram, se as deixam comer e beber sua própria condenação? Pra mim isso não é misericórdia, nem amor ao próximo. Não é mesmo.

Em resumo: não se escondam atrás de um "não julgueis".

Dica: Não sei a qual "não julgueis" o povo se refere. Se for o do capítulo 7, versículo 1 do evangelho de São Mateus, recomendo que leiam o resto do capítulo. Se for o do capítulo 7, versículo 24 do evangelho de São João, recomendo que leiam o resto do versículo.

Há muitos outros pontos que eu gostaria de comentar sobre este mesmo assunto, mas ficaria um texto muito maior. Tô afim não.

sábado, 15 de agosto de 2015

"O Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima" pelas edições Arca de Maria

Chegaram-me às mãos os exemplares da nova edição do "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria", da lavra de um Santo portentoso: São Luis Maria Grignion de Monfort. Recebi a nova edição, impecavelmente elaborada pela Arca de Maria, e que apresenta-se sob grande elegância, tanto no texto, quanto nas imagens que acompanham o texto. 

Esta nova edição, traz belíssimas imagens da Santíssima Virgem Maria, e uma bela foto de São João Paulo II. Traz ainda, um apêndice com os exercícios espirituais preparatórios para a Consagração Total à Santíssima Virgem Maria, além de um texto de autoria de São joão Paulo II, que teria sido proferido como discurso às famílias monfortinas.
Resumo da ópera: o Tradado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, de São Luis Maria Grignion de Monfort, recebeu enfim, o tratamento que lhe é peculiar.




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Enxugar as chagas da Igreja (I)



No caminho do Calvário, há um grupo de mulheres que choram os horrores da Paixão de Cristo. Veem o Senhor ali jogado, "sem graça nem beleza para atrair nossos olhares" (Is 53, 2), e se compadecem. Cristo fala com elas: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos… Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?" (Lc 23, 28-31). Palavras duras. Mas por quê? Não seriam, de fato, mulheres piedosas, demonstrando verdadeira compaixão pelas dores do Mestre? Não estariam elas, com suas lágrimas e lamentações, compartilhando um pouco dos sofrimentos do Senhor? Por que, então, Jesus parece tão severo e distante, repreendendo a manifestação eloquente de carinho e delicadeza feminina daquelas pobres mulheres?

O ser humano é naturalmente capaz de compadecer-se diante do sofrimento alheio. Jesus, que possui uma natureza "dotada igualmente das potências afetivas, sensitivas e das suas correspondentes paixões", chorou sobre o túmulo de Lázaro (cf. Jo 11, 35) e sentiu tristeza pela miséria de Jerusalém (cf. Lc 21, 20-24) [1]. O Catecismo ensina: "Os sentimentos ou paixões são as emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau" [2]. A princípio, não há nada de errado no choro ou na tristeza em face de um acontecimento perturbador. Por outro lado, é de se preocupar com quem fica inerme ao ver as dores e as chagas do outro. A total passividade com os sofrimentos do próximo é contrária ao próprio ser do homem. De que maneira se pode, portanto, compreender a censura de Jesus àquele grupo de mulheres?

Ora, Jesus adverte contra uma piedade puramente sentimental, cuja raiz não progride para uma autêntica mudança de vida. O amor verdadeiro impele-nos à ação, a buscar o bem para o outro, pois "de nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual". Jesus não rejeita a piedade daquelas mulheres. Mas também não deixa de alertá-las para o risco do desespero e do desalento. Não foi, por acaso, o desânimo que vendou os olhos daqueles dois discípulos de Emaús, impedindo-os de perceber a presença do Salvador (cf. Lc 24, 16)? As lágrimas e a tristeza também não turvaram a visão de Maria Madalena (cf. Jo 20, 11-13)? Jesus censura justamente isto: o desespero que paralisa os cristãos e os retira do caminho para o céu.

Os sofrimentos da Igreja, ou seja, as chagas do Corpo de Cristo que se fazem presente ainda hoje na história da humanidade, são, sem dúvida, motivo de grande preocupação. Nos anos pós Concílio, quando já se desenhava um quadro de "tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria: seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada", muitas almas santas manifestaram perplexidade. Numa ocasião, percebendo o semblante pálido de São Josemaria Escrivá, o Padre Javier lhe perguntou: "Acontece-lhe alguma coisa, Padre?" — "Acontece-me… que me dói a Igreja", respondeu o santo [3]. O Bem-aventurado Paulo VI condenou, em inúmeras oportunidades, o espírito de "ruptura com a Tradição, mesmo doutrinal, que chegava a repudiar a Igreja pré-conciliar e a conceber uma Igreja nova, quase reinventada de dentro na sua constituição, no dogma, nos seus costumes e no direito" [4]. Contudo, nem São Josemaria nem Paulo VI se deixaram paralisar por esses problemas. Em vez de seguir a via das mulheres que choravam pelo caminho do calvário, seguiram o exemplo de Verônica, reparando as ofensas que se cometiam contra o Evangelho. É o exemplo que todos deveríamos seguir: "Verônica correspondeu ao amor de Cristo com a sua reparação; uma reparação admirável, porque veio de uma débil mulher que não temeu as iras dos inimigos de Cristo" [5]. Eis o exame de consciência que deveríamos fazer: "Imprime-se na minha alma [...] o rosto de Jesus, como no véu de Verônica?" [6].

Infelizmente, diante da crise da Igreja, muitos são arrebatados pela amargura, pelas profecias do desespero, "que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo". A tudo criticam, a tudo condenam, por tudo se encolerizam, sem, no entanto, mudarem de vida. Não percebem as palavras do apóstolo: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações" (Tg 1, 2). Ao contrário, caem no sentimentalismo das pobres mulheres e na cegueira dos discípulos de Emaús. E é justamente isso o que o diabo deseja, porque sabe que um povo sem esperança é um povo sem perspectiva, que sai do fronte de batalha mesmo antes de ela começar, por já se considerar um perdedor.

Certa vez, um sacerdote que murmurava pela tibieza de sua paróquia foi se aconselhar com São João Maria Vianney. O Cura d'Ars lhe perguntou: "Pregou? Rezou? Jejuou? Utilizou as disciplinas? Dormiu no chão? Se ainda não fez isso, não tem o direito de se queixar". Ora, Vianney aconselhava o sacerdote amigo a partir de sua própria experiência no vilarejo de Ars. Contam os biógrafos do santo que, antes de sua chegada, Ars era um local de verdadeira ignorância religiosa. Trabalhava-se aos domingos, frequentava-se bailes e tabernas, blasfemava-se sem qualquer temor e decência. E quais foram as armas de São João Maria Vianney para vencer a tudo isso? As armas do Evangelho: "Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum" (Mt 17, 20). Em menos de seis anos, Ars já não era mais a mesma.

A Igreja tem de viver a Paixão, sabemos, como Cristo viveu a sua. Somos chamados a enxugar o seu rosto e as suas chagas, do mesmo modo que fizeram Santa Verônica, São Josemaria, São João Maria Vianney e tantos outros santos ao longo desses dois mil anos de história. Pois a "prova da vossa fé produz a paciência [...] a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma" (Tg 1, 3).



Referências

  1. Pio XII, Carta Encíclica Haurietis aquas, 15 de maio de 1956, n. 21
  2. Catecismo da Igreja Católica, 1763
  3. Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, Vol. III. São Paulo: Quadrante, 2004, pp. 541
  4. Idem
  5. Francisco Fernández Carvajal, Falar com Deus: Meditações para cada dia do ano. Vol. II. São Paulo: Quadrante, 2011, pp. 217
  6. Idem

domingo, 19 de julho de 2015

Bento XVI recebe mais um doutorado Honoris Causa


Castel Gandolfo, sexta-feira, 3 julho de 2015: Bento XVI recebe doutorado Honoris Causa da Pontifícia Universidade João Paulo II e da Academia de Música de Cracóvia.
Juntos novamente: na imagem, Bento XVI, seu fiel secretário George Gaiswen e o general Domenico Giani, comandante da Gendarmeria, chefe da segurança do Pontífice.
Imagem: L’Osservatore Romano.

sábado, 18 de julho de 2015

O deliqüente espancado, a capa ideológica e a Prudência.


A prudência é a virtude mais necessária à vida humana, pois viver bem consiste em agir bem. Ora, para agir bem é preciso não só fazer alguma coisa, mas fazê-lo também do modo certo, ou seja, por uma escolha correta e não por impulso ou paixão. Como a escolha visa aos meios para se conseguir um fim, para ser correta exigem-se duas coisas: o fim devido (debitum finem) e os meios adequados a esse fim … Quanto aos meios adequados a esse fim, importa que o homem esteja diretamente disposto pelo habitus da razão, porque aconselhar e escolher, que são ações relacionadas com os meios, são atos da razão. É necessário, pois, haver na razão alguma virtude intelectual que a aperfeiçoe, para que proceda com acerto em relação aos meios. Essa virtude é a prudência, virtude portanto necessária para bem viver." Suma Teológica P I-II,q.57

Santo Tomás de Aquino expõe-nos os princípios metafísicos da Prudência, uma das nobilíssimas virtudes cardeais, como sendo princípios necessários para bem escolhermos os meios adequados para obtermos êxito em determinado fim. 

Até que ponto, nossas escolhas estão ou não eivadas das mais inflamadas paixões? Nossas capacidades de retamente julgar nas ocasiões que nos exigem uma ação mais concreta e enfática podem estar obnubiladas pelas paixões?

Sim, pode. Aristóteles, na sua "Ética a Nicômaco",  ao falar da Temperança, fala da subordinação que as faculdades Racionais devem exercer sobre as faculdades irascíveis.

Notadamente, há na humanidade um desequilíbrio nestas duas faculdades, que quando em harmonia, nos auxiliam no "escolher retamente" os meios para melhor realizarmos as mais simples operações cotidianas.

O cristianismo tem uma reposta para este desequilíbrio entre razão e ira: o Pecado Original. Antes da queda de Adão e Eva por instigação da serpente maldita, o Homem (ha - Adam), era dotado de dons magníficos, dons preternaturais, e dentre estes, estava o reinado do dom da Integridade, dom este que lhes conferia absoluta harmonia entre a razão e os apetites sensitivos. (Gen 3,15)

Caídos nossos primeiros pais, a humanidade não mais conteve o mais breve e discreto vento de ira sobra a sua alma, e arderam-se de ódio uns contra os outros, e isto é absolutamente constatável pelo primeiro Fratricídio da História: O assassinato de Abel, pelas mãos de Caim. 

Podemos também agir com prudência, quando ao olharmos os fatos do passado, os pomos em paralelo com os acontecimentos hodiernos, para daí auferirmos algo, mesmo que breve, do futuro. Não se trata absolutamente de adivinhação ou vidência sensacionalista, mas previsões baseadas em evidências postas em acareação. 

Pois bem. Há alguns dias, fui surpreendido, ainda pela manhã, com a audaciosa e desonesta capa do jornal EXTRA, onde era noticiada a delapidação de um delinqüente que ao ser abordado assaltando um estabelecimento comercial, foi espancado até a morte, por uma população enfurecida. 

Por ser considerado "de direita", algumas pessoas julgam-me coadunante com aquela barbárie, o que de fato não o sou. Antes de ser de "direita" ou "conservador" - como o queiram -ou cristão! 

Sinceramente, assusta-me a possibilidade de que diante da mais ínfima acusação de ter incorrido nos crimes comuns da delinqüência, mesmo que na realidade não tenha cometido crime algum, um cidadão, um indigente ou mesmo um delinquente ipso facto, seja espancado até a morte!

Quero deixar claro que não sou adepto do protecionismo atávico com o qual a Esquerda presenteia a bandidagem, tampouco debulho-me em lágrimas quando algum traficante, utilizando a linguagem jurídico-penal, sofre "auto de resistência", mas creio que pela lógica, dois erros não constituem um acerto. Assassinar temerariamente e justiçamento com as próprias mãos são crimes. Obviamente, isto ,exclui a violência em legítima defesa, o que deve dar-se proporcionalmente ao ataque sofrido.

Recordo-me de um ocorrido datado da Idade das Luzes, quando do medo que causava aos medievos a heresia Cátara. Os cátaros eram adeptos do Maniqueísmo, a existência de dois princípios opostos: o do Bem e o do Mal, onde a alma teria sido criada pelo princípio bom, e a matéria, pelo princípio mal. Portanto, tudo o que gerava a matéria também era mal. Tal era a sanha dos cátaros contra a matéria e tudo o que gerava a matéria, que começaram a linchar mulher grávidas, pelo simples fato de estarem gerando matéria em seus ventres. Não bastasse essa barbaridade, a simples suspeita de uma mulher estar grávida, ou a simples suspeita de ser alguém cátaro, mesmo que este não o fosse, resultava não raramente em linchamento até a morte. A ação destes facínoras só arrefeceu-se quando da instituição pela Igreja do tribunal do Santo Ofício. Isso mesmo, o Santo Ofício existia para proteger as pessoas, ao contrário do que afirmam os arautos do mais ferrenho iluminismo anticlericalista. 

A capa do referido jornal, porém, era desonesta e ideológica: punha um assaltante; um marginal, que embora não tenha tido direito à julgamento segundo os devidos trâmites legais, não deixava de ser um marginal. Pô-lo como vítima da violência urbana, quando ele mesmo a havia praticado primeiro àquela ocasião é intelectualmente desonesto. Pior ainda, foi pô-lo em analogia com os negros que sofreram sob o jugo da escravidão. São situações diferentes: estes, nada roubaram, mas tiveram suas liberdade roubadas; aquele, roubou, e teve sua vida ceifada.

O que exorto a quem me pergunta sobre o ocorrido é: É prudente olhar para trás nas esteiras do tempo e contemplar que outrora estas práticas não deram certo. É prudente, mesmo sob o arder da fúria, deter o criminoso, quando possível, dar-lhe voz de prisão, e entregá-lo às autoridades, sejam elas competentes ou incompetentes. se incompetentes, e consequentemente coadunantes com a injustiça, tenhamos em nossas alma a certeza de que é melhor sofrer injustiça do que praticá-la.

Precisamos urgentemente de equilíbrio.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

* Perdoem-me os erros de ortografia e concordância. Escrevo do celular, e quem tem dedos gigantescos entende o martírio que é digitar nestas benditas e minúsculas teclas... assim que puder, os corrijo.




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sobre a Consagração Total à Santíssima Virgem Maria


Perguntaram-me alguns amigos, o que era de fato a consagração total à Santíssima Virgem Maria, e qual seria a melhor forma de torná-la uma concreta vivência. Ocorreu-me num instante, tais palavras. Ei-las:

"A consagração Total à Santíssima Virgem Maria é um cheque em branco e assinado que damos à Nossa Senhora; ela decide o valor a ser posto no cheque!

É um contrato em branco assinado por quem se consagra, onde Ela escreve com suas purissimas mãos, as cláusulas que irão salvar-nos a alma no derradeiro julgamento! 

É um livro com as paginas dos últimos capítulos em branco,  onde deixam os consagrados que Ela escreva o resto das narrativas de sua caminhada rumo à Jesus Cristo.

A Consagração é,  em última análise,  viver radicalmente a Divina Providência em nossas almas, enquanto andamos pelos terrenos pedregosos das estradas rumo ao Céu!"

Salve Maria Santíssima